Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Sala P. F. Gastal lança documentário inédito

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro exibe a partir de terça-feira, dia 21 de julho, o documentário brasileiro Descaminhos, produção mineira dividida em seis episódios (assinados por oito diretores) que retrata o abandono das linhas ferroviárias no Brasil. O filme propõe uma viagem antropológica pelas cidades e pela vida das comunidades à margem de ferrovias. Os trens como condutores da história e os trilhos como linha do tempo. Um registro do passado, por meio de memórias e uma observação do espaço contemporâneo a partir do cotidiano e da transformação de lugares provocada pela presença ou desaparecimento do trem.

Durante 36 dias de gravações, os diretores de Descaminhos percorreram seis trechos ferroviários em Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Atravessaram regiões desenvolvidas economicamente e também pequenas cidades. A partir de depoimentos sobre o presente ou o passado, foi traçado um amplo painel do cotidiano de comunidades distintas que mantêm um ponto em comum – a linha férrea.

Sinopse curta


Um road movie sobre trilhos através de quatro estados, 55 cidades e 8000 km de linhas férreas. Moradores às margens de ferrovias lembram o passado e comentam o presente a partir de um elemento comum: o trem.


Sinopses dos episódios

1º episódio - Direção: Marília Rocha

Um trem percorre regiões da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. Uma voz anônima narra um encontro do passado.

2º episódio - Direção: Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter

Obras e memórias que se perdem com o tempo. O trem que trouxe o tal progresso é o mesmo que o tirou.

3º episódio - Direção: João Flores

Quatorze horas de viagem, mil pessoas subindo e descendo na única linha de transporte de passageiros filmada. Histórias, paisagens, ruídos e chiados.


4º episódio - Direção: Maria de Fátima Augusto

A busca de um tempo perdido na memória dos aposentados da ferrovia. Um tempo redescoberto, presente nas lembranças.

5º episódio – Direção: Leandro HBL

Um trem jogado ao relento, ao abandono. Agora, ele é parte de uma história precária, corrupta e envelhecida.

6º episódio – Direção: Armando Mendz e Cristiano Abud

Um percurso através das paisagens e ruínas da extinta Bahia - Minas. Na memória dos moradores ficou a lembrança, o vazio e o descaso.

Descaminhos fica em cartaz na Sala P. F. Gastal até domingo, dia 26 de julho. Todas as sessões têm entrada franca.

Descaminhos. Minas Gerais, 2007. Direção de Marília Rocha, Luiz Felipe Fernandes, Alexandre Baxter, João Flores, Maria de Fátima Augusto, Leandro HBL, Armando Mendz e Cristiano Abud. Duração: 75 minutos. Exibição em DVD.


GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 21 a 26 de julho de 2009


Terça-feira (21 de julho)

16h30 – Descaminhos
18h15 – Descaminhos
19h30 – Descaminhos

Quarta-feira (22 de julho)

16h30 – Descaminhos
18h15 – Descaminhos
19h30 – Descaminhos

Quinta-feira (23 de julho)

16h30 – Descaminhos
18h15 – Descaminhos
19h30 – Descaminhos

Sexta-feira (24 de julho)

16h30 – Descaminhos
18h15 – Descaminhos
19h30 – Descaminhos

Sábado (25 de julho) – Atenção, nesse dia horários especiais!

15h30 – Descaminhos

17h – Exibição do filme Memória para Uso Diário, de Beth Formaggini (duração 94 min)

18h30 – Bate-papo sobre Violência de Estado e Direitos Humanos com a presença de Vera Vital Brasil (Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro) e Rosane Neves (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), seguida de lançamento dos livros Clínica e Política II e 20 anos da Medalha Chico Mendes de Resistência – Memória e Lutas, do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro

20h – Descaminhos

Domingo (26 de julho)

16h30 – Descaminhos
18h15 – Descaminhos

19h30 – Descaminhos

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

V FANTASPOA NA SALA P. F. GASTAL


Até o dia 19 de julho, a Sala P. F. Gastal, no 3º andar da Usina do Gasômetro, segue exibindo as sessões do V Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Ingressos a preço único de R$ 4,00.

Maiores detalhes sobre a programação do Festival no site

do FANTASPOA

PROJETO CURTA NAS TELAS

Na terça-feira, dia 14, na sessão das 19h, antecedendo o longa O Diabo Me Desafiou, acontecerá a última exibição do curta-metragem A Espera, de Fernanda Teixeira, selecionado na 34ª Edição do Curta nas Telas.

Grade de Horários

Semana de 14 a 19 de julho de 2009


14 de julho (terça-feira)

15h – Lago Maldito Classificação 18 anos (95 min)
17h – Doutor Inferno Classificação 18 anos (84 min)
19h – A Espera + O Diabo me Desafiou Classificação 16 anos (75 min)

15 de julho (quarta-feira)

15h – The Machine Girl Classificação 16 anos (96 min)
17h – Alguém Está Batendo na Porta Classificação 18 anos (72 min)
19h – A Ira Classificação 16 anos (99 min)

16 de julho (quinta-feira)

15h – Pule! Grite! Berre! Classificação 14 anos (85 min)
17h – Enxame Negro Classificação 16 anos (89 min)
19h – Sangue na Estrada Classificação 16 anos (88 min)


17 de julho (sexta-feira)

15h – Alguém está Batendo na Porta Classificação 18 anos (72 min)
17h – Caça aos Porcos Classificação 16 anos (100 min)
19h – The Machine Girl Classificação 16 anos (96 min)

18 de julho (sábado)

15h – Morte por Noivado – Classificação 16 anos (98 min)
17h – O Diabo Me Desafiou Classificação 16 anos (75 min)
19h – Doutor Inferno Classificação 18 anos (84 min)

21h – Guerra para Morte Classificação 16 anos (85 min) – Sessão com comentários do diretor David Blyth. Além disso, exibição de curtas-metragens produzidos através de curso realizado no V Fantaspoa.

19 de julho (domingo)

15h – Sangue na Estrada Classificação 16 anos (88 min)

17h – Sessão Surpresa

19h – Patrícia Gennice (58 min) – Sessão comentada pelo diretor-roteirista Felipe M. Guerra.

21h – O Monstro de Um Olho SóClassificação 18 anos (84 min)


Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

V Fantaspoa entra em cartaz na P. F. Gastal

A partir de terça-feira, dia 7 de julho, a Sala P. F. Gastal integra-se ao circuito do V Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Nesta primeira semana, o grande destaque da programação é a mostra do colecionador e distribuidor de filmes raros Kit Parker, que inclui pérolas do cinema B como Rei Dinossauro (1955), O Gorila Branco (1945) e A Noiva e a Besta (1958). No sábado, dia 11 de julho, às 21h, o diretor neo-zelandês David Blyth estará comentando a sessão de seus filmes sobre fetichismo e sadomasoquismo, os documentários Amarrados por Prazer e Noites Transfiguradas.

Ingressos a R$ 4,00 (preço único)

SALA P. F. GASTAL

Grade de Horários
Semana de 7 a 12 de julho de 2009


Terça-feira (7 de julho)

15h – A Noiva e a Besta
17h – Mondo Proibido
19h – A Selva


Quarta-feira (8 de julho)

15h – O Gorila Branco
17h – Sonhos Demoníacos
19h – Rei Dinossauro


Quinta-feira (9 de julho)

15h – Colegiais Delinquentes
17h – Sereias de Tiburon
19h – Sexo e Pipoca Amanteigada


Sexta-feira (10 de julho)

15h – Lago Maldito
17h – Morte por Noivado
19h – Caça aos Porcos


Sábado (11 de julho)
17h – A Ira
19h – The Machine Girl
21h – Amarrados por Prazer + Noites Transfiguradas, sessão comentada pelo diretor neo-zeolandês David Blyth

Domingo (12 de julho)

15h – Enxame Negro
17h – Pule! Grite! Berre!
19h – Alguém Está Batendo na Porta

Maiores informações no site:

www.fantaspoa.com

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Sala P. F. Gastal - Grade de Horários de 30 de junho a 5 de julho

Projeto Riso e Melancolia segue em Mostra de Filmes e Exposições na Usina do Gasômetro

A mostra de filmes que integra o Projeto O Riso e a Melancolia segue na Sala P. F. Gastal até dia 5 de julho. Já a exposição que ocorre simultaneamente na Galeria Iberê Camargo (térreo) e na Galeria Lunara (5º andar), com coquetel de abertura na sexta-feira, dia 26 de junho, às 19h, permanece em cartaz até 26 de julho.

Variantes de um amplo espectro emocional, o riso e a melancolia respondem por estados de espírito e de ânimo aparentemente opostos, porém complementares. Não obstante as diferentes acepções destes termos no curso da História, eles permanecem tão emblemáticos quanto reveladores da experiência humana.

A exposição O Riso e a Melancolia tem curadoria de Bernardo de Souza e Mariana Xavier. Trata-se de uma coletiva que reúne trabalhos em vídeo e fotografia assinados por nomes como Yves Klein, Paul McCarthy, Thomas Hoepker, Terrence Koh, Martín Sastre, Guto Lacaz, Kátia Prates, e Yoshua Okon, vários deles expondo pela primeira vez no Rio Grande do Sul.

Já a mostra de filmes reúne 12 títulos, privilegiando obras que combinam humor e drama em sua narrativa. Entre os destaques da programação, filmes de diretores de prestígio como Federico Fellini (Os Palhaços), Woody Allen (Poucas e Boas) e Pedro Almodóvar (Que Fiz Eu Para Merecer Isto?), além de duas produções estreladas por Buster Keaton, o cômico que nunca ria, e um filme inédito do diretor francês Michel Gondry, A Ciência do Sono.. A maior curiosidade, no entanto, é a exibição do longa filipino Melancolia, de Lav Diaz, com oito horas de duração, que tem chamado a atenção no circuito de festivais.Confira detalhes da programação na postagem anterior.

Integrando a mostra temos ainda o curta A Espera, de Fernanda Teixeira.

O Curta de Fernanda foi um dos 11 filmes selecionados na 34ª Edição do Projeto Curta nas Telas - fruto de Convênio entre a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o Sindicato das Empresas Exibidoras do Rio Grande do Sul e a Associação Profissional dos Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul e Brasileira de Documentaristas (APTC - ABD/RS), cujo objetivo é divulgar a produção nacional de curtas-metragens, por meio de sua exibição no circuito de cinema de Porto Alegre. Em 33 Edições já foram exibidos 214 curtas de todo o Brasil.

Grade de horários

Terça-feira (30 de junho)
15h – A Espera (15') + A Lira do Delírio (102') - entrada franca
17h – Os Palhaços (92')
19h – A Espera (15') + A Ciência do Sono (106')

Quarta-feira (1º de julho)
15h – A Espera (15') + Film (20’) + Marinheiro de Encomenda (71')
17h – A Espera (15') + Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!! (101')
19h – Os Palhaços (92')

Quinta-feira (2 de julho)
15h - A Espera (15') + A Ciência do Sono (106')
17h - A Espera (15') + Poucas e Boas (95')
19h - A Espera (15') + The Jeff Koons Show (49') + The Pearl is the Sun (20')

Sexta-feira (3 de julho)
15h - A Espera (15') + Pasqualino Sete Belezas (115')
17h - A Espera (15') + Film (20’) + Marinheiro de Encomenda (71')
19h - A Espera (15') + Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!! (101')

Sábado (4 de julho)
15h - Os Palhaços (92')
17h - A Espera (15') + Poucas e Boas (95')
19h – A Espera (15') + The Jeff Koons Show (49') + The Pearl is the Sun (20')

Domingo (5 de julho)
14h – Melancolia (exibição integral)

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Riso e Melancolia Inspiram Mostra de Filmes e Exposição na Usina do Gasômetro

O RISO E A MELANCOLIA
Variantes de um amplo espectro emocional, o riso e a melancolia respondem por estados de espírito e de ânimo aparentemente opostos, porém complementares. Não obstante as diferentes acepções destes termos no curso da História, eles permanecem tão emblemáticos quanto reveladores da experiência humana.
Considerada uma doença na Grécia Antiga, a melancolia deixou de ser uma moléstia no período romântico, quando se difundiu a ideia de que os indivíduos por ela afetados estariam a experimentar algo de profundamente enriquecedor para a alma humana.


Desde o século XX, entretanto, mais precisamente a partir das teorizações de Sigmund Freud, a melancolia foi comparada ao estado de luto, sem que, contudo, fosse constatada nela uma perda real, senão uma perda narcisista ou emocional.

O riso, por seu turno, consiste na expressão física motivada por diferentes naturezas de humor, tais quais a sátira ou a ironia, que estão intimamente relacionadas ao contexto sóciocultural de onde emergem e que as enseja. Quer na filosofia, quer na psicologia, o riso se estabelece como reação aos estímulos de ordem intelectual, configurando-se em um fenômeno fundamentalmente humano. De acordo com o filósofo francês Henri Bergson, caso o mundo fosse habitado por seres totalmente desprovidos de emoções, e exclusivamente movidos pela racionalidade, ainda assim haveria o riso, porque resultante de um processo mental que decorre de julgamentos morais. De maneira inversa, em um mundo dominado exclusivamente pelas emoções, o riso não seria possível, e o excesso de sentimentos nos envolveria numa atmosfera puramente melancólica.

A temática dessa mostra - o riso e a melancolia - partiu de nosso desejo de discutir esses dois extremos do humor em relação a seus papéis na história da arte. Há alguns séculos, a melancolia tem interessado às artes com algum destaque, embora diversamente facetada dependendo do momento histórico ou artístico que a explorou. Já o riso, surpreendentemente, ganhou pequena atenção no contexto da crítica de arte, algo que vem mudando na contemporaneidade com o surgimento de importantes publicações sobre o tema, e com o resgate de alguns textos clássicos sobre o assunto, como os dos supracitados Bergson e Freud.

Por tudo isso, é com muito entusiasmo que trazemos a público a exposição O Riso e a Melancolia, uma empreitada inédita para ambos, e à qual dedicamos bastante tempo e trabalho. Não apenas somos curadores de primeira viagem, como também não temos a pretensão de exaurir a temática, mas decidimos ir adiante com essa tarefa por estarmos confiantes de que nossas escolhas - as quais incluem alguns artistas nunca antes apresentados no Brasil - serão um deleite para o público das Galerias Lunara e Iberê Camargo, bem como da Sala P. F. Gastal.
A quem soar exagerada tal afirmação, convidamos a comprová-la assistindo aos vídeos dos latino-americanos Yoshua Okon e Martín Sastre, bem como do importantíssimo artista norte-americano Paul McCarthy. Este último terá a Galeria Lunara dedicada exclusivamente à apresentação de seu vídeo Painter, o qual faz uso de certa linguagem televisiva para debochar do mundo artístico e das razões que podem levar o artista a permanecer criando. Esses três trabalhos mostram como o riso pode ser útil na construção de uma crítica social e política, ao tempo em que a reflexão por eles provocada está embebida numa inegável melancolia.


Teremos a grande honra de exibir a emblemática fotografia Saut Dans le Vide, do francês Yves Klein, sem dúvida uma das obras de arte mais importantes do século XX: um ato suicida, representado com visível deleite na expressão do artista, de braços abertos em seu salto para o vazio. Vazio também abordado por Kátia Prates de maneira sublime em sua apresentação de um céu de azul intenso, cuja extraordinária beleza beira o absurdo.
Apresentaremos ainda os comentários fotográficos do paulista Guto Lacaz, os quais revelam o saudosismo inerente à atual passagem da tecnologia analógica para a digital, porém de maneira bem-humorada.


Impossibilitados de trazer a Porto Alegre uma obra do norte-americano Jeff Koons – nome definitivo para a discussão do humor na arte contemporânea –, decidimos exibir um documentário sobre sua trajetória artística. Seus trabalhos visualmente deslumbrantes remetem à melancolia da infância perdida e ao fascínio pelo estrelato não desprovido de ironia. Esse filme será exibido ao lado de uma performance de Terence Koh, cujas relações com o mercado de arte não deixam também de ser bem humoradas, quer seja pelas cifras astronômicas alcançadas por suas desconfortáveis obras, quer pela apresentação desavergonhada do sexo e de sua intensa vida privada.

Outro destaque dentro da mostra é o norte-americano William Wegman, que embora seja um nome capital quando se trata do humor na arte contemporânea, permanece pouco conhecido no país; seus vídeos de cães Weimaraners antropomorfizados retêm a tristeza do olhar canino, causando no espectador um sorriso melancólico.
Ausente dessa mostra, o humor da arte britânica nos anos 1990 deu a tônica ao debate acerca da produção artística contemporânea, a exemplo do que já havia sido feito pelo Dadaísmo no início do século XX. A ironia, quintessência da cultura inglesa, marcou aquela década que antecede o ataque terrorista às Torres Gêmeas, aqui representado em tons saturados pelo célebre fotógrafo da agência Magnum, Thomas Hoepker, que revestiu a tragédia de 11 de setembro de 2001 com matizes daquela fina ironia.


Se ao final do século XX o humor pareceu ser a chave para um mundo carente das perspectivas históricas modernistas, o início do século XXI, após o inevitável confronto com a orquestrada tragédia de dimensões épicas em Nova Iorque, recuperou ambos os registros como complementares e essenciais à percepção dos fenômenos contemporâneos.

Bernardo José de Souza e Mariana Xavier
Curadores


Bernardo José de Souza é Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e professor da ESPM e FEEVALE. Especialista em fotografia e moda pelo London College of Fashion , foi colaborador das revistas Vogue, i-D e do jornal Folha de São Paulo.


Mariana Xavier é artista visual, formada em jornalismo pela UFRGS, é mestranda em Poéticas Visuais no curso de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS.

COQUETEL DE ABERTURA DA EXPOSIÇÃO DIA 26 DE JUNHO, ÀS 19H30MIN, NA GALERIA IBERÊ CAMARGO DA USINA DO GASÔMETRO

OS FILMES

De 23 de junho a 5 de julho de 2009 - Sala P. F. Gastal - Usina do Gasômetro

MOSTRA DE FILMES
Ao longo da história do cinema, não foram poucos os diretores a combinar humor e drama em seus filmes. Alguns deles, como o italiano Federico Fellini e o americano Woody Allen, justamente se tornaram célebres pela habilidade com que fazem seus personagens transitarem entre estes estados de alma contraditórios, originando diversas obras-primas. A presente mostra reúne uma série de filmes – incluindo um título de cada um dos diretores citados acima – que se diferenciam por oscilar entre o riso e a melancolia. Das experiências de Buster Keaton, o cômico que nunca ria, ao humor amargo e contemporâneo do francês Michel Gondry, passando por diretores de carreira sólida como Pedro Almodóvar e Lina Wertmüller, o público poderá conhecer ao longo de duas semanas de programação uma seleção filmes que aposta na sua inteligência e na sua capacidade de experimentar diferentes emoções. Inclusive, oferecendo-lhe a insólita possibilidade de acompanhar a extenuante maratona cinematográfica proposta pelo diretor filipino Lav Diaz em Melancolia, monumental filme com oito horas de duração, que tem mobilizado a atenção dos freqüentadores dos grandes festivais internacionais.

Filmes Programados

Os Palhaços (I Clowns), de Federico Fellini (Itália/França/Alemanha, 1970, 92 minutos) Documentário sobre o universo dos palhaços, um dos filmes menos conhecidos de Federico Fellini. Exibição em 35mm.







A Ciência do Sono (La Science des Rêves), de Michel Gondry (França/Itália, 2006, 106 minutos).
Jovem mexicano (Gael García Bernal) apaixona-
se por francesa (Charlotte Gainsbourg) em Paris, mergulhando num universo delirante. Exibição em DVD, com legendas em espanhol.



Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!! (Qué He Hecho Yo Para Merecer Esto?!!), de Pedro Almodóvar (Espanha, 1984, 101 minutos) O cotidiano ao mesmo tempo trágico e engraçado de uma dona de casa (Carmen Maura) que vive na periferia de Madri. Exibição em 35mm.




Melancolia (Melancholia), de Lav Diaz (Filipinas, 2008, 480 minutos) Monumental drama filipino, com oito horas de duração, que tem colhido elogios no circuito de festivais internacionais. Três personagens, Alberta, Julian e Rina, tentam encontrar respostas para a falta de sentido do mundo. Duas únicas exibições, em DVD, com legendas eletrônicas em português.



Marinheiro de Encomenda (Steamboat Bill, Jr.), de Charles Reisner e Buster Keaton (EUA, 1928, 71 minutos) Uma das obras-primas de Buster Keaton, o grande cômico americano que jamais ria. Exibição em DVD.










Film, de Samuel Beckett e Alan Schneider (EUA, 1965, 20 minutos) A única experiência de Samuel Beckett no cinema, com Buster Keaton. Exibição em DVD.






A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr. (Brasil, 1978, 102 minutos) Em um dia de carnaval, mulher envolve-se com um homem rico e ciumento, vivendo diferentes peripécias. Um clássico do cinema brasileiro, triste e alegre como uma terça-feira de carnaval, o filme traz a última atuação de Anecy Rocha no cinema. Exibição em DVD.



Pasqualino Sete Belezas (Pasqualino Settebellezze), de Lina Wertmüller (Itália, 1975, 115 minutos). Comédia de humor negro que marcou época, sobre homem que tenta sobreviver em campo de concentração. Exibição em DVD.




Poucas e Boas (Sweet and Lowdown), de Woody Allen (EUA, 1999, 95 minutos) Comédia agridoce que acompanha as aventuras de um músico de jazz nos Estados Unidos durante a década de 30. Exibição em 35mm.







The Jeff Koons Show
, de Alison Chernick (EUA, 2004, 49 minutos)
Documentário sobre o irreverente artista americano Jeff Koons. Exibição em DVD.









The Pearl is the Sun, de Terence Koh. (Alemanha, 2007, 20 minutos) Registro de performance que se inspira nas palestras de antropólogos de fins do século XIX para desenvolver um discurso em idioma ininteligível (uma mistura de alemão, chinês e inglês), que joga com os códigos culturais de diversos sub-grupos étnicos para abordar questões relativas ao gênero, à raça e ao desejo através de imagens. Exibição em DVD.

A Espera, de Fernanda Teixeira (Brasil, 2007, 15 minutos) O cotidiano de um homem solitário, que espera a morte tendo apenas o seu cão como companhia. Curta-metragem que participou da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2008. Exibição em 35mm.
Filme selecionado no Concurso Curta nas Telas - confira detalhes


GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 23 a 28 de junho de 2009


Terça-feira (23 de junho)

15h – Film + Marinheiro de Encomenda (acompanha o curta A Espera)
17h – A Lira do Delírio
(acompanha o curta A Espera) - entrada franca
19h – A Espera + The Jeff Koons Show + The Pearl is the Sun


Quarta-feira (24 de junho)

15h – Os Palhaços
(acompanha o curta A Espera)
17h – Pasqualino Sete Belezas
(acompanha o curta A Espera)
19h – Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!!
(acompanha o curta A Espera)

Quinta-feira (25 de junho)


15h – A Lira do Delírio
(acompanha o curta A Espera) - entrada franca
17h – Poucas e Boas
(acompanha o curta A Espera)
19h – A Ciência do Sono
(acompanha o curta A Espera)

Sexta-feira (26 de junho)

15h – Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!!
(acompanha o curta A Espera)
17h – Os Palhaços
(acompanha o curta A Espera)
19h – Poucas e Boas (acompanha o curta A Espera)

Sábado (27 de junho)


15h – Pasqualino Sete Belezas
(acompanha o curta A Espera)
17h – Melancolia – 1ª parte (4 horas, com intervalo de 30 minutos) (1)


Domingo (28 de junho)

15h – A Espera + The Jeff Koons Show + The Pearl is the Sun

17h – Melancolia –2ª parte (4 horas, com intervalo de 30 minutos)


GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 30 de junho a 5 de julho de 2009

Terça-feira (30 de junho)


15h – A Lira do Delírio
(acompanha o curta A Espera) - entrada franca
17h – Os Palhaços
(acompanha o curta A Espera)
19h – A Ciência do Sono (acompanha o curta A Espera)

Quarta-feira (1º de julho)


15h – Film + Marinheiro de Encomenda
(acompanha o curta A Espera)
17h – Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!!
(acompanha o curta A Espera)
19h – Os Palhaços
(acompanha o curta A Espera)
Quinta-feira (2 de julho)


15h – A Ciência do Sono
(acompanha o curta A Espera)
17h – Poucas e Boas (acompanha o curta A Espera)
19h – A Espera + The Jeff Koons Show + The Pearl is the Sun

Sexta-feira (3 de julho)


15h – Pasqualino Sete Belezas
(acompanha o curta A Espera)
17h – Film + Marinheiro de Encomenda (acompanha o curta A Espera)
19h – Que Fiz Eu Para Merecer Isto?!!
(acompanha o curta A Espera)

Sábado (4 de julho)

15h – Os Palhaços
(acompanha o curta A Espera)
17h – Poucas e Boas (acompanha o curta A Espera)
19h – A Espera + The Jeff Koons Show + The Pearl is the Sun

Domingo (5 de julho)


14h – Melancolia (exibição integral)

Colateral Filmes lança curtas em comemoração aos seus dois anos de existência

Dia 20 de junho, às 17 horas, na Sala P. F. Gastal, ocorrerá coquetel de lançamento dos curtas Napo: Acha que sou masoquista?, Longe de casa e Longe de casa, sendo o primeiro dos eventos programados pela Colateral Filmes em comemoração aos seus dois anos de existência.


Napo: Acha que sou masoquista?
, direção Felipe Valer (2008, 25 min) - A sociedade analisa o jovem como apenas um mero coadjuv
ante diante de um universo que lhe parece incompreensível. Napo é um caso a parte pelo fato de possuir características que o fazem pensar diferente dos demais mesmo entre seus amigos mais próximos





O curinga
, direção
Irmãos Christofoli (2009, 17 min) - Dentro de um apartamento aparentemente vazio, um homem retira cartas de um baralho, a cada carta um teoria diferente sobre o caos do mundo, mas as cartas estão acabando e seu tempo também.




Longe de casa, direção Alexandre Guterres (2009, 13 min) - Em uma cidade do interior, guria mora com a mãe e o padrasto, enquanto tenta enviar cartas ao irmão mais velho que fugiu de casa, na esperança dele voltar para buscá-la. Os conflitos dessa decisão a colocam em um dilema, onde uma decisão vai ter que ser tomada.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Clássico de Russ Meyer no raros


O projeto Raros da Sala P. F. Gastal tem sessão especial na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, às 19h, quando apresenta o clássico underground Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), de Russ Meyer. Filme mais popular de Meyer, o papa do gênero sexplotation, Faster, Pussycat! Kill! Kill! descreve as aventuras de três sedutoras e furiosas gogo girls que andam pelo deserto americano com seus carros velozes, causando a discórdia por onde passam. Um sucesso de bilheteria nos drive ins americanos nos anos 60, o filme é idolatrado por diretores como John Waters (“É o melhor filme já feito”, disse Waters) e Quentin Tarantino, que o homenageou em Death Proof (ainda inédito no Brasil) e pretende refilmá-lo, segundo informações do IMDB.

A sessão de Faster, Pussycat! Kill! Kill! no Raros está incluída na mostra Microfonia, que acontece até domingo na Sala P. F. Gastal. O filme será comentado pelo jornalista Thomaz Albornoz. A entrada é franca.

Em seguida, às 21h, a Sala P. F. Gastal sedia a sessão de lançamento do VI Fantaspoa, com a exibição de Pig Hunt, de James Isaac, produção inédita de 2008, premiada no Fant-Asia Film Festival. Um autêntico Grindhouse para a noite gelada de sexta-feira.

Faster, Pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer (EUA, 1965, 83 minutos, legendas em português)

Abaixo, texto de Rodrigo Carreiro sobre Faster, Pussycat! Kill! Kill!,

O grande mistério do mais famoso dos filmes cults dirigidos por Russ Meyer está no título. A frase Faster, Pussycat! Kill! Kill! (EUA, 1965) não é dita por nenhum personagem durante os curtos 83 minutos de projeção. Meyer só esclareceu esse mistério muitos anos depois do lançamento original, dizendo que havia batizado a obra sem prestar muita atenção ao enredo. Seu objetivo punha um olho gordo no aspecto comercial da produção. Meyer queria inserir, em uma única expressão, os três elementos com mais potencial para chamar a atenção da platéia masculina: velocidade (“Faster”), sexo (“Pussycat”) e morte (“Kill”). Simples assim. O fato é que o cineasta teve êxito na tarefa, já que o título é parte essencial da aura cult que o filme angariou, principalmente junto à macharia, nos anos seguintes ao lançamento.

Curiosamente, porém, o sucesso não foi instantâneo, em parte devido à enxurrada de produtos audiovisuais que frequentavam o mercado das telonas e carregavam a assinatura de Russ Meyer. Faster, Pussycat! Kill! Kill! foi a terceira obra dirigida por ele lançada nos Estados Unidos, apenas no ano de 1965. Nos 24 meses anteriores, o diretor já havia desovado outros cinco filmes. Todos eram muito parecidos, com enredos que eram meras desculpas para encher as telas com imagens típicas da iconografia do período: mulheres peitudas de camiseta branca, botas e couro negro, violência com humor e todo tipo de exagero kitsch à moda norte-americana. Era como se a famosa gangue de motoqueiros Hell’s Angels, que barbarizavam a Califórnia (EUA) naquela época, filmasse alguns momentos de um dia típico na vida de um integrante do grupo e editasse o material com a cuca cheia de ácido lisérgico.

A história não faz nenhum sentido. Três dançarinas de strip-tease (Tura Satana, Haji e Lori Williams) testam a velocidade de seu bólido no deserto californiano e se envolvem em uma confusão com um rapaz e sua namorada (Susan Bernard). Após uma corrida de carros, elas matam o rapaz e prendem a garota na mala do automóvel, para que ela não conte a ninguém sobre o crime. Durante a fuga, as moças param num posto de gasolina e interagem com um velhote paralítico (Stuart Lancaster) e com seu filho bonitão, parrudo e imbecil (Dennis Busch). Acabam descobrindo que eles guardam uma fortuna em algum lugar do casarão caindo aos pedaços onde vivem, e decidem dar um golpe nos dois, tentando descobrir onde está a grana para roubá-la.

Faster, Pussycat! Kill! Kill! é um daqueles longas-metragens que encaixam à perfeição na definição de filme cult contemporâneo: é tão ruim que acaba virando uma experiência interessante de assistir. As interpretações são bisonhas, com as garotas esbanjando caras, bocas, peitos e golpes de caratê (!). Os diálogos, recheados de expressões de duplo sentido e risadinhas maliciosas, às vezes não fazem nenhum sentido, mas divertem. A produção barata fica evidente quando se assiste às cenas com atenção. Observe as cenas de corrida de carro, por exemplo. Russ Meyer abusa de planos fechados nos motoristas, com câmera baixa, e o espectador logo percebe que os atores estão parados enquanto a produção balançava os automóveis com eles dentro, porque a paisagem nunca se move por trás deles. A continuidade também é absolutamente inexistente – muitas vezes a iluminação varia dentro de uma mesma cena, com tomadas escuras se alternando com outras claras.

Por outro lado, o longa-metragem aposta na transgressão social e guarda um charme selvagem e um saudável ar de desafio à censura, que comia solta no cinema da época. Há energia real, vibração sexual intensa, e o filme captura com bastante precisão o tipo de vida da subcultura jovem que tomava conta dos Estados Unidos na época das filmagens – era a época hippie, em que imperavam o amor livre, as motocicletas, os bares de strip-tease e as viagens de carona pelas estradas poeirentas do oeste. Além disso, as locações e o sistema de punição simbólica aplicado aos personagens foram extremamente influentes para o subgênero slasher de filmes como O Massacre da Serra Elétrica (1974) e a série Sexta-Feira 13. Não é à toa que a obra de Russ Meyer tem tantos admiradores famosos na cultura pop contemporânea, a exemplo de Quentin Tarantino.

O longa nunca saiu no Brasil em DVD. Nos EUA é possível achá-lo em versão simples, sem extras, com enquadramento original preservado (1.33:1) e áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0).

Rodrigo Carreiro




Sala P. F. Gastal realiza mostra com filmes e documentários de rock

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro recebe a partir de terça-feira, dia 16 de junho, a mostra Microfonia, reunindo uma série de filmes e documentários de rock. A principal atração da mostra é o lançamento local do longa brasileiro Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão, de Fernando Rick e Marcelo Appezzato, no sábado, dia 20, com a presença do diretor Fernando Rick.

Na programação, além de uma série de documentários independentes sobre a cena rock no Brasil e no exterior, alguns títulos marcantes da contracultura na década de 60, como Faster, Pussycat, Kill! Kill!, de Russ Meyer, e Psych-Out, de Richard Rush (com um jovem Jack Nicholson no elenco).

A mostra Microfonia estende-se até domingo, 21 de junho, em três sessões diárias, às 15h, 17h e 19h.

Abaixo, a programação completa, com informações sobre cada um dos filmes programados.


Programação


Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão, de Fernando Rick e Marcelo Appezzato (Brasil, 2008, 121 minutos)

Registro oficial, e sem censura, de quase três décadas do Ratos de Porão, uma bandas mais antigas e importantes da cena hardcore mundial. O filme também é um importante registro audiovisual do início do movimento punk no Brasil,com muitas cenas raras e inéditas.







Psych-Out, de Richard Rush (EUA, 1968, 101 minutos)

Um dos vários drug movies produzidos nos anos 60, ao lado de outros como The Trip e Hallucination Generation, explorando o recém chegado movimento hippie diretamente das ruas de Haight-Ashbury na São Franscisco da segunda metade dos anos 60. Trilha sonora dos The Seeds e Strawberry Alarm Clock.





Wild Zero, de Tetsuro Takeuchi (Japão, 2002, 98 minutos)

Imagine uma mistura de Rock’n’Roll High School, Plan 9 from Outer Space e Night of the Living Dead, filmado no Japão com os membros da banda Guitar Wolf! Uma viagem cinematográfica que mistura alienígenas e zumbis, cerveja e rock nipônico, nesta aventura bem humorada.



Curupira: Onde o Pai Cura e o Filho Pira, de Kaly, Ramiro e Deborah (Bras

il, 2007, 40 minutos)

O documentário conta a história do lendário Curupira Rock Club. Localizado em Guaramirim, interior de Santa Catarina, o Curupira é um dos bares independentes mais antigos do Brasil em atividade. Fundado em 1992, pelo lendário Ivair, o local reuniu ao longo de sua história as principais bandas independentes do Brasil.



Eu Sou um Pequeno Panda, de Gurcius Gewdner (Brasil, 2008, 10 minutos) Aprenda a lutar contra o preconceito e vencer na vida através do Industrial Noise nesta tocante fábula familiar, recheada de amor não correspondido, solidão e intolerância. Estrelando Mulamba, Mini Mulamba, Lurdes Etezilda Etezinho, Isis Elefantisis Felitisis, Zimmmer, Suzuki Bata e Cinzinha Cinzão, que fugiu de casa logo após as gravações, com overdose de remédios, jurando voltar um dia e matar o diretor e a roteirista devido as enormes pressões psicológicas de seu personagem reacionário fascista.



Hated: GG Allin and The Murder Junkies, de Todd Philips (EUA, 19

93, 60 minutos)

Um pouco da vida e obra de GG Allin. Entrevistas com ex-colegas de escola, professores, amigos e inimigos intercaladas com cenas de shows e a absurda aparição no programa de auditório Geraldo. Um registro essencial de um lado da música e da vida que muitos querem esquecer.





The Ruttles: All You Need is Cash, de Eric Idle e Gary Weis (Inglaterra, 1978, 76 minuos)

Falso documentário fazendo sátira aos Beatles, realizado por quem realmente entende de sátira: Eric Idle, ex-integrante do seminal grupo inglês Monty Phyton. O filme contou com aprovação

de George Harrison, que já havia sido produtor executivo do Phyton em A Vida de Brian

, além de grande fã do grupo. Destaque para as paródias de clássicos dos fab-four como "Get Up and Go" (Get Back) e "Yellow Submarine Sandwich" (Yellow Submarine).


Vivendo de Rock no Espírito Santo, de Mila Néri (Brasil, 2007, 20 minutos)

Depoimentos dos personagens mais atuantes da cena musical underground no estado do Espírito Santo, a partir do questionamento: "É possível viver de rock no Espírito Santo?”.

Psycho Carnival - Insane History, de Cleiner Micceno (Brasil, 2007, 98 minutos)
Documentário que retrata porque Curitiba é a Meca do psychobilly nacional, mostrando desde bandas dos primórdios como Missionários e Cervejas até chegar aos dias de hoje, com a cena
atual.

Faster,Pussycat, Kill! Kill!, de Russ Meyer (EUA, 1965, 83 minutos)
Filme mais popular de Russ Meyer, o papa do gênero sexplotation, um sucesso de bilheteria nos drive ins americanos nos anos 60.Três sedutoras e furiosas gogo girls andam pelo deserto americano com seus carros velozes causando a discórdia por onde passam.

Einsturzende Neubauten-1/2 Mensch, de Sogo Ishii (Alemanha, 1986, 48 minutos)
Uma das bandas pioneiras do chamado som industrial toca em seu cenário perfeito: uma fábrica abandonada.
O experimentalismo e minimalismo musical da banda somado às imagens do diretor fazem deste documentário uma obra primitiva e ainda atual.

Repolho - Música sem Parar, de Silvia Biehl, (Brasil, 2004, 26 minutos)
Partindo de depoimentos de membros da banda Repolho, produtores, parceiros, críticos musicais e de pessoas que escutam a banda pela primeira vez, esse documentário tenta apresentar e manter
o imaginário constituído em torno do grupo em seus vários anos de estrada.

Sons de uma Noite de Verão: A Retomada do Ska no Brasil, de Daniel Pereira e Felipe Machado (Brasil, 2007, 70 minutos)

Documentário que compila os melhores momentos, entrevistas e depoimentos do projeto Sons de Uma Noite de Verão, promovido pelo SESC Pompéia e Radiola Records em janeiro/2006. Participam grupos como Slackers, Desorden Público, Chris Murray, Victor Rice, Firebug, Kongo, Djangos, Móveis Coloniais de Acaju e Trenchtown Rockers.


The Decline of Western Civilization: Juventude Decadente, de Penelope Spheeris (EUA, 1981, 100 minutos)
Documentário da cineasta Penelope Spheeris sobre o surgimento do punk rock na costa oeste americana. Diferente do que acontecia na costa leste, mais especificamente em Nova York, o punk californiano era mais agressivo e rápido, dando origem ao hardcore. O filme conta com apresentações de bandas pioneiras no estilo como X, Black Flag, Circle Jerks, Fear, Catholic Dicipline, Germs e
Alice Bag Band.

Montevideo Unde, de Martín Recto (Uruguai, 2008, 50 minutos)
A recente cena uruguaia de música independente é retratada neste documentário, que conta com as bandas Dante Infierno, Motosierra, Hablan Por La Espalda, Santa Cruz e La Hermana Menor. Uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a cena rock latino-americana.

O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido, de Werden Tavares (Brasil, 2008, 27 minutos)
Vídeo-documentário que traz um recorte do cenário rock de Sergipe. É uma rápida leitura do movimento cultural local a partir dos anos 80 até meados de 2004.

13 Goiania Noise, de Sérgio Valério (Brasil, 2008, 23 minutos)
Cria da gravadora Monstro Discos, a última edição do maior festival de rock independente nacional é retratada neste documentário, com depoimento de bandas participantes e dos produtores.

GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 16 a 21 de junho de 2009

Terça-feira (16 de junho)

15h – O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido + Montevideo Unde
17h – Psycho Carnival – Insane History
19h – Psych-Out

Quarta-feira (17 de junho)

15h – Wild Zero
17h – Curupira: Onde o Pai Cura e o Filho Pira + 1/2 Mensch
19h – Eu Sou Um Pequeno Panda + Hated:GG Allin and The Murder Junkies

Quinta feira (18 de junho)

15h – Psycho Carnival- Insane History
17h – Vivendo de Rock no Espirito Santo + The Ruttles: All you need is cash
19h – Sons de uma noite de verão: a retomada do ska no brasil + 13°Goiânia Noise.

Sexta feira (19 de junho)

15h – Repolho - Música sem Parar + 13°Goiânia Noise.
17h – Psych-Out
19h – Projeto Raros Especial (Faster, Pussycat! Kill! Kill!)
21h – Lançamento Fantaspoa (Pig Hunt)

Sábado (20 de junho)

15h – Eu Sou Um Pequeno Panda + Hated:GG Allin and The Murder Junkies

17h – Lançamento curtas da Colateral Flmes

19h – Pré-estreia de Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão, com a presença do diretor Fernando Rick

Domingo (21 de junho)

15h – Montevideo Unde + Curupira: Onde o Pai cura e o filho pira

17h – Guidable:A Verdadeira História do Ratos de Porão

19h – The Decline of Western Civilization:Juventude Decadente

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Marlene Dietrich dirigida por Stenberg

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro exibe a partir de terça-feira, dia 9 de junho, uma pequena mostra reunindo seis dos sete filmes que o cineasta austríaco Josef von Sternberg realizou na década de 30 com a atriz Marlene Dietrich, O Anjo Azul, Marrocos, O Expresso de Shangai, A Vênus Loira, A Imperatriz Galante e Mulher Satânica.

Sternberg foi o principal responsável pela criação do mito de Marlene, explorando sua beleza através de recursos de iluminação e da utilização de figurinos suntuosos, que logo a transformariam na atriz mais famosa de seu tempo, ao lado da sueca Greta Garbo. Admirado pela crítica francesa pelo caráter barroco de seu cinema, Sternberg foi um dos tantos diretores europeus massacrados pela máquina hollywoodiana. Embora tenha morrido no ostracismo, em 1969, sua reputação como autor tem crescido cada vez mais, especialmente pela série de filmes em que dirigiu sua musa Dietrich. Os filmes da mostra Dietrich/Sternberg serão mostrados em DVD, em três sessões diárias (15h, 17h e 19h), até domingo, dia 14 de junho.

PROGRAMAÇÃO


O
Anjo Azul (Der Blaue Engel), de Josef von Sternberg (Alemanha, 1930, 107 minutos).

A paixão doentia de um professor por uma dançarina irá levá-lo à destruição. Filme que consagrou Dietrich, valendo-lhe o convite para trabalhar em Hollywood.






Marrocos (Morocco), de Josef von Sternberg (EUA, 1930, 92 minutos)

Cantora de cabaré se envolve com soldado da Legião Estrangeira. O primeiro filme americano de Dietrich, foi um grande sucesso de público. Entre as cenas mais famosas, está aquela em que Marlene, trajando um smoking, beija uma mulher na boca.




O Expresso de Shangai (The Shanghai Express), de Josef von Sternberg (EUA, 1932, 80 minutos)

Os passageiros de um trem envolvem-se numa trama de espionagem.






A Vênus Loira
(Blonde Venus), de Josef von Sternberg (EUA, 1932, 93 minutos)

Para pagar o tratamento de saúde de seu marido, mulher se prostitui.









A Imperatriz Galante
(The Scarlet Empress), de Josef von Sternberg (EUA, 1934, 104 minutos)
Fantasiosa e extravagante cinebiografia de Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia.



Mulher Satânica (The Devil is a Woman), de Josef von Sternberg (EUA, 1935, 80 minutos).

Na Espanha, um homem relembra a paixão devastadora por uma mulher que arruinou sua vida. Adaptação do romance de Pierre Louÿs, que nos anos 70 ganharia uma nova versão dirigida por Luís Buñuel, Esse Obscuro Objeto do Desejo.



GRADE DE HORÁRIOS
Semana de
9 a 14 de junho de 2009

Terça-feira (9 de junho)

15h – Marrocos
17h – Mulher Satânica
19h – O Anjo Azul

Quarta-feira (10 de junho)

15h – A Imperatriz Galante
17h – O Expresso de Shangai
19h – A Vênus Loira

Quinta-feira (11 de junho)

15h – O Anjo Azul
17h – Marrocos
19h – Mulher Satânica

Sexta-feira (12 de junho)

15h – A Vênus Loira
17h – A Imperatriz Galante
19h – O Expresso de Shangai

Sábado (13 de junho)

15h – O Anjo Azul
17h – Marrocos
19h – Mulher Satânica

Domingo (14 de junho)

15h – A Imperatriz Galante
17h – O Expresso de Shangai
19h – A Vênus Loira

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

José Eduardo Belmonte e Cauã Reymond na Sala P. F. Gastal

A programação comemorativa dos 10 anos da Sala P. F. Gastal tem continuidade nesta semana com a pré-estréia dos dois últimos longas-metragens do diretor José Eduardo Belmonte, Se Nada Mais Der Certo (na quinta-feira, dia 4, às 19h) e Meu Mundo em Perigo (na sexta-feira, dia 5, também às 19h). O diretor estará acompanhando as sessões, ao lado do ator Cauã Reymond, protagonista de Se Nada Mais Der Certo.


Elenco de Se Nada Mais der Certo
na entrega de Premiação no Festival do Rio





José Eduardo Belmonte nasceu em 1970, em São Paulo. Aos quatro anos de idade, mudou-se para Brasília, onde formou-se em cinema pela UNB. Depois de assinar uma série de curtas premiados, estreou no formato longa em 2003, com Subterrâneos. Hoje radicado em São Paulo, Belmonte já acumula quatro longas no currículo. Além de A Concepção (2005), um dos títulos mais marcantes do cinema brasileiro recente, tem prontos Meu Mundo em Perigo (2007) e Se Nada Mais Der Certo (2008), ainda inéditos nos cinemas.

Programação

Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte (Brasil, 2008, 120 minutos).

Com Cauã Reymond, João Miguel, Caroline Abras, Juliano Cazarré, Leandra Leal, Murilo Grossi e Tainá Muller.

Jornalista endividado (Cauã Reymond) envolve-se no submundo do crime, para ajudar uma dependente de drogas (Luiza Mariani) e seu filho. Belmonte usa as eleições presidenciais de 2006 como pano de fundo para este thriller urbano que, através de um apaixonante grupo de personagens, revela um retrato tocante da falta de perspectivas da juventude brasileira. Prêmio de melhor filme no Festival do Rio e no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.


Única sessão no dia 4 de junho. Às 19h (coquetel), exibição do filme (às 20h) e debate com o diretor José Eduardo Belmonte e o ator Cauã Reymond. Entrada franca.




Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte (Brasil, 2007, 92 minutos)

Elogiado drama familiar, exibido com sucesso no Festival de Brasília em 2007, ainda inédito nos cinemas. O filme narra as aventuras de Elias, que batalha desesperadamente pela guarda do filho contra a ex-mulher. Com Eucir de Souza, Rosanne Mulholland, Milhem Cortaz e Wolney de Assis.



Única sessão no dia 5 de junho, às 19 horas, seguida de debate com o diretor José Eduardo Belmonte. Entrada franca.



Agradecemos o apoio da Rede Plaza de Hotéis por receberem os convidados do evento.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Ontem a noite contamos com a presença de Antônio Campos

Ontem à noite o Diretor Antonio Campos esteve presente no coquetel de lançamento do filme Afterschool. Com sala lotada, Antonio falou sobre seu filme, que teve ótima receptividade.
Sua vinda dá continuidade às comemorações dos 10 anos da Sala P. F. Gastal.

Sala P. F. Gastal exibe o premiado Entre os Muros da Escola

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) coloca em cartaz a partir de terça-feira, dia 26 de maio, o premiado filme francês Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2008, o filme de Cantet é uma profunda reflexão sobre os impasses da educação no mundo contemporâneo, a partir da observação do dia-a-dia de uma escola pública localizada na periferia de Paris. Entre os Muros da Escola é inspirado num livro de grande sucesso na França, relato autobiográfico sobre as dificuldades do professor François Bégaudeau com um grupo de alunos formado por filhos de imigrantes de diferentes etnias. Na adaptação para o cinema, Bégaudeau interpreta o seu próprio papel, o que dá ao filme uma impressionante veracidade.

Grupos de professores e alunos podem agendar sessões fechadas de Entre os Muros da Escola, inclusive pelo horário da manhã. O preço do ingresso para grupos é de R$ 2,00.

GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 26 a 31 de maio de 2009

Terça-feira (26 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Quarta-feira (27 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Quinta-feira (28 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h – Coquetel de pré-estreia do filme Afterschool, de Antônio Campos, com a presença do diretor (entrada franca)

Sexta-feira (29 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Sábado (30 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h15 – Afterschool

Domingo (31 de maio)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h15 – Hunger

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 2 a 7 de junho de 2009

Terça-feira (2 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Quarta-feira (3 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Quinta-feira (4 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h – Coquetel de pré-estreia do filme Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte, com a presença do diretor e do ator Cauã Reymond

Sexta-feira (5 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h15 – Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte, seguido de debate com o diretor

Sábado (6 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Domingo (7 de junho)

14h30 – Entre os Muros da Escola
17h – Entre os Muros da Escola
19h30 – Entre os Muros da Escola

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Antonio Campos debate hoje a noite seu filme Afterschool

Antonio Campos veio especialmente de Nova York para acompanhar as exibições de Afterschool na Sala P F Gastal.

Hoje a noite haverá coquetel às 19h, seguido da exibição do filme e debate com o diretor.

Antônio Campos
Natural de Nova York, dirigiu mais de 20 curtas-metragens e documentários. Formado em cinema pela Universidade de Nova York. depois de estrear o curta Buy it Now no Festival de Cannes, o jovem diretor, filho de pais brasileiros, participou da Residência de Cannes, onde escreveu o roteiro de Afterschool. O filme, sem previsão de lançamento no Brasil, participou da competição oficial do Festival de Cannes de 2008, onde foi recebido com entusiasmo pela crítica especializada.Afterschool , de Antônio Campos (EUA, 2008)

Afterschool - Em seu longa de estreia, Antônio Campos acompanha um grupo de estudantes de uma escola de elite traumatizado pela trágica morte de duas colegas de classe. Depois de estrear seu curta Buy it Now no Festival de Cannes, o jovem diretor nova-iorquino participou da Residência de Cannes, onde escreveu o roteiro de Afterschool. Campos oferece um olhar original sobre um universo muito presente no cinema americano, em um filme duro, que dialoga com a obra de Gus van Sant e Larry Clark.

Sessões nos dias 28 e 30 de maio, às 19h (exibição em 35mm, com legendas eletrônicas em português).

Confira texto de Milton do Prado em seu blog

10 anos de Sala P. F. Gastal (conheça o blog de Milton do Prado)

Maio 25, 2009 · No Comments

Amanhã a única sala de cinema da prefeitura de Porto Alegre, localizada na Usina do Gasômetro, completa 10 anos de atividade. Para além da comemoração óbvia de se chegar a este aniversário com todas as dificuldades orçamentárias possíveis, o que deve ser comemorado – e daí avaliado – é o fundamental papel que a sala desempenha no cenário da cidade.

Há 10 anos atrás, não existia o Cine Santander, nem o Cine Bancários, mas no centro da cidade as três salas da Casa de Cultura Mario Quintana eram a melhor opção da cidade, junto ao Cine Guion na Cidade Baixa, na criação de uma programação “alternativa”; ou seja, na falta de um nome melhor, de uma programação que não fosse ditada por lançamento das majors. Algumas outras opções tinham morrido a pouco ou estavam morrendo, apesar de se destacar pelo seu interesse: quem é de Porto Alegre deve se lembrar que o Cine ABC e o Cine Avenida, ambos na Venâncio Aires, apresentavam nos últimos meses de existência muitas vezes uma programação surpreendente, mas que não foi suficiente para manter a enorme sala única de cada um deles minimamente cheia.

Hoje a situação mudou, de uma maneira um tanto quanto esquisita: embora com as duas novas salas citadas no início do parágrafo anterior, o centro viu as salas da Casa de Cultura Mário Quintana definharem sua programação, graças a um dos casos mais explícitos de descaso público com a cultura dessa cidade – pelo local estratégico, essas salas eram referência e o maior ponto de encontro cinéfilo da década passada. O Guion, que reinava na programação para um público, digamos, mais “chique”, viu parte dele fugir para o Unibanco Arteplex, que fica no cu-do-judas, longe do centro, dentro de um shopping center, com todo o gasto adicional que isso implica e sem um charme da boemia da Cidade Baixa (boemia essa que, decadente principalmente nos finais-de-semana, também ajudou a expulsar parte do público do Guion).

De modo que o que vemos hoje é uma situação não necessariamente melhor que a de 10 anos atrás. A programação de distribuidoras como Imovision, Pandora e outras que procuram filmes europeus, asiáticos e independentes americanos hoje é majoritariamente direcionada para as 8 (ou 9?) salas do Arteplex. O Guion luta bravamente para garantir algumas opções, enquanto que os outros cinemas viraram “de repertório” meio à força, vivendo de reprises e programas especiais (coisa que o Santander e o Cine Bancários fazem com muito mais criatividade que as salas da CCMQ, diga-se).

E a P.F. Gastal, como se mantém nesse panorama? Sem querer criar um clima de “coitadinha”, é bom lembrar que a sala fica numa das pontas do centro e cercada de contradições por todos os lados: embora seja um ponto turístico que enche durante os ensolarados finais de semana, o Gasômetro não consegue levar o público do pôr-do-sol do Guaíba para dentro da sala; embora o registro de assaltos seja o mais baixo das redondezas, a localização afasta muita gente amedrontada. Junte-se a isso os sinais dos tempos, onde cada um constrói sua filmoteca maluca em casa através dos torrents da vida, e o resultado é uma sala que luta com unhas e dentes para chamar um público cinéfilo que às vezes dá a impressão de não mais existir.

Não vou falar aqui das ações com escolas e congêneres, que enchem a sala e despertam interesse por filmes que normalmente não seriam visto por determinado público - para isso o material de divulgação dos 10 anos da sala já dá alguma informação oficial. O que quero ressaltar aqui é o papel cultural radical que a sala vem desenvolvendo no panorama cultural da cidade.

Trabalhei na programação da P.F. Gastal no primeiro ano de existência da sala, graças ao convite da Bia Barcellos, então coordenadora de cinema e vídeo da prefeitura. Sinto orgulho de ter ajudado a definir a cara da programação naqueles primeiros tempos de dúvida, mas não tenho dúvida de que, naquele primeiro ano, a sala foi somente uma pálida sombra do que viria se transformar. Marcus Mello, que trabalha na coordenação há tempos e no fundo já fazia a programação junto comigo no primeiro ano, tocou o barco dali em diante e tirou leite de pedra oferecendo para Porto Alegre a programação menos óbvia e por isso mesmo mais estimulante da cidade.

Não vou transformar esse texto numa enumeração dos filmes que passaram pela tela de lá. Fica a sugestão para a administração da sala: coloquem no blogue toda a programação da Sala P.F. Gastal até hoje para dar a idéia exata a quem ainda duvida do papel seminal que ela desempenha para a cinefilia de Porto Alegre.

Vou ficar somente com exemplos recentes: foi na P.F. Gastal que foram exibidos, pela primeira em película por aqui, filmes de diretores asiáticos já consagrados pela crítica internacional, mas praticamente ignorados pela cinefilia local, como Apichatpong Weerasethakul, Hou Hsiao-hsien e Jia Zhang-ke. Foi lá que aconteceu, em película e com legendas eletrônicas em português, uma mostra bastante significativa do cinema de Marguerite Duras. Foi graças à P.F. Gastal que foi possível realizar em Porto Alegre uma mostra dos filmes do Cinema Marginal Brasileiro. E é na P.F. Gastal que acontece o Raros, reunião semanal (pero non troppo) cinéfila que mostra raridades do cinema de horror, refilmagens turcas de blockbusters americanos, um curta proibido de um diretor brasileiro consagrado, um dos melhores filmes de Jacques Rivette, um clássico dos anos 70 de Carlos Reichenbach, todos servidos com debates após a sessão. Seria muito mais fácil, por exemplo, exibir clássicos consagrados, repetir os independentes que passaram pelo Arteplex, ou não mexer uma palha para tentar agitar o panorama atual. Mas é por trazer mostras de ponta que circulam no país, criar criativamente outras mostras inéditas, manter eventos regulares que criam um público restrito e fiel, estimular o debate e mostrar que mesmo o cinéfilo mais bem-informado pode ser surpreendido, que a P.F. Gastal é radical na programação.

É essa radicalidade (que alguns cínicos fariam questão de chamar de relativa, e eu diria que é relativa mesmo, como só poderia ser relativa essa minha reflexão vinda daqui de Porto Alegre) que faz com que a sala esteja longe de estar sempre cheia, e que muitas vezes frustre as expectativas da equipe que trabalha arduamente para se conseguir as cópias dos filmes. Mas é essa radicalidade que oxigena a magra programação de cinema local como poucas salas daqui fizeram e que deixaria orgulhoso aquele que deu o nome à sala.

Feliz aniversário, Sala P.F. Gastal. Parabéns para o Bernardo, o Marcus, a Angélica, a Beti e mais toda a equipe que trabalha ou já trabalhou lá. Que venham mais 10 anos de inquietação cinematográfica!

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Ontem recebemos Katia Suman gravando Camarote TV Com


















Com grande carinho recebemos Katia Suman na gravação do Camarote TV Com que foi ao ar dia 26 de Maio.

Confira as fotos de nossa Festa Inesquecível em Comemoração aos 10 anos da Sala (amanhã tem mais)

















Grandes e bons amigos, frequentadores da sala, cinéfilos em geral, curiosos de plantão.
Todos vieram prestigiar a festa de aniversário da nossa Sala querida.










Grade de horários Semana de 25 a 31 de maio de 2009

Semana de 25 a 31 de maio de 2009

Segunda-feira (25 de maio)

19h - Coquetel em comemoração aos 10 anos da Sala P. F. Gastal, seguido de exibição do filme Hunger, de Steve McQueen (entrada franca)

Terça-feira (26 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h30 - Entre os Muros da Escola

Quarta-feira (27 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h30 - Entre os Muros da Escola

Quinta-feira (28 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h - Coquetel de pré-estreia do filme Afterschool, de Antônio Campos, com a presença do diretor (entrada franca)

Sexta-feira (29 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h30 - Entre os Muros da Escola

Sábado (30 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h15 - Afterschool

Domingo (31 de maio)

14h30 - Entre os Muros da Escola
17h - Entre os Muros da Escola
19h15 - Hunger

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Sala P. F. Gastal comemora 10 anos de atividade

Inaugurada em 25 de maio de 1999, com a exibição do filme Outras Estórias, de Pedro Bial, a Sala P. F. Gastal comemora na próxima segunda-feira seus dez anos de existência. Primeiro cinema municipal da cidade, construído e mantido com recursos da Prefeitura de Porto Alegre, desde o início de sua trajetória o cinema localizado no terceiro andar da Usina do Gasômetro vem oferecendo aos porto-alegrenses uma programação diversificada, que procura resgatar o espírito da experiência cineclubista, tão marcante em nosso Estado. Inspirada pela figura do crítico de cinema Paulo Fontoura Gastal, que lhe empresta o nome, a Sala P. F. Gastal se consagrou como um tradicional espaço de divulgação do cinema brasileiro, das produções independentes, dos filmes clássicos, das cinematografias emergentes, do cinema europeu e latino-americano.

Ao longo de sua primeira década de atividades, a Sala P. F. Gastal recebeu convidados ilustres como Nelson Pereira dos Santos, Eduardo Coutinho, Vladimir Carvalho, Fernando Solanas, Carlos Reichenbach, Sara Silveira, Andrea Tonacci, Jorge Furtado, Rogério Sganzerla, Helena Ignez, Ana Luiza Azevedo, Giba Assis Brasil, Werner Schünemann, João Moreira Salles, Walter Carvalho, João Jardim, Carla Camuratti, Tata Amaral, Leona Cavalli, Laís Bodanzki, Kiko Goifman, Walmor Chagas, Lúcia Murat, Zuenir Ventura, Paulinho da Viola, Gerald Thomas, Lírio Ferreira, Carlos Gerbase, Guilherme de Almeida Prado, Domingos de Oliveira, Priscilla Rozembaum, Djalma Limongi Batista, Cláudio Assis, Karim Aïnouz, Elyseu Visconti, Esmir Filho, Cacá Diegues, Jonathan Caouette, Martín Sastre, Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli, entre outros. Além de sua programação regular, o cinema da Usina do Gasômetro mantém com regularidade sessões fechadas para grupos que, de outra forma, dificilmente teriam acesso ao cinema. Através de parcerias com órgãos públicos como a FASC e a Secretaria Municipal de Educação ou com organizações não governamentais de diferentes naturezas, a Sala P. F. Gastal recebe a cada ano centenas de estudantes e espectadores em situação de vulnerabilidade social.

A programação comemorativa ao décimo aniversário da Sala P. F. Gastal inclui a exibição de dois longas estrangeiros e dois filmes brasileiros inéditos, e a presença de três convidados especiais, os cineastas Antônio Campos e José Eduardo Belmonte e o ator Cauã Reymond.

FILMES CONVIDADOS

Para marcar a passagem de seu 10º aniversário, a Sala P. F. Gastal selecionou quatro filmes inéditos (três deles ainda sem previsão de lançamento nos cinemas), que serão exibidos ao longo de duas semanas. Dois filmes estrangeiros, que vêm colecionando elogios desde a sua estréia no Festival de Cannes de 2008, e dois filmes brasileiros, assinados por José Eduardo Belmonte, um dos mais importantes autores do cinema brasileiro contemporâneo.

Hunger, de Steve McQueen (Inglaterra, 2008, 110 minutos)

Homônimo do célebre astro hollywoodiano de Os Implacáveis e Fugindo do Inferno, o britânico Steve McQueen é uma estrela do circuito de arte internacional que em 2008 estreou no cinema com este elogiado filme de ficção, inspirado em fatos reais. Hunger recria as últimas semanas de vida do militante do Exército Irlandês de Libertação, Bobby Sands, que morreu na prisão em 1981, em consequência dos efeitos provocados por uma greve de fome. Vencedor de 28 prêmios em festivais internacionais, entre eles a Caméra d´Or no Festival de Cannes 2008.

Sessões nos dias 25 e 31 de maio, às 19h (exibição em 35mm, com legendas eletrônicas em português)

Afterschool, de Antônio Campos (EUA, 2008, 112 minutos)

Em seu longa de estreia, Antônio Campos acompanha um grupo de estudantes de uma escola de elite traumatizado pela trágica morte de duas colegas de classe. Depois de estrear seu curta Buy it Now no Festival de Cannes, o jovem diretor nova-iorquino participou da Residência de Cannes, onde escreveu o roteiro de Afterschool. Campos oferece um olhar original sobre um universo muito presente no cinema americano, em um filme duro, que dialoga com a obra de Gus van Sant e Larry Clark.
Sessões nos dias 28 e 30 de maio, às 19h (exibição em 35mm, com legendas eletrônicas em português)

Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte (Brasil, 2008, 120 minutos)

Com Cauã Reymond, João Miguel, Caroline Abras, Juliano Cazarré, Leandra Leal, Murilo Grossi e Tainá Muller.

Jornalista endividado (Cauã Reymond) envolve-se no submundo do crime, para ajudar uma dependente de drogas (Luiza Mariani) e seu filho. Belmonte usa as eleições presidenciais de 2006 como pano de fundo para este thriller urbano que, através de um apaixonante grupo de personagens, revela um retrato tocante da falta de perspectivas da juventude brasileira. Prêmio de melhor filme no Festival do Rio e no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Única sessão no dia 4 de junho, às 19h, com a presença do diretor José Eduardo Belmonte e do ator Cauã Reymond (exibição em 35mm)

Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte (Brasil, 2007, 92 minutos)

Elogiado drama familiar, exibido com sucesso no Festival de Brasília em 2007, ainda inédito nos cinemas. O filme narra as aventuras de Elias, que batalha desesperadamente pela guarda do filho contra a ex-mulher. Com Eucir de Souza, Rosanne Mulholland, Milhem Cortaz e Wolney de Assis.

Única sessão no dia 5 de junho, às 19h (exibição em 35mm)


DIRETORES CONVIDADOS

José Eduardo Belmonte

José Eduardo Belmonte nasceu em 1970, em São Paulo. Aos quatro anos de idade, mudou-se para Brasília, onde formou-se em cinema pela UNB. Depois de assinar uma série de curtas premiados, estreou no formato longa em 2003, com Subterrâneos. Hoje radicado em São Paulo, Belmonte já acumula quatro longas no currículo. Além de A Concepção (2005), um dos títulos mais marcantes do cinema brasileiro recente, tem prontos Meu Mundo em Perigo (2007) e Se Nada Mais Der Certo (2008), ainda inéditos nos cinemas. Ambos os filmes serão apresentados por Belmonte na programação do 10º aniversário da Sala P. F. Gastal.


Antônio Campos

Natural de Nova York, dirigiu mais de 20 curtas-metragens e documentários. Formado em cinema pela Universidade de Nova York. depois de estrear o curta Buy it Now no Festival de Cannes, o jovem diretor, filho de pais brasileiros, participou da Residência de Cannes, onde escreveu o roteiro de Afterschool. O filme, sem previsão de lançamento no Brasil, participou da competição oficial do Festival de Cannes de 2008, onde foi recebido com entusiasmo pela crítica especializada.


Programação

Coquetel em comemoração
aos 10 anos da

Sala P. F. Gastal

no dia 25 de maio
, às 19h,
seguido da exibição
do filme Hunger
,
de Steve McQueen. Entrada franca.

Segunda exibição: dia 31 de maio, às 19h (com cobrança de ingresso).






Coquetel de pré-estréia do filme Afterschool, no dia 28 de maio, às 19h, com a presença do diretor Antônio Campos. Entrada franca.

Segunda exibição: dia 30 de maio, às 19h (com cobrança de ingresso)




Coquetel de pré-estréia do filme Se Nada Mais Der Certo, no dia 4 de junho, às 19h, com a presença do diretor José Eduardo Belmonte e do ator Cauã Reymond.

Única exibição. Entrada franca.





Exibição do filme Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte, no dia 5 de junho, às 19h.

Única exibição. Entrada franca

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Mensagens Carinhosas de Amigos, Colaboradores

Mirna Spritzer:

Feliz Aniversário para todos os peéfes!
Sintam-se orgulhosos pelo lindo trabalho!
Bjo,
Mirna

Antônio Ricardo Soriano:

Que ótimo exemplo ! Estou divulgando no blog.
Aqui em São Paulo, temos o cine Olido que pertence à Prefeitura. Poderiamos ter mais cinemas públicos...

Um abraço.Antonio Ricardo Soriano - www.salasdecinemadesp.blogspot.com

Martin Sastre:
Happy Birthday SALA GASTAL!!!
Felíz cumpleaños!!!

De Frederico Ruas:

Que maravilha... Vida longa à sala de cinema mais aconchegante da cidade! Aonde tive meus primeiros contatos com uma cinematografia menos óbvia do que a que passa na telas caras.

Olha só que coincidência: o aniversário da P.F. Gastal é no dia do meu aniversário de namoro. Não vou poder estar no coquetel, pois estarei filmando. Mas com certeza ao longo da semana vou dar uma conferida na programação!

Abraços,
Fred Ruas.

Sidnei Geisler Bueno e Fátima Janice Paillo de Souza Bueno:

PARABÉNS SALA P F GASTAL e Equipe!
Desejo mais DEZ vezes DEZ décadas de vida!
Parabéns.
Longa Vida e Properidade!
Sidnei Geisler Bueno e Fátima Janice Paillo de Souza Bueno


Patrícia Francisco:

Olá,

para quem estiver em Porto Alegre na semana que vem e não tiver recebido esse e-mail (perdão para os que já receberam) indico para irem na festa de aniversário da Sala de Cinema P.F. Gastal.
Foi lá, entre outro lugares, que aprendi muito sobre o nosso cinema e o cinema internacional, por vozes e imagens de ótimos realizadores de filmes.
Abraços,

Patrícia Francisco
Ps.: vale a pena ler o texto ao lado!

Fernarda Chemale:
Parabéns!!!
viva os 10 anos da pf gastal!
beijo
Fernanda

G + S Locações de Equipamentos:
Toda a equipe da G+S envia parabéns e desejos de mais 10 (...20, 30, 50, 100...) anos aos parceiros.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Bernhard Wicki em mostra especial

Mais conhecido como ator e diretor de cinema, o austríaco (radicado na Alemanha) Bernhard Wicki tem a sua faceta de fotógrafo recuperada em bela exposição inaugurada no dia 12 de maio, na Galeria dos Arcos da Usina do Gasômetro. A partir da próxima terça-feira, dia 19 de maio, a exposição será complementada por uma pequena mostra de filmes, um dirigido por Wicki e dois em que ele trabalha como ator. Os filmes serão exibidos até domingo na Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar). Tanto a exposição fotográfica quanto a mostra de filmes de Bernhard Wicki são uma iniciativa do Instituto Goethe, em parceria com a Coordenação de Cinema e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.

A mostra de filmes, que se estende até o dia 24 de maio, inclui o filme mais célebre de Wicki, o clássico drama de guerra A Ponte (1959), além de dois filmes alemães no qual ele trabalha como ator, ambos dirigidos por Helmut Käutner, Noivado em Zurique e A Última Ponte. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme filme estrangeiro e indicado ao Oscar na mesma categoria, A Ponte alavancou a carreira de cineasta de Wicki. Sua repercussão foi tamanha que acabou rendendo ao diretor um convite para trabalhar em Hollywod. Lá Wicki assinou o épico O Mais Longo dos Dias (1963), superprodução sobre o desembarque dos aliados na Normandia, A Visita (1964), adaptação da peça teatral A Visita da Velha Senhora, com Ingrid Bergman e Anthony Quinn, e Morituri (1965), veículo para o estrelato de Marlon Brando e Yul Brynner.

Além dos inúmeros filmes que fez na Alemanha como ator, Bernhard Wicki também trabalhou para diretores de prestígio como Antonioni (A Noite, onde fez o amigo moribundo de Marcello Mastroianni), Fassbinder (Despair), Wajda (Um Amor na Alemanha) e Wim Wenders (Paris, Texas).

Ainda na próxima semana, na sexta-feira, dia 22, às 19h, a Sala P. F. Gastal sedia a sessão de lançamento dos curtas Napo: Acha que Sou Masoquista?, O Curinga e Longe de Casa, da produtora Colateral Filmes.

FILMES PROGRAMADOS

A Última Ponte (Die Letzte Brücke), de Helmut Käutner (1954, 98 minutos, preto e branco)

O drama de Helga (Maria Schell), uma jovem médica alemã que trabalha em um hospital dos Bálcãs durante a Segunda Guerra Mundial. Certo dia, ela é seqüestrada por soldados iugoslavos. Procura fugir, mas logo compreende que não poderá negar sua ajuda como profissional. Com o passar do tempo surge uma epidemia de cólera no acampamento e a falta de medicamentos a leva ao contrabando destes. Grande atuação de Schell (premiada no Festival de Cannes), atriz conhecida principalmente como intérprete de papéis melodramáticos.


Noivado em Zurique (Die Zürcher Verlobung), de Helmut Käutner (1957, 101 minutos, colorido)

Uma comédia sobre o amor ao mundo do cinema. Juliane (Liselotte Pulver) é uma jovem escritora que acaba de separar-se do seu noivo e está escrevendo um relato sobre suas infelizes experiências no amor. Logo, um estúdio cinematográfico demonstra interesse pelo roteiro. O diretor do filme será Paul, a quem Juliane havia conhecido no consultório odontológico de seu tio. Além disso, existe Jean, um amigo de Paul, pelo qual ela também se entusiasma.



A Ponte (Die Brücke), de Bernhard Wicki (1959, 103 minutos, preto e branco)

Abril de 1945. Uma pequena cidade alemã nos últimos dias da guerra. Uma bomba atinge uma ponte próxima, o front se aproxima rapidamente e o exército mobiliza seus últimos soldados. Sete alunos de uma mesma classe escolar são recrutados de última hora. Para estes adolescentes, a guerra tinha sido até este dia apenas uma aventura que eles acompanhavam de longe. Agora terão de enfrentar a brutal realidade da guerra.

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 19 a 24 de maio de 2009

Terça-feira (19 de maio)

15h – A Última Ponte
17h – Noivado em Zurique
19h – A Ponte

Quarta-feira (20 de maio)

15h – A Ponte
17h – A Última Ponte
19h – Noivado em Zurique

Quinta-feira (21 de maio)

15h – Noivado em Zurique
17h – A Ponte
19h – A Última Ponte

Sexta-feira (22 de maio)

15h – Noivado em Zurique
17h – A Última Ponte
19h – Coquetel de lançamento dos curtas Napo: Acha que Sou Masoquista?, O Curinga e Longe de Casa, da produtora Colateral Filmes

Sábado (23 de maio)

15h – A Ponte
17h – Noivado em Zurique
19h – A Última Ponte

Domingo (24 de maio)

15h – Noivado em Zurique
17h – A Última Ponte
19h – A Ponte

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Segue esta semana a mostra de Cinema Polonês


Confira a grade da semana.
Mais informações sobre a mostra confira na postagem de 04 de Maio.

12 de maio (terça-feira)

15h – A Dívida (97 minutos)
17h – Sexmissão (116 minutos)
19h – O Interrogatório (111 minutos)

13 de maio (quarta-feira)

15h – Truques (95 minutos)
17h – Mimetismo (96 minutos)
19h – Hotel Pacífico (95 minutos)

14 de maio (quinta-feira) (apenas duas sessões, em virtude da longa duração dos filmes)

15h – Terra Prometida (179 minutos)
1
8h – O Faraó (175 minutos)

15 de maio (sexta-feira)

15h – Praça do Salvador (107 minutos)
17h – Tchau, Até Amanhã (80 minutos)
19h – O Homem Obstinado
(78 minutos)

16 de maio (sábado)

15h – Sexmissão (116 minutos)
17h – O Interrogatório (111 minutos)
19h – Mimetismo (96 minutos)

17 de maio (domingo)

15h – Hotel Pacífico (95 minutos)
17h – Tchau, Até Amanhã (80 minutos)
19h – Terra Prometida (179 minutos)

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Homem de 2 cabeças no Raros

O projeto Raros da Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar) exibe na próxima sexta-feira, dia 8 de maio, às 19h, o clássico filme O Monstro de Duas Cabeças (The Thing with Two Heads), de Lee Frost, realizado em 1972.

Um dos subprodutos do movimento Blaxploitation, O Monstro de Duas Cabeças conta a bizarra história de um velho milionário e racista (vivido por Ray Milland) que, devido a uma grave doença, tem sua cabeça transplantada para o corpo de um negro (Rosey Grier, primo da estrela negra Pam Grier, de Jackie Brown). O detalhe é que o negro está vivo e ambas as cabeças precisam conviver com o mesmo corpo. A partir daí, o que se vê na tela é um desfile de situações absurdas, que entrou para a história do cinema como um dos mais divertidos libelos contra o racismo.

O protagonista Ray Milland (1905-1986) foi um ator bastante requisitado em Hollywood nas décadas de 40 e 50 (ganhou o Oscar, a Palma de Ouro em Cannes e o Globo de Ouro por sua atuação em Farrapo Humano, de Billy Wilder). A partir dos anos 60, Milland começou a fazer participações freqüentes em seriados de TV e produções do cinema B, como o cartaz do Raros desta sexta-feira.

O Monstro de Duas Cabeças será exibido numa cópia em DVD, com diálogos e legendas em inglês. A sessão será comentada pelo jornalista Zeca Azevedo, especialista em cinema Blaxploitation. A entrada é franca.

O Monstro de Duas Cabeças (The Thing with Two Heads). Estados Unidos, 1972. Direção de Lee Frost. Com Ray Milland, Rosey Grier e Don Marshall. Colorido. Duração: 93 minutos.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

O Centenário do Cinema Polonês em exibição

A Sala P. F. Gastal recebe a partir da próxima semana a mostra 100 Anos da Cinematografia Polonesa, evento que marca o centenário da produção cinematográfica naquele país, trazendo a Porto Alegre uma antologia de 14 títulos importantes do cinema polonês. A mostra tem coquetel de abertura oficial na terça-feira, dia 5 de maio, às 19 horas, seguido da exibição do filme Jasminum, de Jan Jakub Kolski. A partir de sexta_feira, dia 8 de maio, a mostra ganha três sessões diárias. O coquetel de abertura contará com as presenças do Embaixador da Polônia no Brasil, Sr. Jacek Kisielewcki, e da Cônsul-Geral da Polônia no Brasil, Sra. Dorota Barys, além de diversas outras autoridades.

cartaz do filme Interrogatório

Pouco conhecida no Brasil, a escola de cinema polonês, com a sua sede inconfundível na cidade de Lodz, torna-se um aporte muito importante à cinematografia européia. Além de nomes conhecidos oriundos dessa escola (como Roman Polanski, Andrzej Wajda e Krzysztof Kieslowski), o cinema polonês conta com outros diretores, roteiristas e atores não menos importantes e talentosos. A presente mostra não inclui obras que estiveram no circuito comercial brasileiro, como A Trilogia das Cores, de Krzysztof Kieslowski, O Pianista, de Roman Polanski, ou Katyn, de Andrzej Wajda. Os filmes selecionados representam algumas das mais importantes tendências da cinematografia polonesa no decorrer dos últimos cem anos, assinadas por diretores de prestígio internacional, com o já citado Andrzej Wajda, Jerzy Kawalerowicz e Krzysztof Zanussi. Os 14 filmes propostos são um fragmento relevante na história da Polônia e trazem abordagens bastante distintas, que vão do romance aos dramas político-sociais que participaram do processo de redemocratização do país nas últimas décadas do século XX. Entre os inúmeros destaques da programação estão obras como as superproduções O Faraó, de Jerzy Kawalerowicz (diretor de Madre Joana dos Anjos), e Terra Prometida, de Andrzej Wajda, e o drama polítco O Interrogatório, que deu à atriz Krystyna Janda a Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes em 1990. Produzido em 1982, o filme permaneceu proibido na Polônia até 1989, após a queda dos regimes comunistas do Leste Europeu. Nunca lançado no Brasil, o filme é um violento ataque à máquina de tortura stalinista e oferece a Janda a oportunidade de realizar uma das performances mais impressionantes da história do cinema como Tônia, uma atriz de teatro que é presa injustamente e sofre todas as formas de tortura pela polícia comunista.

A mostra 100 Anos da Cinematografia Polonesa é organizada através de parceria entre o Instituto Polonês de Arte Cinematográfica, Ministério das Relações Exteriores da República da Polônia, Filmoteca Nacional da Polônia, Embaixada da República da Polônia no Brasil e Consulado da República da Polônia em Curitiba, e conta em Porto Alegre com o apoio do Studio Clio e da Secretaria Municipal da Cultura, através da sua Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia.

SINOPSE DOS FILMES

O Homem Obstinado (Mocny Czlowiek, 1929, 78 minutos, mudo)
Direção: Henryk Szaro.

Henryk Bielecki é um tipo de homem obstinado, que vai atrás da glória e do dinheiro a qualquer preço. Falsifica um cheque para editar sob o próprio nome os manuscritos do amigo, que matou. Mas o amor vence até a sedução da glória e da riqueza obtida a custos da ruína dos outros. Henryk renasce moralmente, sentindo a miséria do próprio comportamento, quando conhece Nina. Infelizmente perde a luta com a própria consciência e comete suicídio. Para este filme recentemente restaurado, a música foi composta por um dos mais conhecidos artistas poloneses, Maciej Maleńczuk.

Tchau, Até Amanhã (Do Widzenia, Do Jutra, 1960, 80 minutos).
Direção: Janusz Morgenstern.

Ambientado no meio teatral, o encontro romântico do polonês Jacek e da francesinha Margueritte dá origem a um relato de estilo livre, muito próximo dos filmes da Nouvelle Vague, que dava então os seus primeiros passos. Jacek é interpretado pelo ator Zbigniew Cybulski, protagonista do clássico Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda, considerado o James Dean polonês. Cybulski morreu tragicamente em 1967, em um acidente de trem, com apenas 40 anos.

O Faraó (Faraon, 1966, 175 minutos).
Direção: Jerzy Kawalerowicz.

No antigo Egito, a luta de Ramsés XIII contra o poder dos sacerdotes, a quem o jovem faraó responsabiliza pelo declínio do país, em filme de produção suntuosa. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1967, depois de ser apresentado com sucesso no Festival de Cannes em 1966.

Terra Prometida (Ziemia Obiecana, 1974, 179 minutos).
Direção: Andrzej Wajda.

O jovem engenheiro polonês Karol Borowiecki trabalha numa fábrica sonhando com o seu próprio negócio, igual a seus amigos - Moryc Welt, jovem comerciante judeu e Maks Baum, um alemão, filho do proprietário de uma velha tecelagem. Todos querem realizar seus sonhos aproveitando a notícia do aumento dos impostos sobre o algodão. Esta tarefa está ficando difícil com a resistência dos fabricantes de Lodz, que estão com medo da concorrência e com a reação do velho Zucker que ficou sabendo do romance de Karol com sua esposa. A fábrica, sem seguro, pega fogo e os três amigos caem na falência. Karol Borowiecki atinge seu objetivo através do casamento com a filha do milionário alemão e a total resignação aos ideais da juventude.

Hotel Pacífico (Zaklete Rewiry, 1975, 95 minutos). Direção: Janusz Majewski.
Baseado em romance do início do século XIX, de Tadeusz Kurtyk, conhecido como Henryk Worcell. Um grande restaurante dos anos 30 apresentado pelo lado “da cozinha”. O jovem Roman começa a trabalhar como um lavador de pratos. Para progredir, precisará não somente trabalhar duro, mas suportar a dor, humilhações e t
omar decisões difíceis.

Mimetismo (Barwy Ochronne, 1976, 96 minutos).
Direção: Krzysztof Zanussi.

Um dos mais importantes filmes do movimento conhecido como "cinema da inquietação moral”, trata do problema do conformismo da intelectualidade polonesa, a partir dos conflitos entre alunos e professores em um campus universitário.

O Interrogatório (Przesluchanie, 1982, 111 minutos).
Direção: Ryszard Bugajski.m obstinado


Definido pelo governo de então como ”o filme mais anticomunista da história da Polônia socialista". Como resultado da pressão do governo, o diretor Ryszard Bugajski se viu obrigado a deixar a Polônia, Antonina Dziwisz, atriz de classe média, vai com o seu grupo itinerante realizando espetáculos para grupos de trabalhadores e em pequenos vilarejos. Acaba na prisão porque precisam de alguém para acusar um colega do grupo. Agredida, torturada e maltratada psicologicamente, não desiste. Atinge o ápice da depressão somente quando o marido, propositalmente confundido pelas autoridades, pede a separação. Sai da prisão depois da morte de Stalin e retira sua filha do orfanato, que tem como pai um dos perseguidores de sua mãe.

Sexmissão (Seksmisja, 1983, 116 minutos).
Direção: Juliusz Machulski.

Esta obra lançada em pleno regime comunista é uma comédia genial encenada em um ambiente futurista, com breves cenas que fazem até mesmo lembrar a pornochanchada brasileira, mas esta obra é bem mais que isso. Sob a aparência de uma sátira ao feminismo, o filme é sobretudo uma inteligente e sutil crítica aos regimes totalitários. Maks e Albert, voluntários em um experimento de hibernação, acordam em 2044 em um mundo subterrâneo, sendo os únicos homens sobreviventes, depois que o gene masculino foi exterminado acidentalmente em uma guerra nuclear. Agora, estas duas cobaias masculinas encontradas em uma escavação arqueológica irão provocar muita confusão neste mundo só de mulheres.

A Dívida (Dlug, 1999, 97 minutos).
Direção: Krzysztof Krauze.

Baseado em fatos verídicos, este filme retrata a trágica história de dois jovens, Adam e Stefan, sócios nos planos de abrir um negócio promissor. Depois de inúmeras tentativas sem sucesso para obter um financiamento, têm um encontro casual com Gerard, velho colega de Stefan, que se oferece para levantar tais fundos. Mas de um simpático colega, Gerard vira um frio agiota que mudará para sempre a vida destes dois rapazes, bem como a sua própria.

O Meirinho (Komornik, 2005, 93 minutos).
Direção: Feliks Falk.

Lucian Bohme, um jovem oficial de justiça, eficiente e inflexível, de maneira quase cruel executa os seus mandados em uma zona pobre e com grande número de desempregados, causando medo e raiva. Lucian está demais ocupado com sua carreira para dar atenção aos sentimentos e dores alheias. Sua eficácia lhe traz lucros significativos, mas também a inveja. A insensibilidade de Lucian termina quando por sua causa, um jovem se suicida no saguão do Tribunal e uma antiga paixão cruza a sua vida. Abalado, resolve distribuir para as pessoas que feriu o dinheiro recebido de um suborno.

Jasminum (Jasminum, 2006, 107 minutos).
Direçã
o: Jan Jakub Kolski.

O mundo em um mosteiro do século XVII no limiar entre a realidade e o conto de fadas. Três irmãos exalam aromas: de azereiro, de ameixa e de cereja. O abade acredita que um deles é um santo previsto em uma antiga profecia. Os aromas exalados pelos sacerdotes têm o poder de acordar nas pessoas uma louca paixão. Um dia no mosteiro, aparece Natasha - uma jovem restauradora de arte com uma filha de cinco anos, Eugênia (Guênia). Natasha restaura as obras e compõe os aromas. Ela consegue achar na lenda do mosteiro a chave do aroma afrodisíaco. Depois da saída de Natasha e Guênia, acontecerá um milagre no mosteiro, mas diferente do esperado pelo abade.

Praça do Salvador (Plac Zbawiciela, 2006, 107 minutos).
Direção: Joanna Kos-Krauze e Krzysztof Krauze.

Drama familiar baseado em fatos reais. Beata e Bartek Zieliński, pais de dois filhos, se mudam para a casa da mãe de Bartek, Sra. Teresa. Dedicaram todas as suas economias para a compra de um apartamento, mas a construtora faliu e o apartamento foi tomado pelo banco. Os Zieliński agora endividados e sem o sonhado apartamento, vivem do salário de Bartek e de sua mãe Teresa. Beata largou os estudos quando ficou grávida e agora não consegue encontrar um emprego. Teresa, que criou um filho mimado e irresponsável, não esconde a sua aversão pela nora e defende-o mesmo quando este, depois de espancar a esposa, deixa Beata e os filhos para ir viver com a amante. Teresa tenta salvar a situação somente quando Beata cai em depressão profunda, mas já é tarde demais.

Truques (Sztuczki, 2007, 95 minutos).
Direção: Andrzej Jakimowski.

Filme baseado em motivos autobiográficos. Stefek, um menino de 6 anos, e sua irmã Elka, de 17 anos, acreditam que o destino desafortunado pode ser conduzido através de truques. O pai de Stefek abandonou sua mãe por outra mulher. O menino desafia o destino. Acha que uma cadeia de acontecimentos provocados por ele vai aproximá-lo do pai. Elka lhe ensina como ”subornar” o destino com pequenas oferendas. Mas no momento decisivo as crianças não têm nada valioso para oferecer.

Leidis (Lejdis, 2008, 134 minutos).
Direção: Tomasz Konecki.

Ambientada na cidade grande, esta comédia gira em torno da vida íntima de quatro mulheres e suas relações com os homens. Amigas desde a infância, mantém desde então o costume de realizar o Réveillon em pleno verão*, quando dividem os sonhos para o ano novo. A vontade de ter um filho, ter seios maiores, casar ou ser uma eterna solteira, são alguns destes sonhos que, acompanhados de um enredo de traição, paquera, absurdo e sobretudo muito amor, desvendarão um pouco do mistério feminino.

*Na Polônia o Réveillon é no inverno.

GRADE DE HORÁRIOS

5 de maio (terça-feira)

19h – Coquetel de abertura, seguido da exibição de Jasminum (107 minutos)

8 de maio (sexta-feira)

15h – Jasminum (107 minutos)
17h – O Meirinho (93 minutos)
19h – Projeto Raros (The Thing with Two Heads)

9 de maio (sábado)

15h – O Meirinho (93 minutos)
17h – Leidis (134 minutos)
19h15min – A Dívida (97 minutos)

10 de maio (domingo)

15h – Leidis (134 minutos)
17h15min – Truques (95 minutos)
19h – Praça do Salvador (107 minutos)

12 de maio (terça-feira)

15h – A Dívida (97 minutos)
17h – Sexmissão (116 minutos)
19h – O Interrogatório (111 minutos)

13 de maio (quarta-feira)

15h – Truques (95 minutos)
17h – Mimetismo (96 minutos)
19h – Hotel Pacífico (95 minutos)

14 de maio (quinta-feira) (apenas duas sessões, em virtude da longa duração dos filmes)

15h – Terra Prometida (179 minutos)
1
8h – O Faraó (175 minutos)

15 de maio (sexta-feira)

15h – Praça do Salvador (107 minutos)
17h – Tchau, Até Amanhã (80 minutos)
19h – O Homem Obstinado
(78 minutos)

16 de maio (sábado)

15h – Sexmissão (116 minutos)
17h – O Interrogatório (111 minutos)
19h – Mimetismo (96 minutos)

17 de maio (domingo)

15h – Hotel Pacífico (95 minutos)
17h – Tchau, Até Amanhã (80 minutos)
19h – Terra Prometida (179 minutos)

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Sala P. F. Gastal dá início à programação especial de aniversário

A Sala P. F. Gastal comemora em 25 de maio próximo seus dez anos de existência. Para celebrar a data, ao longo de todo o mês de maio foi preparada uma programação especial, incluindo três mostras retrospectivas e o lançamento de dois filmes inéditos no Brasil, os elogiados Hunger, de Steve McQueen, e Afterschool, de Antônio Campos.


O primeiro evento comemorativo do aniversário do cinema mantido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre inicia já na sexta-feira, dia 1º de maio, quando inaugura a mostra
Marguerite Duras: Escrever Imagens
Confira detalhes da Mostra nas postagens anteriores


A seguir, de 8 a 17 de maio, a Sala P. F. Gastal recebe a mostra 100 Anos da Cinematografia Polonesa, com 14 longas-metragens de diferentes períodos (coquetel de abertura no dia 5 de maio, às 19 horas).



Já no dia 19 de maio tem início a mostra dedicada ao cineasta alemão Bernhard Wicki (acompanhada de uma exposição de 40 fotografias na Galeria dos Arcos da Usina do Gasômetro – ver abaixo), que está itinerando pelo país por iniciativa do Instituto Goethe.


Finalmente, na última semana de maio serão exibidos os filmes Hunger e Afterschool. Ambas as produções foram recebidas com entusiasmo no Festival de Cannes do ano passado, e permanecem inéditas no Brasil. Antônio Campos, que é filho do jornalista Lucas Mendes, virá especialmente de Nova York para acompanhar as exibições de Afterschool

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Filmografia de Marguerite Duras - comentada por Mauricio Ayer

India Song (1974) França, 120 min, cor

Direção: Marguerite Duras
Produção: Sunchild, les Films Armorial, S. Damiani, A. Valio-Cavaglione
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Bruno Nuytten
Som: Michel Vionnet
Música: C
arlos d’Alessio, Beethoven
Edição: Solange Leprince
Atores: Delphine Seyrig (Anne-
Marie Stretter), Michael Lonsdale (Vice-Cônsul), Claude Mann (Michael Richardson), Didier Flamand (Convidado dos Stretter), Mathieu Carrière (Jovem Adido), Vernon Dobtcheff (George Crawn), Claude Juan (Um Convidado), Satasinh Manila (Voz da Mendiga)

As pessoas às vezes dizem que minha obra é feita como a música é feita. Se eu posso ter uma opinião, eu acho que é verdade. Pelo menos para India Song é verdade.(Marguerite Duras)

É a história de um amor, vivido nas Índias, nos anos 30, numa cidade superpopulosa às margens do Ganges. Dois dias dessa história de amor são evocados. A estação é a da monção de verão. Quatro Vozes – sem rosto – falam dessa história.
As Vozes não se dirigem ao espectador ou ao leitor. Elas são de uma total autonomia, falam entre si. Não sabem que são ouvidas. As Vozes conheceram, leram, a história desse amor há muito tempo. Algumas se lembram melhor que outras. Mas nenhuma se lembra completamente, e, tampouco, nenhuma a esqueceu por completo. Não se sabe em nenhum momento quem são as Vozes. No entanto, pela maneira que cada uma tem de se e
squecer ou de se lembrar, elas se fazem conhecer mais do que por sua identidade.
O enredo é uma história de amor imobilizada na culminância da paixão. Em torno dela, uma outra história, a do horror – fome e lepra mescladas na umidade pestilenta da monção – imobilizada também num paroxismo cotidiano.

A mulher, Anne-Marie Stretter, esposa de um embaixador da França nas Índias, agora morta – seu túmulo está no cemitério inglês de Calcutá –, como que nasceu desse horror. Ela fica em meio a isso com uma graça onde tudo se abisma, num inesgotável silêncio. Uma graça que as Vozes precisamente tentam rever, porosa, perigosa, e perigosa também para algumas das Vozes.
Ao lado dessa mulher, na mesma cidade, um homem, o Vice-cônsul da França em Lahore, em desgraça em Calcutá. No seu caso, é por sua cólera e pelo assassinato que ele se une ao horror indiano.
Uma recepção na Embaixada da França terá lugar – durante a qual o Vice-cônsul maldito gritará seu amor por Anne-Marie Stretter. Isto, diante dos olhos da Índia branca. Depois da recepção, ela irá às ilhas da foz do Ganges pelas estradas do Delta.

India Song é um filme central na obra de Duras e representa a culminância de décadas de trabalho como escritora, dramaturga e diretora. Sem dúvida, é a obra que reúne mais referências a outras de suas obras, e em que ela consolida um modo totalmente particular de fazer cinema, em que os vários elementos que constituem a imagem audiovisual (como luz, enquadramento e movimentos de câmera, gestos e movimentos de atores, música, sonoplastia etc.) são agenciados como numa orquestração musical, em seus ritmos, encontros e desencontros, fusões e contrastes. Essa estrutura complexa, ao mesmo tempo sensual e terrível, permite a Duras construir o que seria um exemplo contemporâneo de uma tragédia – no sentido clássico da palavra, como no teatro grego antigo.

Um herói (o Vice-cônsul) realiza sua falha trágica ao apaixonar-se por Anne-Marie Stretter, que não somente é a esposa de seu superior hierárquico, mas principalmente é uma mulher que não se pode possuir, uma mulher que é de todos, que dá seu amor a quem queira. Toda a chamada “Índia branca”, a classe colonial, já esteve com ela; ao Vice-cônsul, no entanto, que “nunca amou ninguém”, este amor é impossível, mas ainda assim ele se entrega a ele em plena loucura.
O escândalo de seus gritos na cena do baile revela a sua “desmedida” (a “hybris” da tragédia grega), sua não adaptabilidade a um mundo em que todos se habituam – habituam-se ao calor insuportável, ao convívio com a degradação humana. Seus gritos, finalmente, lançam no centro da cena a realidade decadente dessa classe colonial que se diverte em bailes e em comentar a vida alheia “do lado de cá” das grades da Embaixada, enquanto que “do lado de lá” uma multidão de miseráveis e leprosos se amontoa à espera das sobras desse banquete. O Vice-cônsul também escancara essa relação ao dar tiros nos leprosos da sacada de sua casa, realizando o gesto surrealista preconizado por André Breton: no atual estado de coisas, o que resta é sair às ruas e atirar na multidão.

Dionys Mascolo, importante intelectual e ativista francês, que é também pai do filho de Marguerite e que grava uma das vozes de India Song, apresenta em texto de rara beleza uma síntese o que seria esse filme que se faz como uma música:

“Essa tragédia cinematográfica é integralmente construída como uma composição musical (…). Todo o filme, inclusive a imagem, é escrito como uma partitura. São tantas as suas partes: as imagens, seu enquadramento, os cenários onde são localizadas ou os que deixam à margem; os movimentos de câmera (as alternâncias de mobilidade e imobilidade); os movimentos no plano (coreografia); os gestos expressivos (andamento dos atores, dirigidos como músicos de orquestra); a própria música – as músicas na verdade, uma é exterior, a outra não; os sons (os pássaros, o ruído cósmico do mar) dos quais quaisquer ruídos realistas são excluídos: nesse aspecto o filme é mudo; as vozes por fim: as vozes “presentes” dos oficiantes; vozes atemporais que tanto comentam o evento evocado na imagem à maneira de um recitativo, e cujos encantamentos permitem a passagem incessante das fronteiras do tempo, quanto meditam sobre a ação realizada; voz da “mendiga” enfim, presente-ausente – eterna, pois que é a inocência e a infelicidade sempre sobrevivente do mundo. Toda a parte central do filme (“a recepção”) é uma seqüência, agenciada com um prodigioso sangue-frio, de entradas, saídas, perguntas, respostas, olhares e gestos, de chamados e anúncios, de música e gritos, que faz subir como um mar a intelecção sem remédio das coisas, assalto inquietante, marcado pela serenidade mortal com a qual se encadeiam alguns golpes, como as estocadas de espada de um toureiro. É justamente de morte que se trata, mas definitiva e total: da própria esperança.”
Como diz Nietzsche, a tragédia tem origem no espírito dionisíaco da música, mas se apresenta ao ganhar um
a forma e uma imagem (apolíneas) de um mito. É exatamente com isso que lidamos em India Song.

Détruire, dit-elle (Destruir, disse ela) (1969) França, 90 min, p&b

Direção: Marguerite Duras
Produção: Ancinex, Madeleine Films
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Jean Penzer
Som: Luc Berini

Edição: Henri Colpi
Atores: Nicole Hiss (Alissa Thor), Catherine Sellers (Elizabeth Alione), Michael Lonsdale (Stein), Henri Garcin (Max Thor), Daniel Gélin (Bernard Alione)

Dois homens se encontram e conversam todos os dias num hotel de campo. Um deles, Max Thor, que está “em vias de se tornar um escritor”, observa Elizabeth Alione, uma mulher que se recupera de um aborto, e todos os dias se deita ao sol no gramado, com um livro que nunca lê. Quando Alissa, a esposa de Thor, chega ao hotel, encontra Stein e inicia com ele uma relação adúltera, consentida pelo marido. O grupo aproxima-se de Elizabeth, e ela vive simultaneamente atração e pavor por Alissa, que quer levá-la à floresta, onde os limites e convenções sociais estão suspensos. A loucura se infiltra nos diálogos, que passam a insinuar sentidos compreensíveis apenas aos personagens, mas inacessíveis ao espectador, criando uma atmosfera de angústia, em que a qualquer momento algo terrível pode acontecer.

O filme é uma resposta direta de Marguerite Duras às experiências vividas em Maio de 1968. Questionada sobre ser esta uma obra política, ela respondeu: “[Michel] Foucault acha que sim”. Entende-se então que a política aqui é aquela que o filósofo francês apresenta como micropolítica, esses vetores de poder e resistência que atravessam os corpos, a incorporação da loucura pela razão, a ruína dos valores morais, a ética do desejo. Duras descreve os eventos de maio em Paris como uma loucura coletiva, que se traduz nesse desejo de destruição, e a iminência de que o mundo, a cultura, o cinema, tudo venha abaixo: “o amor corria pelas ruas”, “não sabemos pra onde vamos, mas vamos”.

Césarée (Cesárea) (1979) França, 11 min, cor

Direção: Marguerite Duras
Produção: Les Films du Losange
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Pierre Lhomme
Som: Michel Vionnet

Música: Amy Flamer
Edição: Geneviève Dufour
Voz: Marguerite Duras

Em Césarée, vemos as estátuas do jardim das Tuilerias, diante do palácio do Louvre, em Paris. A voz de Marguerite Duras entoa a história, ou uma espécie de recitativo em alusão à história do amor impossível do imperador romano e da rainha dos judeus. Ela é “repudiada por razões de Estado”, o Senado romano avalia o perigo deste amor e o rechaça. “Restou o lugar”, diz Duras, e a visão das estátuas – enormes em sua perenidade de pedra, ao lado de pessoas comuns que por ali transitam – infiltra no tempo cotidiano uma dimensão mítica, universal.
Trata-se de um primeiro experimento de Duras em sobrepor dois tempos inconciliáveis, o da banal vida cotidiana de Paris e o tempo do amor. Este ressoa inevitavelmente no lugar onde foi vivido; basta ter olhos e ouvidos para captar o recado da pedra.

O povo judeu é, de fato, uma presença constante nos livros e filmes de Marguerite Duras. Em primeiro lugar, é o povo da palavra, das sagradas escrituras, do Velho Testamento, que Duras considera como o “Texto dos textos”. Em segundo lugar, é o povo do sofrimento, de uma dor sagrada que o torna digno de um respeito quase religioso. Se em Césarée os judeus são situados no tempo de opressão pelo Império Romano, Aurélia Steiner (Melbourne) (1979) e Aurélia Steiner (Vancouver) (1979) têm lugar no tempo contemporâneo, do holocausto imposto pelos nazistas aos judeus.


Aurélia Steiner (Melbourne) (1979) França, 35 min, cor

Direção: Marguerite Duras
Produção: Paris Audiovisuel
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Pierre Lhomme

Som: Michel Vionnet
Edição: Geneviève Dufour

Voz: Marguerite Duras

Aurélia Steiner (Melbourne) é constituído basicamente de travellings capturados ao longo do rio Sena, em Paris. Os ritmos da geometria das pontes, as texturas da luz nas águas e planos da catedral de Notre-Dame criam uma série de jogos visuais.

Agatha ou les lectures illimitées (Agatha ou as leituras ilimitadas) (1981) França, 90 min, cor

Direção: Marguerite Duras
Produção: Berthemont, I.N.A, Des femmes filment
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Dominique Lerigoleur, Jean-Pierre Meurisse
Som: Michel Vionnet
Música: Valsas de Brahms
Edição: Françoise Belleville
Vozes: Marguerite Duras e Yann Adréa
Atores: Bulle Ogier e Yann Andréa

Um homem e uma mulher, irmão e irmã, rememoram os momentos de seu amor incestuoso, antes de se separarem definitivamente. “Tudo é tão confuso”, diz ela, “sim, acho que vou embora devido à força desse amor tão terrível que temos um pelo outro” (Agatha, p. 11). No diálogo, vemos construir-se o filme de um passado irrecuperável, que se faz presente pela palavra.

O incesto é também uma forma de amor que Marguerite afirma ter vivido. Ela estava na França quando seu irmão, que permanecera na Indochina com a mãe, morreu durante a guerra, por falta de medicamentos. O desespero com que recebeu a notícia – ela conta que batia a cabeça contra a parede, queria se matar – a convenceu de que havia amado seu irmão. A partir dessa experiência, ela reflete que “o incesto é a coincidência entre o amor e o laço de parentesco. Todo amor, na realidade, busca recuperar esse laço fundamental”.

O filme incorpora no elenco, pela primeira vez, Yann Andréa Steiner, algumas décadas mais jovem que ela, mas que se torna o seu companheiro nos últimos dezesseis anos de sua vida. Ele voltará à tela em seu próximo filme, L'homme atlantique.

L’homme atlantique (O homem atlântico) (1981) França, 42 min, cor e p&b

Direção: Marguerite Duras
Produção: Berthemont, I.N.A, Des femmes filment
Roteiro: Marguerite Duras

Fotografia: Dominique Lerigoleur, Jean-Pierre Meurisse
Som: Michel Vionnet
Música: Brahms
Edição: Françoise Belleville
Voz: Marguerite Duras
Ator: Yann Andréa

A voz de Marguerite Duras fala a alguém, indica-lhe como num roteiro os gestos que deve cumprir, e assim quando percebe, fez-se o cinema. Diante de nossos olhos, a tela negra. Duras busca acessar aquilo que chama de “voz interior da leitura”, e evidenciar diante dos nossos olhos algo que é anterior à própria visão de um filme: sua criação interna, a imaginação antes da imagem.

Cerca de dois terços da duração do filme se passam com a tela negra, entrecortada por inserções de planos gravados na casa de Duras, na Normandia, diante do mar. Essas imagens, com simples mas ardilosos jogos de espelho ou o movimento perpétuo das ondas no mar.

Trata-se, portanto, de uma das obras mais radicais de Marguerite Duras em sua desconstrução do cinema. É quase uma instalação audiovisual que invade a sala de projeção, sua tela, um limite além do qual não é possível ultrapassar sem eliminar completamente o cinema do cinema.

Ao mesmo tempo, Marguerite estabelece o contraste preciso que ressalta a estrutura da relação entre o cinema e a literatura. Ela dizia que “o cinema golpeia de morte sua descendência, a imaginação”, ou seja, ao propor uma imagem ao espectador elimina suas infinitas possibilidades de imaginar a cena. Estas são próprias da leitura, da literatura, e ela traz para o filme de maneira que só seria possível numa obra cinematográfica.

Afinal, é ainda cinema este filme? A resposta só pode ser paradoxal: é e não é, ou ainda, já não é cinema e ao mesmo tempo não pode ser outra coisa senão cinema, sem possibilidade de uma decisão definitiva que não se paute numa concepção prévia e fechada do que seja essa arte.

Les enfants (As crianças) (1984) França, 90 min, cor

Direção: Marguerite Duras, Jean Mascolo, Jean-Marc Turine
Produção: Berthemont, Ministério da Cultura (FRA)
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Bruno Nuytten
Som: Michel Vionnet
Música: Carlos d’Alessio
Edição: Françoise Belleville
Atores: Axel Bougosslavsky (Ernesto), Daniel Gélin (Enrico), Tatiana Moukhine (Natasha), Martine Chevalier (Nicole), André Dussollier (Diretor da escola), Pierre Arditi (Jornalista)

Ernesto é um menino, filho de imigrantes (mãe russa e pai italiano), que mora num subúrbio pobre de Paris. Seu desenvolvimento incomum (aos 12 anos tem o aspecto de um homem de 40) a princípio não chama a atenção. Ele encontra um livro com um furo redondo no meio e, sem nunca ter aprendido, o lê – é a história de reis judeus. Um dia diz a seus pais que não voltará à escola, pois ali “ensinam coisas que ele não sabe”. Temendo as penas legais por não manter o filho na escola, os pais vão conversar com o diretor, que ainda não havia notado o tamanho incomum de Ernesto. A fala do diretor é precisa: “nenhuma criança quer ir à escola, elas são forçadas”. Ao conversar com Ernesto, no entanto, surpreende-se, não consegue convencê-lo com seus argumentos, e se torna quase um discípulo dele.

Ernesto desenvolve então seu método peculiar para saber as coisas. Ele espera na saída dos colégios para ouvir o que dizem os estudantes. Algum tempo depois: ele sabe. Esgotado o conhecimento escolar, começa a explorar as saídas de universidades, até que um dia ele consegue completar o conhecimento acumulado pela humanidade. Torna-se famoso, e um jornalista o procura, para ouvir o que ele, que tudo sabe, tem a dizer. Ele então cita o Eclesiastes: “Tudo é vaidade de vaidade” e sumariamente sentencia sobre as coisas do mundo: “Não vale a pena”.

Les enfants assinala o retorno de Marguerite Duras a uma narrativa que se pode considerar rellinear de seus primeiros romances, porém, com um enredo fantástico e alegórico. Em seguida, ela publica o romance A chuva de verão, em que desenvolve a história de Ernesto, seus irmãos e irmãs. Isto marca também o que se pode considerar como o último momento na relação de Duras com a realidade social e com a sua concepção política. Em India Song e Son nom de Venise dans Calcutta désert, a não-adaptação do Vice-cônsul a uma realidade de horror torna-se trágica quando confrontada com o amortecimento da sensibilidade da decadente sociedade colonial. Em O caminhão a tragicidade se dilui numa estrutura fragmentária e cíclica, em que já se declara a impossibilidade de uma salvação para o mundo: que ele se perca é “a única política possível”. Agora, o gesto fundamental desta figura profética de Ernesto é o gesto alegórico em que se afirma uma indiferença ainda mais fundamental: tudo é “vaidade de vaidade”.

Os pais têm algum tipo de retardo que os torna sensíveis à realidade singular de seu filho; de algum modo, eles se comunicam, sobretudo a mãe. Ela perdeu praticamente toda a memória de seu próprio passado, salvo pelo nome de um antigo amor e por uma canção de sua terra de origem. Os diálogos do filme transitam, portanto, entre o conhecimento de tudo e a ignorância absoluta – dois extremos que afinal se tocam em algum ponto em que o espectador não pode exatamente discernir. E do silêncio luminoso e lento, surgem traços de cômico que, no entanto, não chegam a se completar.


Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

O Cinema de Marquerite Duras


A Sala P. F. Gastal integra-se ao circuito de programações que marcam a passagem do Ano da França no Brasil e recebe a partir da próxima sexta-feira, dia 1º de maio, a mostra Marguerite Duras: Escrever Imagens, que se estende até o dia 7 de maio.


Embora no Brasil seja mais conhecida como escritora (autora de livros como Moderato Cantabile e O Amante), a francesa Duras ganhou notoriedade como roteirista do clássico Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais (1959), realizando a seguir vários filmes como diretora durante as décadas de 60, 70 e 80. Nunca lançados comercialmente no país, parte dos filmes de Duras poderão ser finalmente conhecidos pelos espectadores porto-alegrenses.

O cinema de Marguerite Duras caracteriza-se por imagens de intensa beleza fotográfica e uma câmera que costuma investigar os espaços como num documentário. Além disso, o cinema de Duras propõe experiências novas em relação à utilização do som como elemento dramático. Em seus filmes, sons e imagens não apenas se confirmam numa narrativa, mas criam situações de disjunção, com relações inusitadas cujo sentido cabe ao espectador solucionar. Caso de India Song, com Delphine Seyrig e Michael Lonsdale, no qual há personagens que são apenas vozes, que assistem ao filme como nós, apaixonam-se pelas histórias das personagens em cena, mas jamais são vistos. Imagens e diálogos colocam o espectador diante de uma história de amor louco, em meio ao horror de uma Índia assolada pela lepra, pela miséria e pela fome. Em Aurélia Steiner (Melbourne), a fala de uma menina judia que sobreviveu aos campos de concentração se sobrepõe a imagens do movimento lento das águas e das pontes, dos barcos e do entorno do rio Sena, em Paris. Já em Césarée, as imagens são como ensaios fotográficos de estátuas no jardim das Tuilleries, diante do palácio do Louvre, em Paris, enquanto ouvimos a história de um imperador romano que sacrifica, por razões de Estado, seu amor por uma rainha.

Como diz a pesquisadora de cinema Stella Senra no catálogo da mostra "desde Hiroshima Meu Amor (1959), a autora investiga no cinema aquilo que é impossível ver. Na cena inicial, a atriz francesa, que está em Hiroshima gravando “um filme sobre a paz” e vive uma noite de amor com um arquiteto japonês, afirma que “viu tudo” sobre Hiroshima; e o seu amante responde que ela “nada viu”: todas as fotos, reconstituições, desenhos, objetos conservados após a destruição pela bomba, nada disso permite ver o verdadeiro horror da bomba. As imagens reduzem: só a palavra restitui a cada um a possibilidade de imaginar e viver aquilo que, na realidade, é impossível ver. E é, paradoxalmente, com o que não se pode ver que Duras faz o seu cinema."

A mostra Marguerite Duras: Escrever Imagens já passou por São Paulo e Rio de Janeiro, e tem curadoria de Maurício Ayer, que é doutor em Literatura Francesa pela Universidade de São Paulo e Universidade de Paris 8, com tese sobre as conexões entre literatura, teatro, cinema e música na obra de Duras.

Todos os filmes serão exibidos em cópias em 35mm, com legendas eletrônicas em português.

FILMES PROGRAMADOS

Agatha ou As Leituras Ilimitadas (Agatha ou les Lectures Illimitées, 1981, 90 minutos, colorido, cópia em 35mm)

Aurélia Steiner (Melbourne) (1979, 35 minutos, colorido, cópia em 35mm)

Césarée (1979, 11 minutos, colorido, cópia em 35mm)

Destruir, Disse Ela (Détruire, dit-elle, 1969, 90 minutos, preto e branco, cópia em 35mm)

As Crianças (Les Enfants, 1985, 94 minutos, colorido, cópia em 35mm)

O Homem Atlântico (L'Homme Atlantique, 1981, 42 minutos, colorido, cópia em 35mm)

India Song (1975, 120 minutos, colorido, cópia em 35mm)

GRADE DE HORÁRIOS

Sexta-feira (1º de maio)

15h – Destruir, Disse Ela
17h – As Crianças
19h – Destruir, Disse Ela

Sábado (2 de maio)

15h – As Crianças
17h – Destruir, Disse Ela
19h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas

Domingo (3 de maio)

15h – Destruir, Disse Ela
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – India Song


Terça-feira (5 de maio)

15h – India Song
17h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melourne)
19h – India Song

Quarta-feira (6 de maio)

15h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
17h – India Song
19h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)

Quinta-feira (7 de maio)

15h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – As Crianças

Segue até dia 30 de Abril a Mostra Black


Até dia 30 de Maio segue a exibição de filmes da mostra Black - confira a Grade atualizada




Terça-feira (28 de abril)

15h – Super Fly
17h – Panteras Negras + Foxy Brown
19h – Vida Nova Por Acaso

Quarta-feira (29 de abril)

15h – Rififi no Harlem
17h – Um Culpado Ideal
19h – Heavy Traffic

Quinta-feira (30 de abril)

15h – Panteras Negras + Foxy Brown
17h – Compasso de Espera
19h – Vida Nova Por Acaso

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Aenção! Errata Programação Black

A exibição do filme The Thing With Two Heads, de Lee Frost, programado para o projeto Raros na próxima sexta-feira, 24 de abril, foi cancelada, em função de atraso na chegada da cópia. O filme será reprogramado e terá seu novo horário oportunamente divulgado. Abaixo, os horários da mostra Black para o próximo final de semana.


Sexta-feira (24 de abril)

15h – Alma no Olho + Compasso de Espera
17h – Panteras Negras + Foxy Brown
19h – Filmes de Isaac Julien

Sábado (25 de abril)

15h – Sweet Sweetback´s Baadasssss Song
17h – Filmes de Isaac Julien
19h –
One Plus One

Domingo (26 de abril)

15h – Curtas de Zózimo Bulbul
17h – Filmes de Isaac Julien
19h – Panteras Negras + Foxy Brown

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

ANTUNES FILHO NA SALA P. F. GASTAL

ANTUNES FILHO NA SALA P. F. GASTAL

A programação da mostra Black, em cartaz na Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro), tem entre as suas atrações neste final de semana pelo menos um título imperdível, o longa-metragem brasileiro Compasso de Espera, dirigido por Antunes Filho em 1973. Considerado o mais importante diretor teatral do Brasil, Antunes aventurou-se uma única vez na direção cinematográfica, e o resultado poderá ser conferido neste sábado, dia 18 de abril, na sessão das 17h, no cinema localizado no terceiro andar da Usina do Gasômetro.

O filme narra a história de um jovem poeta negro que tem um romance com uma moça de família aristocrática. Para fugir das críticas eles se refugiam em uma praia distante, mas os pescadores locais também desaprovam o romance. Diante de tantas pressões, a moça parte para a Europa e o poeta se sente perdido numa sociedade na qual não consegue se inserir. Uma autêntica raridade, Compasso de Espera é visto pela crítica como um dos filmes que abordou de maneira mais contundente a questão do racismo no Brasil, permanecendo ainda bastante atual, passados quase 40 anos de sua realização. Embora nunca mais tenha se dedicado ao cinema, Antunes Filho é reconhecido como grande cinéfilo. Além de freqüentador assíduo das salas, possui uma enorme coleção pessoal de DVDs e está sempre interessado em descobrir novos diretores e cinematografias.

No elenco de Compasso de Espera, Zózimo Bulbul, Renée de Vielmond, Karin Rodrigues e Antônio Pitanga.


A sessão será antecedida pelo curta Alma no Olho, dirigido por Zózimo Bulbul.


Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

VAMPIRO NEGRO NO RAROS

O projeto Raros da Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar) exibe na próxima sexta-feira, dia 17 de abril, às 19h (atenção ao novo horário das sessões do Raros, não mais às 21h), Blacula, de William Crain, produção de 1972 sobre vampiro negro que aterroriza as ruas de Los Angeles. Blacula integra a programação do projeto Black, inaugurado pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura na última terça-feira, que está apresentando diversos filmes que ilustram a contribuição da cultura negra para o cinema.

A trama do filme de William Crain adapta para o contexto americano do início da década de 70 algumas das principais situações do clássico romance Drácula, de Bram Stoker. Em 1780, ao visitar o Conde Drácula na Transilvânia, príncipe africano é atacado pelo vampiro e seu corpo permanece trancafiado em um caixão nos porões do castelo. Duzentos anos depois, após a venda do espólio de Drácula, o caixão vai parar em um depósito em Los Angeles. Logo os habitantes da cidade passam a sofrer os ataques de um vampiro negro. Na época de seu lançamento, o sucesso de Blacula foi tão grande que o filme logo ganharia uma continuação, Scream, Blacula, Scream, de 1973, com Pam Grier no elenco. Hoje, as duas produções, embora não consigam mais provocar sustos nos espectadores, adquiriram o status de filmes de culto.

Blacula será exibido numa cópia em DVD, com diálogos em inglês e legendas em espanhol. A sessão será comentada pelo jornalista Zeca Azevedo, especialista em cultura black. A entrada é franca.

Blacula, de William Crain (EUA, 1972, 92 minutos).

Com William Marshall, Denise Nicholas e Vonetta McGee.
Colorido.

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

ONDA NEGRA NA USINA

A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia daSecretaria Municipal da Cultura inaugura na próxima semana, dia 14 de abril, um de seus projetos mais ambiciosos do ano. Intitulado simplesmente Black, este evento, que compreende uma mostra reunindo 25 filmes e uma exposição fotográfica, foi inspirado pela recente e histórica eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.

Segundo o Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, Bernardo de Souza, “o ineditismo e a bravura da escolha feita pelos norte-americanos nos levou a mapear a produção audiovisual e fotográfica desenvolvida sob o signo da black culture, voltando nossa atenção particularmente para a obra de artistas e cineastas originada no hemisfério norte, na busca de melhor compreender a experiência racial travada naquelas nações, cujos desdobramentos sociais se mostraram radicalmente diversos dos nossos”.

FOTOGRAFIA

No projeto Black a fotografia está representada pelo inglês Jason Evans, cujas obras em exibição na Galeria Lunara (no quinto andar da Usina do Gasômetro) foram realizadas em 1991. Publicadas na revista i-D, as fotos de Evans mostram uma série de dândis negros na periferia de Londres. Transformadas em um emblemático registro do multiculturalismo londrino, as imagens hoje fazem parte da prestigiosa coleção da Tate Gallery, que as estão cedendo especialmente para a exposição na Lunara.

Jason Evans é colaborador de diversos jornais e revistas, como o The Guardian, o Independent, a Vogue e a The Face, entre outras. Suas imagens já foram expostas no MoMA NY, no Victoria & Albert Museum, na Tate Modern, entre outros espaços de arte. A obra do fotógrafo faz parte das coleções da British Library e das já citados Tate e V&A. Ele é professor da University for the Creative Arts, no Reino Unido, e seu trabalho já integrou diversas publicações das editoras Taschen e Phaidon.

No dia 16 de abril, quinta-feira, às 19h, na Galeria Lunara, acontecerá o coquetel de abertura da exposição.

MOSTRA DE FILMES

A mostra de filmes do evento Black tem uma curadoria tripla, assinada por Bernardo de Souza, Leornardo Bomfim e Marcus Mello, e reúne uma série de títulos Blaxploitation, movimento cinematográfico de características muito particulares, surgido nos EUA na década de 1970. Os filmes alinhados a este movimento eram dirigidos e/ou protagonizados por cineastas e atores negros, tendo como alvo prioritário a audiência da comunidade black. Surgido em um contexto de extrema politização, marcado por lutas em prol dos direitos civis dos negros e pela atuação do grupo radical Panteras Negras, o Blaxploitation logo se transformaria em sucesso internacional. Criado por diretores como Melvin Van Peebles, Gordon Parks e Jack Hill, cujos filmes lançaram as carreiras das estrelas negras Pam Gier (Foxy Brown), Richard Roundtree (Shaft), Tamara Dobson (Cleopatra Jones) e Fred Williamson (O Chefão do Gueto), o Blaxploitation influenciou inúmeras cinematografias e ainda hoje seus reflexos podem ser percebidos.

Além destes filmes, a mostra irá apresentar filmes de artistas negros de grande expressão, cujas obras abordam questões raciais – como as de Isaac Julien, que se debruçou sobre o tema em uma série de filmes e vídeo-instalações que lhe renderam o posto de destaque que hoje ocupa no cenário internacional – ou mesmo desbordam esses limites, caso do artista britânico Steve McQueen, vencedor do Turner Prize em 2001 e participante da última Bienal do Mercosul, que integra o presente projeto com seu primeiro longa-metragem, Hunger, inédito no Brasil e incensado pela revista Cahiers du Cinéma como um dos dez melhores filmes de 2008.

Também serão exibidos títulos nacionais pioneiros na abordagem racial, assinados pelos diretores negros Zózimo Bulbul e Odilon Lopez, também na década de 1970. Por fim, foram pinçados filmes de nomes consagrados do cinema, como os belgas Agnès Varda e Jean-Luc Godard, que encontraram no grupo radical Panteras Negras fonte de inspiração para alguns de seus trabalhos mais politizados.

Programação Mostra de Filmes

Hunger, de Steve McQueen (Inglaterra/Irlanda, 2008, 96 minutos). As seis últimas semanas de vida do militante do IRA Bobby Sands, que morreu na prisão em 1981, em consequência dos efeitos provocados por uma greve de fome. Primeiro longa-metragem de ficção do artista negro Steve McQueen, ainda inédito no Brasil. Duas únicas exibições em 35mm, nos dias 25 e 31 de maio.

Rififi no Harlem (Cotton Comes To Harlem), de Ossie Davis (EUA, 1970, 96 minutos). Um dos filmes mais influentes do movimento Blaxploitation, Rififi no Harlem destacou-se por introduzir o humor nas cenas de ação. Dois detetives investigam um esquema envolvendo lavagem de dinheiro e outros crimes.

Heavy Traffic, de Ralph Bakshi (EUA, 1973, 77 minutos) – legendas em espanhol. Rara animação black, sobre cartunista judeu-italiano que tem uma namorada negra na Nova Iorque dos anos 70.

Sweet Sweetback´s Baadasssss Song, de Melvin Van Peebles (EUA, 1971, 97 minutos). Obra-prima precursora do movimento Blaxpoitation, que impressiona pela originalidade e transformou Melvin Van Peebles em ícone do cinema independente. O próprio diretor interpreta o protagonista, um jovem garanhão desejado pelas mulheres e temido pelos inimigos.

O Chefão do Gueto (Black Caesar), de Larry Cohen (EUA, 1973, 94 minutos). Clássico do Blaxpoitation, este drama violento acompanha a ascensão e queda de um gângster.

Shaft, de Gordon Parks (EUA, 1971, 100 minutos). O detetive John Shaft é contratado por um chefão do crime organizado para encontrar sua filha, que foi raptada.

Super Fly, de Gordon Parks Jr. (EUA, 1972, 93 minutos) – legendas em espanhol. Traficante de cocaína entra em crise com sua profissão ao perceber que a atividade pode levá-lo em breve à prisão ou à morte.

Foxy Brown, de Jack Hill (EUA, 1974, 94 minutos) – legendas em espanhol. A bela e sensual Foxy Brown busca vingar a morte do namorado, um agente do governo federal assassinado por um casal de gângsters. Filme que consagrou a atriz negra Pam Grier e inspirou Quentin Tarantino no roteiro de Kill Bill.

One Plus One, de Jean-Luc Godard (França, 1968, 97 minutos). Também conhecido como Sympathy for the Devil, este filme de Godard propõe, através de uma série de vinhetas abstratas, temas diversos como raça, pornografia e contracultura.

Negros – A Identidade no Coração da Questão Negra (Noirs, l'Identité au Cœur de la Question Noire), de Arnaud Ngatcha e Jérôme Sesquin (França, 2006, 70 minutos). Filmado na França metropolitana, nas Antilhas e no Senegal, este documentário introduz a questão negra que se apresenta hoje na França.

Panteras Negras (Black Panthers), de Agnès Varda (França, 1968, 28 minutos). Documentário em que a diretora francesa Agnès Varda entrevista alguns dos principais líderes do grupo radical negro Panteras Negras.

Um Culpado Ideal (Un Coupable Ideal), de Jean-Xavier de Lestrade (França, 2002, 115 minutos). Maio de 2000. Em Jacksonville, uma turista branca é morta com um tiro na cabeça. Um jovem negro de 15 anos é preso e confessa o crime. Oscar de melhor documentário de 2002.

O Retorno de Sweetback (How to Get the Man´s Foot Outta Your Ass), de Mario Van Peebles (EUA, 2003, 108 minutos). Os bastidores da realização do mítico filme Sweet Sweetback´s Baadasssss Song, de Melvin Van Peebles, de 1971, precursor do movimento Blaxploitation. Dirigido e protagonizado pelo filho de Van Peebles, Mario Van Peebles, que interpreta o personagem do pai.

Filmes de Isaac Julien

The Attendant (Inglaterra, 1992, 8 minutos)
As fantasias homoeróticas de um velho funcionário negro que trabalha em um museu de Londres.

The Darker Side of Black (Inglaterra, 1993, 55 minutos)
Documentário sobre o preconceito de cantores de rap e reggae contra gays e lésbicas.

Baadasssss Cinema (Inglaterra/Estados Unidos, 2002, 58 minutos)
Documentário que recupera os principais momentos do movimento cinematográfico conhecido como
Blaxploitation, entrevistando alguns de seus principais protagonistas.

Blacula, de William Crain (EUA, 1972, 92 minutos) – legendas em espanhol. Vampiro negro aterroriza as ruas de Los Angeles. Única exibição no projeto Raros, no dia 17 de abril, às 19:00.

The Thing With Two Heads, de Lee Frost (EUA, 1972, 93 minutos) – legendas em inglês. Milionário racista tem sua cabeça transportada para o corpo de um negro. Única exibição no projeto Raros, dia 24 de abril, às 21:00.

Compasso de Espera, de Antunes Filho (Brasil, 1973, 98 minutos). Um poeta negro vive com a proprietária de uma agência de publicidade, branca e mais velha do que ele. Um dia, conhece e se apaixona por uma jovem, também branca. Único filme dirigido por Antunes Filho, com Zózimo Bulbul, Renée de Vielmond, Stênio Garcia e Antônio Pitanga no elenco.

Vida Nova Por Acaso, de Odilon Lopez (Brasil, 1970, 48 minutos). A paixão impossível de um negro batedor de carteiras por uma loura ricaça. Um dos episódios de Um é Pouco, Dois é Bom, primeiro longa-metragem brasileiro assinado por um diretor negro, Odilon Lopez.

Curtas de Zózimo Bulbul

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, o olhar do cineasta Zózimo Bulbul sempre esteve direcionado ao registro da vivência do povo negro. Sua obra cinematográfica denuncia as diferenças, a solidão, a discriminação e a desigualdade que a população negra vivencia no Brasil.

República Tiradentes (2005, 36 minutos)
Uma homenagem à origem das gafieiras.

Pequena África (2002, 14 minutos)
Pequena África apresenta a Praça XI, a Central do Brasil, Gamboa, Saúde e bairro de Santo Cristo de hoje, e que eram conhecidos nos idos de 1850 até
1920 como "Pequena África", por terem sido locais habitados por escravos alforriados no período imperial e depois deste.

Samba no Trem (2005, 18 minutos)
Documentário sobre a celebração do Dia Nacional do Samba.

Alma no Olho (1973, 11 minutos)
Um estudo sobre a transposição do africano para as Américas.

Aniceto do Império – Em Dia de Alforria (1981, 11 minutos)
A trajetória de um compositor, fundador de uma escola de samba e militante no Cais do Porto, Aniceto do Império Serrano.

Grade de Horários - Black

GRADE DE HORÁRIOS

Primeira Semana

Terça-feira (14 de abril)

15h – Rififi no Harlem

17h – Foxy Brown

19h – Super Fly

Quarta-feira (15 de abril)

15h – O Chefão do Gueto

17h – Shaft

19h – Alma no Olho + Compasso de Espera

Quinta-feira (16 de abril)

15h – Foxy Brown

17h – Heavy Traffic

19h – Sweet Sweetback’s Baadasssss Song

Sexta-feira (17 de abril)

15h – Super Fly

17h – O Retorno de Sweetback

19h – Projeto Raros (Blacula)

Sábado (18 de abril)

15h – Rififi no Harlem

17h – Alma no Olho + Compasso de Espera

19h – One Plus One

Domingo (19 de abril)

15h – O Chefão do Gueto

17h – Sweet Sweetback´s Baadasssss Song

19h – O Retorno de Sweetback

Segunda Semana

Terça-feira (21 de abril)

15h – Panteras Negras + Foxy Brown

17h – Filmes de Isaac Julien

19h – Um Culpado Ideal

Quarta-feira (22 de abril)

15h – Shaft

17h – Rififi no Harlem

19h – Curtas de Zózimo Bulbul

Quinta-feira (23 de abril)

15h – Super Fly

17h – Negros – A Identidade no Coração da Questão Negra

19h – Filmes de Isaac Julien

Sexta-feira (24 de abril)

15h – Alma no Olho + Compasso de Espera

17h – Panteras Negras + Foxy Brown

19h – Filmes de Isaac Julien

21h – The Thing With Two Heads (Projeto Raros)

Sábado (25 de abril)

15h – Sweet Sweetback´s Baadasssss Song

17h – Filmes de Isaac Julien

19h – One Plus One

Domingo (26 de abril)

15h – Curtas de Zózimo Bulbul

17h – Filmes de Isaac Julien

19h – Panteras Negras + Foxy Brown

Terceira Semana

Terça-feira (28 de abril)

15h – Super Fly

17h – Panteras Negras + Foxy Brown

19h – Alma no Olho + Vida Nova Por Acaso

Quarta-feira (29 de abril)

15h – Rififi no Harlem

17h – Um Culpado Ideal

19h – Heavy Traffic

Quinta-feira (30 de abril)

15h – Panteras Negras + Foxy Brown

17h – Curtas de Zózimo Bulbul

19h – Alma no Olho + Vida Nova Por Acaso

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Mostra de filmes experimentais é apresentada na Usina do Gasômetro

Entre os dias 08 e 12 de abril serão exibidos na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro em Porto Alegre, os filmes do projeto Dois Vazios,concebidos e produzidos por quatro artistas contemporâneos brasileiros – dois residentes no Rio Grande do Sul - André Severo e Paula Krause - e dois em Pernambuco - Marcelo Coutinho e Ismael Portela. O coquetel de abertura da mostra acontece no dia 08 de abril, às 19h, com a presença dos artistas.

Os filmes que integram a mostra são: “Vigília”, de André Severo; “Cabeça de Peixe”, de Ismael Portela; “Ô”, de Marcelo Coutinho; e “Siempre.”, de Paula Krause. Confira abaixo a programação completa.

A exibição dos filmes do projeto Dois Vazios marca também o início oficial das atividades da NAU Produtora em Porto Alegre, que assume a produção das próximas ações do projeto. Além dos artistas André Severo e Paula Krause, a equipe da NAU Produtora é formada por Bruna Fetter, Eduardo Saorin e Michelle Sommer. A NAU propõe-se a desenvolver seus próprios projetos culturais e atender demandas apresentadas por instituições, artistas e pensadores independentes.

Programação

Dois Vazios – mostra de filmes

De 08 a 12 de abril de 2009

Coquetel de abertura da mostra: 08 de abril, às 19h.

Quarta-feira (8 de abril), 19h – Abertura da Mostra, com coquetel e presença dos artistas André Severo, Marcelo Coutinho e Paula Krause. Apresentação dos filmes Siempre, de André Severo e Paula Krause (29 min), Ô, de Marcelo Coutinho (39 min) e Cabeça de Peixe, de Ismael Portela (15min), com a presença dos artistas


Quinta-feira (9 de abril), 19h – Apresentação do filme Vigília, de André Severo (150 min)

Sexta-feira (10 de abril), 17h – Apresentação dos filmes Siempre, de André Severo e Paula Krause (29 minutos), Ô, de Marcelo Coutinho (39 minutos) e Cabeça de Peixe, de Ismael Portela (15 minutos)

Sábado (11 de abril), 19h – Apresentação do filme Vigília, de André Severo (150 minutos)

Domingo (12 de abril), 19h – Apresentação dos filmes Siempre, de André Severo e Paula Krause (29 minutos), Ô, de Marcelo Coutinho (39 minutos) e Cabeça de Peixe, de Ismael Portela (15 minutos)

Sobre os artistas

ANDRÉ SEVERO – Nascido em 1974, em Porto Alegre, RS. André Severo vive e trabalha em Porto Alegre. Mestre em poéticas visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou, em 2000, ao lado de Maria Helena Bernardes, as atividades de AREAL,projeto que se define como uma ação de arte contemporânea deslocada que, partindo de descampados físicos e conceituais expandidos e transitando entre a concretude do cenário natural e a intangibilidade da produção artística, entre o deslocamento do corpo sobre a paisagem e o trânsito do pensamento por contextos e culturas distintas, configura uma aposta em situações transitórias capazes de desvincular a ocorrência do pensamento contemporâneo dos grandes centros urbanos e de suas instituições culturais. Em 2004 publicou Consciência errante, quinto volume da série Documento Areal que busca contribuir com o eixo das reflexões contemporâneas sobre o estabelecimento de um intenso diálogo a respeito das fronteiras que conformam os processos de conhecimento que possibilitam a existência da arte.

ISMAEL PORTELANascido em 1962, em Recife, PE. Ismael Portela vive e trabalha em Olinda. Formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco. Desde os anos 90 desenvolve trabalhos de escultura, instalação, vídeo e vídeo instalação que travam um forte diálogo com o ambiente do nordeste do Brasil. Sua pesquisa artística gira em torno do intercâmbio geográfico e cultural e revigora o tema da transformação das formas imediatas de associação entre arte e realidade. Co-fundador do grupo Camelo, Ismael Portela realizou pesquisas que propiciavam a troca de informações e a divulgação pública de experiências artísticas e reflexivas que se inclinavam a tratar a problemática da produção e disseminação artística atuais. Participou de várias mostras no Brasil e no exterior, entre as quais o Projeto Rumos Visuais – Itaú Cultural: Vertentes Contemporâneas em 2001, o Panorama da Arte Brasileira MAM-SP em 2001 e o Projeto Avenida Liberdade, Museu Het Domein, Holanda.

MARCELO COUTINHO – Nascido em 1968, em Campina Grande , PB, Marcelo Coutinho vive e trabalha em Recife. Formou-se em Artes Plásticas, é professor do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE e Mestre em Comunicação pela mesma universidade. A partir de 1997, seu trabalho concentrou-se em torno da criação de palavras que procuram definir sensações avessas ao código pré-estabelecido da língua herdada. Foi artista contemplado com a Bolsa de Fomento a Pesquisa em Artes Visuais FUNDARPE, PE em 2005, desenvolvendo o vídeo RAAR, no qual percorreu todo o circuito degradado da antiga ferrovia Great Western no estado de Pernambuco. Em 2004 foi a rtista contemplado com a Bolsa Vitae de Artes Fundação Vitae, SP desenvolvendo o vídeo Arra-Alexandria que teve como paisagem a cidade de Alexandria, alto sertão do Rio Grande do Norte. Atualmente é doutorando do Programa de Pós Graduação em Poéticas Visuais da UFRGS.


PAULA KRAUSE – Nascida em 1977, em Canela, RS. Paula Krause vive e trabalha em Porto Alegre. Artista, pequisadora e mestre em poéticas visuais pelo PPGAV do Instituto de Artes da UFRGS. Vem desenvolvendo uma pesquisa em performance da qual o resultado mais recente é uma compilação de vídeos editados a partir de ações por ela realizadas. Sua dissertação, intitulada Auto-experiência: a prática artística como imagem, projeção e intuição de si, foi realizada a partir de experiências calcadas na transformação permanente do pensamento e do gesto artístico que incitam ao fundamento de um envolvimento mais estreito consigo, com a arte e com o outro e teve por objeto de estudo experiências corporais que migravam da fixidez objetual ou expositiva para um campo aberto da ação artística performatizada Também participa do grupo de pesquisa Veículos da Arte - CNPq, coordenado pelo Prof. Dr. Hélio Fervenza – UFRGS.

SALA P. F. GASTAL RECEBE MOSTRA DE ANIMAÇÃO

A Sala P. F. Gastal recebe a partir de terça-feira, dia 7 de abril, uma mostra de animação, que acontece paralelamente à realização do 17º Salão Internacional de Desenho para Imprensa, em exposição na Galeria dos Arcos da Usina do Gasômetro até 26 de abril. A mostra é uma iniciativa da ABCA-RS (a unidade local da Associação Brasileira do Cinema de Animação) e da Grafar, e tem o apoio das produtoras Cartunaria e Otto Desenhos Animados. Até domingo, dia 14, o público poderá assistir a cinco programas diferentes, em sessões sempre com entrada franca. A mostra de animação divide horários com a programação Dois Vazios.

Entre as atrações, o primeiro longa-metragem de Otto Guerra, Rocky & Hudson, de 1994, inspirado nas populares tiras do cartunista Adão Iturrusgarai, que há muito tempo não é exibido nos cinemas e será apresentado em uma nova cópia em 35mm (o filme permanece inédito em DVD); um programa com trabalhos de novos nomes que estão se lançando na animação local, um programa de curtas adultos e dois programas destinados especialmente ao público infanto-juvenil. Confira abaixo detalhes de toda a programação.

Entrevistas sobre a mostra podem ser agendadas com Lisandro Santos, pelos telefones 9287-0958 e 3012-9525.

PROGRAMAÇÃO

PROGRAMA 1

Rocky & Hudson, de Otto Guerra, antecedido do curta A Moça que Dançou Depois de Morta, de Ítalo Cajueiro.

A Moça que Dançou Depois de Morta, de Ítalo Cajueiro (2003, 11 minutos)

Baseado em uma história de cordel de J. Borges, renomado artista popular, e produzido inteiramente com xilogravuras originais do próprio autor. Rapaz se apaixona por uma misteriosa moça num baile de Carnaval do interior, sem saber que este encontro irá mudar sua vida para sempre.

Rocky & Hudson, de Otto Guerra (1994, 63 minutos)

Duas histórias inspiradas nas tiras do cartunista Adão Iturrusgarai, estreladas pela dupla de cowboys gays Rocky & Hudson.


PROGRAMA 2 - ANIMAÇÕES INFANTO-JUVENIS
(56 minutos)

Leonel Pé-de-Vento, de Jair Giacomini (15’). Leonel nasceu pé-de-vento e por isso vive isolado. Quando Marina se aproxima dele, os dois descobrem a importância da amizade e da convivência com as diferenças.

Lúmen, de Wilian Salvador (4’). Um inventor em crise tem uma idéia que parece ser a solução perfeita para seus problemas.

Relacionamentos, de Gordeeff (5’). Uma abordagem animada de alguns tipos de relacionamentos. Relacionar-se quase nunca é fácil...

A Noite do Vampiro, de Alê Camargo (6’). Um vampiro tenta dormir em sua morada, mas um terrível predador se aproxima.


Os Olhos do Pianista, de Frederico Pinto (5’). Em um cinema mudo, pianista cego executa trilhas ao vivo com a ajuda de sua neta.

Devoção, de Rafael Ferreira (11’). Uma jovem muito devota freqüenta uma igreja no interior. Seu rosto sempre coberto por um véu desperta curiosidade, gerando boatos e excitando a fantasia de todos.

Roubada!, de Maurício Vidal, Renan de Moraes e Sérgio Yamasaki (4’). Uma divertida e frenética perseguição de uma velhinha de cadeira de rodas a um mal-encarado ladrão de bolsas.

Primeiro Movimento, Érica Valle (6’). A busca do equilíbrio em um delicado encontro amoroso.


PROGRAMA 3 - ANIMAÇÕES INFANTIS (63 minutos)

Isabel e o Cachorro Flautista, de Christian Saghaard (14’). Isabel mora na praia e tem uma ligação especial com o mar. Um dia, um cachorro pega sua flauta e foge, mergulhando no mar. Ela vai atrás dele, até ambos chegarem a uma cidade submersa: São Paulo.

O Tamanho que Não Cai Bem, de Tadao Miaqui (7’). O que acontece quando um anão se apaixona por uma mulher gigante?

Alma Carioca – Um Choro de Menino, de William Côgo (6’). Animação sobre o surgimento do choro no Rio de Janeiro do início do século XX.

Disfarce Explosivo, de Mario Galindo (6’). Juca Piau cria galinhas em seu pequeno sítio para vender na vila mais próxima. Um dia, duas delas se recusam a ser vendidas, usando disfarces para enganar seu dono.

O Nordestino e o Toque de Sua Lamparina, de Ítalo Maia (8’). A vida sofrida de um sertanejo.

Mitos do Mondo: Como Surgiu a Noite?, de Andrés Lieban (6’). Um mito indígena sobre a criação da noite.

Historietas Assombradas (Para Crianças Mal-criadas), de Victor-Hugo Borges (16’). Avó conta histórias terríveis para a neta que não quer dormir.




PROGRAMA 4 - ANIMAÇÕES PARA ADULTOS (78 minutos)

Sushiman, de Pedro Iuá (20’). Tentativa desesperada de resolver um triângulo amoroso.

Essa Animação Não Tem Nome, de Gustavo Russo e Thomas Larson (3’). A primeira reunião da Sociedade dos Cineastas Anônimos do Interior.

Santa de Casa, de Allan Sieber (18’). Depois de sua mulher ter problemas no parto, Oséias promete vestir sua filha de santa durante três Carnavais e fazê-la sair num andor em seu bloco.

Almas em Chamas, de Arnaldo Galvão (11’). Uma incendiária história de amor.

Quando Jorge Foi à Guerra, de Tadao Miaqui (8’). Em 1942, época de grande exclusão social, Jorge era o mais excluído de todos.

Os Três Porquinhos, de Cláudio Roberto (4’). A popular história infantil adaptada à realidade brasileira.

Cidade Fantasma, de Lisandro Santos (7’). Jovem assalariado encontra garota no verão de Porto Alegre.

Biribinha Atômica, de Ricardo Piologo, Rodrigo Piologo e Rogério Vilela (3’). Cansados das mesmas biribinhas que não tinham a menor graça, o Mundo Canibal resolveu lançar a Biribinha Atômica, que vai deixar a criançada muito mais contente.

Hotel do Coração Partido, de Raoni Assis (4’). Ronaldo era especial. Seu coração era evidentemente maior que os corações normais...

PROGRAMA 5 - ANIMAÇÕES GAÚCHAS

Antitreiler, de Marco Antônio Scmith de Arruda – Porto Alegre/RS (3’). Vídeo-desenho realizado a partir de apropriações de filmes brasileiros antigos, além do uso de músicas de outros autores. No vídeo vemos o que parece ser um trailer de algum filme que não se sabe procedência.

Causos de Gaudério – Dia de Tosquia, de Diego Silva de Souza (2’30”). Quando o clima começa esquentar, já se sabe é tempo de tosquia! Então é preciso colocar o avental de estopa manear as ovelhas e fazer o serviço. O problema é quando as ovelhas não se sentem muito confortáveis depois da tosquia, e é aí que me refiro.

Rosário dos Navegantes, de Everson Godinho – Porto Alegre/RS (13’). Na paroquiana Porto Alegre de 1910, Rosário, uma devota isolada em uma ilha, tem uma visão divina. A padroeira das águas, Nossa Senhora dos Navegantes, paira sobre o Guaíba trazendo um pedido: - Deves, em um dia, estar em meu templo. Realidade ou delírio místico? Em busca de atender ao apelo santo, a crente descobre que o único barqueiro capaz de levá-la ao seu santificado destino cobra-lhe um alto e indigno preço: O seu corpo. Prostituir-se pela fé. A católica tem aí seu dilema, e o filme, o fio condutor dessa história: moral versus fé.

O Jogo do Osso, de André Macedo (14’30”). Depois de jogar e perder repedidas vezes no jogo do osso para Osoro, Chico Ruivo chega ao cúmulo de apostar sua esposa Lalica.

Desenho Animado, de Giancarlo Lima, Glauco Machado Caon e Rodrigo Mello (1’). Curta-metragem animado feito pelos alunos de Artes Plásticas da UFRGS em 2003.

O Sonho do Ovo, de Mauricio Sabbi (1’30”). O ovo antes de nascer sonha com o que fará em sua vida, lugares, esportes radicais, amores e paixões, mas chegou a hora de encarar a realidade...

Vida Barata, de Félix Bressan, Frank Tartari Fialho, Giovani "Giovano" Marino Zaffari, Laura "Pikena" Grando, Liliam Maschio, Luciana "Nemo" Lain, Thiago Danieli, Thiele Danieli (1’30”). Vídeo comemorativo para aos 15 Anos do Anima Mundi / 2007. Desenvolvido por NADUCS (Núcleo de Animação Digital da Universidade de Caxias do Sul).

Poeminho do Contra, de Wagner Passos (1’30”). Representação visual de um dos poemas mais conhecidos da literatura de Mário Quintana. Traz o próprio poeta como protagonista da animação.




A Princesa e o Violinista, de Guto Bozzetti (10’). Uma fábula sobre o surgimento da tristeza. Pelos olhos de uma menina, descubrimos uma bela história enquanto ela tenta entender o que sua mâe está sentindo.

Sigmund, de Vanessa Remonti (4’). Em uma casa sombria no final da rua, Sigmund e as irmãs Catherine e Frida têm um encontro. De amor ou de dor.

Deste Lado, Pederneiras, de Arno Schuh, Edson Gandolfi, Carmel Silveira, Felipe Antoniolli, Joana Cavinatto e Marília Bressane (1’30”). Um novo filme. As constatações e divagações de um diretor animador.

O Barato do Vovô, de Felipe Antoniolli (1’30”). Um animado velhinho decide satisfazer seu vício, e mesmo em um hospital, arranja um jeito.

Kactus Kid, de Lancast Mota (7’). Numa cidade do velho oeste chamada "Descansas City", encontramos o coveiro Zeca Funesto. Na luta pela justiça, pela verdade e por alguns clientes, Zeca se transforma no seu alter ego Kactus Kid.

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 7 a 12 de abril de 2009


Terça-feira (7 de abril)

15:00 – Mostra Animação (Animações Infantis)

17:00 – Mostra Animação (Animações Infanto-Juvenis)

19:00 – Mostra Animação (A Moça que Dançou Depois de Morta + Rocky & Hudson)

Quarta-feira (8 de abril)


15:00 – Mostra Animação (Animações Infantis)

17:00 – Mostra Animação (Animações Gaúchas)

19:00 – Abertura da Mostra Dois Vazios – Siempre, de André Severo e Paula Krause (29 min), Ô, de Marcelo Coutinho (39 min) e Cabeça de Peixe, de Ismael Portela (15min), com a presença dos artistas


Quinta-feira (9 de abril)

15:00 – Mostra Animação (Animações Infanto-Juvenis)

17:00 – Mostra Animação (Animações para Adultos)

19:00 – Mostra Dois Vazios – Vigília, de André Severo (150 min)


Sexta-feira (10 de abril)

15:00 – Mostra Animação (Animações Gaúchas)

17:00 – Mostra Dois Vazios – Siempre, de André Severo e Paula Krause (29 minutos), Ô, de Marcelo Coutinho (39 minutos) e Cabeça de Peixe, de Ismael Portela (15 minutos)

19:00 – Mostra Animação (Animações para Adultos)


Sábado (11 de abril)

15:00 – Mostra Animação (Animações Infanto-Juvenis)

17:00 – Mostra Animação (A Moça que Dançou Depois de Morta + Rocky & Hudson)

19:00 – Mostra Dois Vazios Vigília, de André Severo (150 minutos)

Domingo (12 de abril)

15:00 – Mostra Animação Brasileira (Animações Infantis)

17:00 – Mostra Animação Brasileira (Animações Gaúchas)