quinta-feira, 24 de julho de 2014

Histórias da Imigração



Os 190 anos da imigração alemã no Rio Grande do Sul, a serem celebrados no dia 25 de julho próximo, serão comemorados em grande estilo, com a realização de duas mostras de cinema, promovidas através de uma parceria entre o Goethe-Institut e a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, na Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar).

A primeira das mostras, Histórias da Imigração, reúne diferentes filmes brasileiros que abordam temas relacionados à presença alemã no Brasil, e será inaugurada no dia 29 de julho, às 19h30, com uma exibição do curta O Livro de Walachai, de Rejane Zilles, e do clássico Os Mucker (1978), de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer, um marco do cinema brasileiro, que recebeu diversos prêmios na sétima edição do Festival de Gramado, em 1979. O filme, que não é exibido há décadas, recria os dramáticos acontecimentos da revolta de Ferrabráz, no século XIX, quando uma comunidade de imigrantes alemães liderada por Jacobina Mentz Maurer foi dizimada pelas tropas do Exército. Após a exibição, acontece um debate com a participação do diretor Wolf Gauer e da atriz Marlise Saueressig (que conquistou o prêmio de melhor atriz em Gramado por sua marcante interpretação como a líder religiosa Jacobina Maurer), além da cineasta Rejane Zilles (diretora do documentário Walachai) e do cineasta e jornalista Gilberto Perin (diretor da série A Ferro e Fogo, produzida pela RBS TV), que também estão incluídos na mostra.

A mostra Histórias da Imigração inclui ainda títulos importantes como Aleluia Gretchen e Cinema, Aspirinas e Urubus (graças ao apoio da Programadora Brasil), além de raras exibições do longa-metragem em 16mm Heimweh/Nostalgia, produção gaúcha dirigida por Sérgio Silva e Tuio Becker em 1990.


A segunda mostra é dedicada ao cineasta Helmut Käutner (1908-1980), um dos mais populares diretores do cinema alemão nas décadas de 40 e 50, autor de clássicos como Adeus, Franziska! (1941), Por Baixo das Pontes (1946), O General do Diabo (1955) e O Coronel de Köpenick (1956). Käutner tem uma trajetória controversa, pois dirigiu alguns de seus filmes mais conhecidos em plena Segunda Guerra Mundial, sobreviveu a ela e seguiu filmando após a derrocada nazista. Graças à qualidade e ao caráter humanista de seus filmes, foi “perdoado” por não haver abandonado a Alemanha nazista como outros de seus pares.

Toda a programação tem entrada franca.


SINOPSES DOS FILMES


Os Mucker, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer (1978, 108 minutos)
No final do século 19, no interior do Rio Grande do Sul, uma família de imigrantes alemães liderada por uma mulher (Jacobina) resolve formar uma comunidade inspirada nas escrituras bíblicas, isolada das demais e auto-suficiente. Logo a comunidade dos Muckers começa a incomodar os católicos e protestantes da região, que os acusam de vários crimes, até que são massacrados por forças do governo. Exibição em DVD.


Walachai, de Rejane Zilles (2009, 84 minutos)
Walachai em alemão antigo significa lugar longínquo, perdido no tempo. Habitantes desta comunidade rural do Sul do Brasil comunicam-se num antigo dialeto alemão e no entanto, nada sabem de sua Alemanha de origem. São todos brasileiros e se identificam como tal. O documentário Walachai revela o inusitado e raro que habita este lugar. Conecta o público do Brasil urbano a uma forma diferente de viver, revelando um Brasil ainda desconhecido. Exibição em DVD.


Heimweh/Nostalgia, de Sérgio Silva e Tuio Becker (1990, 86 minutos)
Em 1900, o jovem Heinrich deixa a Alemanha como imigrante, seguindo os passos de seus parentes que vieram para o Brasil. Sem falar português, ele é assentado numa comunidade rural do Rio Grande do Sul. Com o passar do tempo, ele vai se adaptando aos poucos à nova condição de vida. Exibição em 16mm.


A Ferro e Fogo – Tempo de Solidão, de Gilberto Perin (2006, 90 minutos)
Adaptação da obra de Josué Guimarães, que tem como cenário histórico a chegada dos imigrantes alemães em São Leopoldo, em 1824. Produção da RBS TV, exibida em formato de minissérie na TV, aqui será apresentado em sua versão de longa metragem.


Aleluia, Gretchen, de Sylvio Back (1976, 110 minutos)
Uma família foge da Alemanha nazista, desembarcando no Brasil por volta de 1937. Ao chegar, compra um hotel no interior do Paraná, que se torna ponto de simpatizantes do nazismo, apesar do chefe da família ter ideias mais liberais. Só que seus integrantes encontram muitos problemas de adaptação a essa nova terra, além de terem que enfrentar os traumas da guerra. Exibição em DVD.


Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes (2005, 99 minutos)
Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade. Exibição em DVD. 



O Zeppelin Passou Por Aqui, de Sérgio Silva (1993, 18 minutos)
Casal vive experiências extraconjugais durante a passagem de um dirigível alemão sobre Porto Alegre, rumo a Montevidéu. Exibição em DVD.
 

O Livro de Walachai, de Rejane Zilles (2007, 16 minutos)
Em Walachai, uma pequena comunidade alemã no sul do Brasil, viveu o professor e agricultor Benno Wendling. Desde os anos 40, seus grandes desafios foram conciliar o árduo e diário trabalho na roça com a obrigação de ensinar português a crianças do povoado, que só falavam alemão. Nos últimos anos, dedicou-se a escrever, à mão, a história deste lugar num livro de caprichada caligrafia. O Livro de Walachai revela um Brasil muito diferente e desconhecido da maioria dos brasileiros.


Meio, de Clarissa Beckert e Pedro Henrique Risse (2013, 20 minutos)
O que é ser brasileiro? O que é ser alemão? Um filme sobre identidade, memória e imaginário.


Land Schaffen, de Clarissa Beckert e Pedro Henrique Risse (2014, 25 minutos)
O trabalho, a família, o cotidiano e a força do homem do campo são elementos que interligam fragmentos de vida. Neste filme, há cinco personagens principais e suas famílias. A narrativa se constrói a partir de conversas entre os personagens sobre a vida, os seus desafios e sonhos, o trabalho duro na roça e o cotidiano. Filmado nos municípios de Araricá, Bom Princípio, Sapiranga e Presidente Lucena, Land Schaffen é quase inteiramente falado no dialeto Hunsrückisch, que é o idioma predominante nestas comunidades.

A Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, de Antônio Carlos Textor (1974, 20 minutos)

Documentário realizado em 1927 nas incipientes vilas das zonas colonizadas pelos imigrantes alemães e uma visão atual dessas mesmas regiões formam uma visão ampla do que é a participação dos colonos alemães na formação étnica e cultural do Rio Grande do Sul. Exibição em DVD.



GRADES DE HORÁRIOS
29 de julho a 3 de agosto de 2013


29 de julho (terça-feira)
19:30 – Sessão de Os Mucker, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer, antecedido pelo curta O Livro de Walachai, de Rejane Zilles, seguida de debate com a participação dos cineastas Wolf Gauer e Rejane Zilles, da atriz Marlise Saueressig e do jornalista e cineasta Gilberto Perin

30 de julho (quarta-feira)
15:00 – Cinema, Aspirinas e Urubus
17:00 – Aleluia Gretchen
19:00 – Walachai

31 de julho (quinta-feira)
15:00 – Programa de Curtas
17:00 – Os Mucker
19:00 – A Ferro e Fogo – Tempo de Solidão

1º de agosto (sexta-feira)
15:00 – Aleluia Gretchen
17:00 – Cinema, Aspirinas e Urubus
19:00 – Heimweh/Nostalgia (acompanha o curta metragem O Zeppelin Passou por Aqui)

2 de agosto (sábado)
15:00 – Programa de Curtas
17:00 – Aleluia Gretchen
19:00 – Walachai

3 de agosto (domingo)
15:00 – A Ferro e Fogo – Tempo de Solidão
17:00 – Os Mucker
19:00 – Heimweh/Nostalgia (acompanha o curta metragem O Zeppelin Passou por Aqui)

  
MOSTRA HELMUT KÄUTNER
5 a 10 de agosto de 2014


5 de agosto (terça-feira)
15:00 – A Ruiva
17:00 – A Última Ponte
19:00 – Adeus Franziska!

6 de agosto (quarta-feira)
15:00 – Grande Liberdade nº 7
17:00 – Céu sem Estrelas
19:00 – Naqueles Dias

7 de agosto (quinta-feira)
15:00 – O Capitão de Köpenick
17:00 – O General do Diabo
19:00 – Por Baixo das Pontes

8 de agosto (sexta-feira)
15:00 – Romance em Tom Menor
17:00 – Adeus Franziska!
19:00 – Céu sem Estrelas

9 de agosto (sábado)
15:00 – A Última Ponte
17:00 – O Capitão de Köpenick
19:00 – A Ruiva

10 de agosto (domingo)
15:00 – Adeus Franziska!
17:00 – O General do Diabo

19:00 – Naqueles Dias

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Projeto Raros exibe road-movie vanguardista do Senegal



Nesta sexta-feira, 25 de julho, às 20h, acontece mais uma edição do Projeto Raros na Sala P. F. Gastal, apresentando o filme A Viagem da Hiena (Touki Bouki, 1973), o primeiro longa-metragem do aclamado cineasta senegalês Djibril Diop Mambéty. Após a sessão, há um debate com o crítico Pedro Henrique Gomes, pesquisador dos cinemas realizados no continente africano. A exibição dialoga com a Sessão Plataforma da semana, que exibe Mil Sóis, obra de Mati Diop, sobrinha de Mambety, inspirado em A Viagem da Hiena. A entrada é franca.


Concebido com exatidão e magistralmente realizado, A Viagem da Hiena narra as cômicas desventuras de Mory, um vaqueiro que monta uma motocicleta com um crânio bovino. e Anta, uma estudante universitária. Alienados e descontentes com o Senegal e a África, decidem ir para Paris, buscando para tanto, arrumar dinheiro fácil através de diferentes formas.

Considerado por muitos críticos como seu filme mais ousado e importante, estréia de Mambéty em um longa-metragem é o que desenvolve de forma plena seus temas anteriores: do hibridismo, do individualismo, da marginalidade e do isolamento. Baseado em sua própria história, Djibril Diop Mambéty fez Touki Bouki com um orçamento de US$30.000,00, obtidos, em parte, do governo senegalês. Embora influenciada pela Nouvelle Vague francesa, Touki Bouki exibe um estilo todo próprio. Sua trilha sonora e jogo de câmera têm um ritmo frenético não-característico da maioria dos filmes africanos – conhecido muitas vezes por suas narrativas evolutivas lineares, em passos vagarosos. Através de cortes saltados, colisões na montagem, acompanhamento sonoro dissonante, e a justaposição de sons e elementos visuais pastorais, pré-modernos e modernos, Touki Bouki transmite e lida bem com a hibridização do Senegal.  O filme ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Moscou e o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes.



 
 
PROJETO RAROS
A VIAGEM DA HIENA
(Touki Bouki)
Direção: Djibril Diop Mambéty
Senegal
1973
85 minutos
Elenco: Magaye Niang, Mareme Niang, Aminata Fall, Ousseynou Diop, Josephine Baker, Christoph Colomb, Ndou Labia, Mustapha Ture

Exibição em DVD com legendas em português

sábado, 19 de julho de 2014

Cães Errantes segue em cartaz





Cães Errantes, o novo filme do taiwanês Tsai Ming-liang, vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza de 2013, segue em cartaz na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) até o dia 27 de julho. Exibição em cópia digital de alta definição.

Primeiro longa-metragem rodado em digital pelo cineasta, Cães Errantes apresenta Lee Kang-sheng, seu eterno ator, um homem na faixa dos quarenta anos, desempregado, que mora em um bairro pobre de Taipei com os dois filhos. Sem emprego e abandonado pela esposa, ele enfrenta grandes dificuldades para satisfazer as necessidades de seus filhos. Um dia, ao levar seus filhos para passearem no shopping, ele conhece Xiao Lu. As lembranças da sua ex-mulher, no entanto, podem afetar seu novo relacionamento. Após a estreia em Veneza, Tsai Ming-liang revelou que este é seu último filme para o cinema.

O diretor pretende retratar a vida dos deserdados da sorte, mas sem usar os clichês habituais nesse tipo de assunto. Por um lado, não curte o miserabilismo, por outro, evita poetizar a pobreza. Coloca-a em sua concretude brutal (Luiz Zanin Oricchio/Estado de São Paulo)

É impressionante o domínio de Tsai Ming-liang na construção do plano, no domínio do tempo e do espaço. (Sérgio Alpendre/Revista Interlúdio)

Um filme carregado de uma qualidade crepuscular que sugere o fim de um processo e cuja relação com o plano-sequência ameaça abandonar por completo o cinema narrativo. (Filipe Furtado/Revista Cinética)




CÃES ERRANTES
(Jiao you)
138 minutos
Taiwan/França
Direção: Tsai Ming-liang
Elenco: Lee Kang-sheng, Ly Yi-Ching, Lee Yi-Cheng
Projeção digital HD
Distribuição: Filmes da Mostra


GRADE DE HORÁRIOS
22 a 27 de julho de 2014
 
22 de julho (terça)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
20:30 – Sessão Plataforma (Redemption + Mil Sóis)

23 de julho (quarta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes

24 de julho (quinta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
20:00 – CinePolítico: 50 Anos do Golpe Militar no Brasil (O Bravo Guerreiro, de Gustavo Dahl)

25 de julho (sexta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
20:00 – Projeto Raros (A Viagem da Hiena, de Djibril Diop Mambéty)

26 de julho (sábado)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Sessão Plataforma Reprise (Redemption + Mil Sóis)

27 de julho (domingo)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Cães Errantes

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Dose dupla na Sessão Plataforma






Nesta terça-feira, 22 de julho, às 20h30, a Sessão Plataforma exibe na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) os filmes Redemption de Miguel Gomes e Mil Sóis, de Mati Diop. 

No mais recente filme de Gomes, no dia 21 de Janeiro de 1975, numa aldeia no norte de Portugal, uma criança escreve aos pais em Angola para lhes dizer como Portugal é triste. No dia 13 de Julho de 2011, em Milão, um velho recorda o seu primeiro amor. No dia 6 de Maio de 2012, em Paris, um homem diz à filha bebê que nunca será um pai de verdade. Durante um casamento no dia 3 de Setembro de 1977, em Leipzig, a noiva luta contra uma ópera de Wagner que não lhe sai da cabeça. Mas onde e quando estes quatro pobres diabos começaram à procura da redenção?

Mati Diop se debruça sobre A Viagem da Hiena (1972), clássico dirigido por seu tio, o realizador senegalês Djibril Diop Mambety. Mory e Anta estão apaixonados. Os dois sonham em sair de Dakar e partir para Paris, mas Anta vai sozinha. Mory permanece sozinho. O que aconteceu desde então? 40 anos depois, Mil Sóis investiga o universo do herói do filme, Magaye Niang. Niang nunca saiu de Dakar, e agora imagina o que teria acontecido com Anta, o amor de sua juventude.




SERVIÇO:Terça feira, 22 de julho, 20h30
Reprise única - Sábado, 26 de julho, 19h30

Ingresso: R$ 03,00
Projeção: Bluray - legendas em português.

* REDEMPTION, dir: Miguel Gomes, 26min, POR, 2013.Principais exibições anteriores:- Venice International Film Festival – 2013- Toronto IFF - 2013- New York IFF - 2013- Viennale – 2013- Rotterdam IFF 2014



* Mil Sóis (Mille Soleils), dir: Mati Diop, 45min, FRA, 2013.

Principais exibições anteriores:- FIDMarseille – 2013 (Grand Prix Best Film)- Toronto IFF - 2013- CPH:DOX - 2013- Viennale – 2013- IndieLisboa – 2014 (Best Short Film)


Sessão Plataforma.


Realização: Tokyo Filmes, Livre Associação, Coordenação de Cinema e Video da Secretaria de Cultura de Porto Alegre.Apoio: Cervejaria Seasons 


Sessão Plataforma é uma sessão de cinema, realizada mensalmente desde agosto de 2013 na cidade de Porto Alegre (RS), que exibe filmes recentes, de qualquer nacionalidade, duração e bitola.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Cães Errantes de Tsai Ming-liang estreia na Sala P. F. Gastal


A partir de terça-feira, 15 de julho, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) lança com exclusividade Cães Errantes, o novo filme do taiwanês Tsai Ming-liang, vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza de 2013. O filme será exibido em cópia digital de alta definição. Antes da última sessão do dia, o projeto Curta nas Telas exibe o filme Memórias Externas de Uma Mulher Serrilhada, de Eduardo Kishimoto.   

Primeiro longa-metragem rodado em digital pelo cineasta, Cães Errantes apresenta Lee Kang-sheng, seu eterno ator, um homem na faixa dos quarenta anos, desempregado, que mora em um bairro pobre de Taipei com os dois filhos. Sem emprego e abandonado pela esposa, ele enfrenta grandes dificuldades para satisfazer as necessidades de seus filhos. Um dia, ao levar seus filhos para passearem no shopping, ele conhece Xiao Lu. As lembranças da sua ex-mulher, no entanto, podem afetar seu novo relacionamento. Após a estreia em Veneza, Tsai Ming-liang revelou que este é seu último filme para o cinema.

O diretor pretende retratar a vida dos deserdados da sorte, mas sem usar os clichês habituais nesse tipo de assunto. Por um lado, não curte o miserabilismo, por outro, evita poetizar a pobreza. Coloca-a em sua concretude brutal (Luiz Zanin Oricchio/Estado de São Paulo)

É impressionante o domínio de Tsai Ming-liang na construção do plano, no domínio do tempo e do espaço. (Sérgio Alpendre/Revista Interlúdio)

Um filme carregado de uma qualidade crepuscular que sugere o fim de um processo e cuja relação com o plano-sequência ameaça abandonar por completo o cinema narrativo. (Filipe Furtado/Revista Cinética)




CÃES ERRANTES
(Jiao you)
138 minutos
Taiwan/França
Direção: Tsai Ming-liang
Elenco: Lee Kang-sheng, Ly Yi-Ching, Lee Yi-Cheng
Projeção digital HD
Distribuição: Filmes da Mostra


GRADE DE HORÁRIOS
15 a 20 de julho de 2014

15 de julho (terça)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes


16 de julho (quarta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes


17 de julho (quinta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes

18 de julho (sexta)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes
20:00 –  Lançamento do curta-metragem Depois da Poeira, de Olavo Amaral

19 de julho (sábado)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes

20 de julho (domingo)

14:30 – Cães Errantes
17:00 – Cães Errantes
19:30 – Memórias Externas de uma Mulher Serrilhada + Cães Errantes


terça-feira, 8 de julho de 2014

Lançamento do curta-metragem Depois da Poeira




Numa célebre frase sobre a criação artística, Pablo Picasso certa vez disse que “eu não procuro, eu acho”. E ainda que o curta-metragem Depois da Poeira, que estreia na Sala P.F. Gastal no próximo dia 18 às 20h, não chegue a ser um ready made no sentido estrito, ele certamente é um filme mais achado do que procurado. A entrada para a sessão é gratuita. 
  No final de 2010, a metade abandonada do Hospital Universitário do Fundão no Rio de Janeiro (construída nos anos 70 mas jamais terminada, até acabar condenada à implosão sem chegar a funcionar) foi separada por britadeiras da parte funcionante do prédio, para evitar que a estrutura inteira desabasse. Após vivenciar o processo de separação das duas metades do hospital ao longo de meses, o diretor Olavo Amaral retornou de férias para encontrar, logo em frente ao seu local de trabalho na UFRJ, um impressionante cenário de ruínas que poderia dar margem a uma infinidade de filmes de gênero. Vindo de uma separação ele mesmo, porém, acabou fazendo (ou achando) um filme que fala sobre a procura do que fazer (e de que histórias contar) com os escombros que a vida coloca em nosso caminho.
Nesse emaranhado de narrativas metaficcionais, Naiumi Goldoni e Rafael Mentges dão vida a um casal que se encontra nos escombros, cuja história se confunde com as ficções de fantasia, guerra ou apocalipse através das quais revivem sua relação. Com uma equipe em sua maior parte nascida no Rio Grande do Sul, mas espalhada ao redor do país e reunida em torno do filme, “Depois da Poeira” foi produzido e rodado pouco antes da remoção dos destroços da implosão e finalizado ao longo dos anos seguintes, graças ao trabalho de uma equipe mobilizada em torno de um cenário efêmero e de um filme urgente demais para depender de financiamento externo. Desta forma, o curta chega às telas como uma produção independente de parceiros gaúchos e cariocas, e se prepara para iniciar sua trajetória no circuito de festivais.

Biografia do diretor:
Olavo Amaral nasceu em Porto Alegre em 1979 e vive no Rio de Janeiro. Como escritor, é autor dos volumes de contos "Estática" (IEL-RS, 2006) e "Correnteza e Escombros" (7Letras, 2012), e atualmente trabalha em um terceiro livro intitulado “Dicionário de Línguas Imaginárias”. No cinema, atuou como roteirista em curtas-metragens como "Perro en el Columpio" (Cachorro no Balanço) (Barcelona, 2008) e dirigiu o curta "A Porta do Quarto" (Porto Alegre, 2012). “Depois da Poeira” é seu segundo trabalho de ficção como diretor. Além da atuação na área artística, é médico e professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde trabalha como pesquisador na área de neurobiologia da memória.
 
Sinopse:
Nos escombros de uma implosão, um casal revisita suas ficções para tentar inventar uma nova narrativa.

Ficha Técnica:
Elenco: Naiumi Goldoni, Rafael Mentges
Direção de Fotografia: Edu Rabin
Assistência de Fotografia: Leonardo Maestrelli
Som direto: Rubinei Filho
Produção: Michelle Sales, Olavo Amaral
Assistência de Produção: Renan Zanotto, Pedro Ribeiro

Assistência de Set: Wellington Rabelo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sessão Aurora exibe clássico de Jerzy Skolimowski




A Sessão Aurora exibe neste sábado, 5 de julho, às 19h, Ato Final (Deep End, 1970), um dos grandes filmes do cultuado cineasta polonês Jerzy Skolimowski. Com entrada franca e exibição digital em alta definição, a sessão será comentada pelos editores do Zinematógrafo.  

Realizado durante o exílio do cineasta na Inglaterra, com canções de Cat Stevens e do grupo Can, Ato Final faz um retrato brilhante do cotidiano londrino do início dos anos 1970, a partir da história de um jovem de quinze anos de idade  (John Moulder-Brown) que consegue trabalho em um local de banhos públicos e se apaixona por uma colega de trabalho, interpretada por Jane Asher. A cada dia mais obcecado pela garota, o rapaz começa a persegui-la de forma obstinada e paranóica, algo que levará o relacionamento dos dois a um destino inesperado.

Jerzy Skolimowsky é o maior talento da geração polonesa dos anos 1960, germinada na Escola de Lodz, que revelou outros nomes fundamentais do cinema moderno como Andrzej Wajda, Roman Polanski e Jerzy Kawalerowicz. Pintor, poeta, ator e lutador de boxe, Skolimowski destacou-se pela inclinação surrealista e autobiográfica de seus primeiros filmes, como Walkover (1965) e Barriera (1966), após escrever os roteiros de obras essenciais do chamado Novo Cinema Polonês, como Os Inocentes Charmosos (1960), de Wajda, e Faca na Água (1962), de Polanski. Proibido de filmar no país após Mãos ao Alto! (1967), que usava criticamente imagens de Stalin, o cineasta seguiu para a Bélgica, onde realizou Le Départ (1967), com Jean-Pierre Léaud e Catherine-Isabelle Duport, a dupla protagonista de Masculino-Feminino (1966), de Jean-Luc Godard. Em 1970, já radicado na Inglaterra, realiza Ato Final, considerado por muitos críticos como sua obra-prima. Segue realizando filmes marcantes como o enigmático O Estranho Poder de Matar (1978), Classe Operária (1982) e O Sucesso É a Melhor Vingança (1984), os dois últimos retomando o olhar à situação política da Polônia. Seu último longa, Matança Necessária (2010), com Vincent Gallo no papel principal, ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza daquele ano.    






Ato Final 
(Deep End, 1970)
Direção: Jerzy Skolimowski
Inglaterra/Alemanha Ocidental
92 minutos
Elenco: John Moulder-Brown, Jane Asher, Karl Michael Vogler e Christopher Sandford
Exibição digital em alta definição 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Copa do Mundo de filmes na Sala P. F. Gastal






Ainda no clima de Copa do Mundo, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta entre os dias 1º e 13 de julho uma série de filmes contemporâneos realizados nos países que disputaram os jogos em Porto Alegre.

Entre os argentinos, serão exibidas duas obras-primas recentes em 35mm: O Guardião, de Rodrigo Moreno, vencedor do prestigiado prêmio Alfred Bauer no Festival de Berlim de 2006, e A Menina Santa, um dos grandes filmes da principal cineasta do país atualmente, Lucrecia Martel.

Os coreanos também aparecem com grandes filmes recentes, com exibição em 35mm. Nome central do cenário contemporâneo, Hong Sang-soo está presente com o delicioso A Visitante Francesa, com Isabelle Huppert interpretando três personagens numa pequena cidade litorânea da Coréia do Sul. A mostra também exibe Pietá, uma das obras mais controversas de Kim Ki-duk, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2012.

O representante holandês é A Espiã, retorno do mestre Paul Verhoeven a sua terra natal depois dos anos de Hollywood, em um dos retratos mais contundentes sobre a resistência e a traição do próprio povo na Segunda Guerra Mundial através das inúmeras fugas de uma jovem judia. A exibição é em blu-ray.

Da Argélia, país que comemora o aniversário da independência no dia 5 de julho, serão exibidos, em parceria com o Consulado do país, A Casa Amarela, de Amor Hakkar, premiado no Festival de Locarno de 2007, e a comédia Mascarados, de Lyès Salem. Exibição em DVD. A Nigéria aparece com o marco Vivendo no Cativeiro, de Chris Obi Rapu, longa-metragem que marcou o início do boom da indústria cinematográfica nigeriana, a chamada Nollywood. 

Para completar, a programação especial da Copa exibe, em parceria com a distribuidora Latinópolis Filmes, o documentário hondurenho Quem Disse Medo?, de Katia Lara, obra marcante sobre o Golpe de Estado que o país sofreu em 2009.




GRADE DE PROGRAMAÇÃO
1 a 13 de julho de 2014


A Casa Amarela (La Maison Jeune), de Amor Hakkar (Argélia/França, 2007, 82 minutos)

Aya tem 12 anos. Ela está cavando num pedaço árido de terra. Uma viatura da polícia se aproxima. Um dos policiais entrega uma carta que lhe informa que seu irmão mais velho, também policial, morreu num acidente. Moloud, o pai, é um homem simples que nasceu na região de Aures, na Argélia. Ele sobe em seu triciclo, precipita-se e desafia todas as proibições para resgatar o corpo do filho. Fátima, a mãe, está em profunda tristeza. Será que esse pai, bastante afetuoso e com a ajuda da filha Aya, conseguirá fazer esposa e filhos sorrirem novamente? Exibição em DVD com legendas em inglês.

A Espiã (Zwartboek), de Paul Verhoeven (Holanda/2006/145 minutos)

Durante a 2ª Guerra Mundial, Rachel Stein (Carice van Houten) é uma linda cantora judia, que está escondida. Quando o local em que está é destruído por um bombardeio, ela e um grupo de judeus decidem atravessar Biesbosch para chegar ao sul da Holanda, que já está livre da ocupação nazista. Entretanto o barco deles é interceptado por uma patrulha alemã, que mata todos a bordo com exceção de Rachel. A partir de então ela se une à resistência, adotando o nome de Ellis de Vries. Notando o interesse de um oficial alemão, ela se aproxima dele e consegue um trabalho. Enquanto isso a resistência elabora um plano para libertar um grupo de prisioneiros, onde a participação de Ellis será fundamental. Exibição em blu-ray.
  
O Guardião (El Custodio), de Rodrigo Moreno (Argentina/2005/93 minutos)

Um guarda-costas é o responsável pela segurança de um ministro. Ele frequenta compromissos da alta sociedade mas sempre de maneira neutra, apenas para cumprir as funções de seu trabalho. Por outro lado sua vida pessoal é um verdadeiro caos, o que faz com que sua tolerância silenciosa tenha prazo para acabar. Exibição em 35mm

Mascarados (Mascarades), de Lyès Salem (Argélia/França, 2008, 90 minutos)

Jardineiro que sonha em melhorar a vida de sua família quer casar sua irmã com um cavalheiro, sem saber que ela tem outros planos. Exibição em DVD com legendas em inglês.

A Menina Santa (La Niña Santa), de Lucrecia Martel (Argentina/2003/106 minutos)

Amália (Maria Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg) têm 16 anos e moram na cidade de La Ciénaga, na Argentina. Josefina pertence a uma família conservadora, enquanto a mãe de Amália, Helena (Mercedes Morán), é divorciada e dirige um hotel. Certo dia, após um ensaio de coral, as duas garotas se reúnem na igreja local para conversar sobre fé, vocação e segredos sentimentais. Pouco depois Amália conhece o doutor Jano (Carlos Belloso), que participa de uma conferência médica no hotel de sua família. O encontro leva a jovem a descobrir sua verdadeira vocação: salvar os homens do pecado. Exibição em 35mm

Pietá, de Kim Ki-duk (Coréia do Sul, 2012, 114 minutos)

Kang-do (Lee Jung-Jin) é um homem implacável e bastante cruel, que trabalha como cobrador para agiotas. Caso o devedor não tenha como pagar a quantia devida, ele quebra ou esmaga algum osso de seu corpo, já que desta forma o acidentado receberá um seguro de saúde que servirá para cobrir a dívida. A vida de Kang-do é bastante solitária, até que um dia surge em sua vida uma mulher que afirma ser sua verdadeira mãe. Kang-do não acredita na afirmação e passa a maltratá-la de todas as formas possíveis, recorrendo a humilhações e até mesmo abuso sexual. Exibição em 35mm

Quem Disse Medo? (Quién Dije Miedo?), de Katia Lara (Honduras, 2010, 90 minutos)

O documentário acompanha a resistência da população de Honduras que saiu às ruas para resistir ao golpe de Estado que derrubou o então presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho de 2009, e a participação do ator amador René, personagem central do filme, nas mobilizações e enfrentamentos que se seguiram ao golpe. Exibição em blu-ray.

Vivendo no Cativeiro (Livin in Bondage), de Chris Obi Rapu (Nigéria/1992/163 minutos)

Homem fica preso em uma seita ocultista. Longa-metragem que marcou o início do atual boom da indústria cinematográfica nigeriana, chamada de Nollywood. Exibição em vídeo com legendas em inglês.

A Visitante Francesa (Da-Reun Na-Ra-e-Suh), de Hong Sang-soo (Coréia do Sul/2012/90 minutos)

Anne (Isabelle Huppert) é uma mulher francesa que está em uma pequena cidade na Coreia do Sul, onde visita um amigo que está prestes a ter um filho e trabalha como diretor. Lá, ao visitar uma praia, conhece um empolgado salva-vidas (Yu Jun-sang), que tenta conquistá-la. Pouco tempo depois outras duas mulheres francesas, ambas chamadas Anne, chegam ao local e lidam com os mesmos personagens. Exibição em 35mm




GRADE DE HORÁRIOS
1º a 13 de julho de 2014

1 de julho (terça)
17:00 – A Casa Amarela, de Amor Hakkar
19:00 – Quem Disse Medo?, de Katia Lara

2 de julho – (quarta)
15:00 - Sessão MinC (Nação do Futebol/ Tatu que bola é essa?/ Batuque)
17:00 - Mascarades, Lyès Salem
19:00 – Pietá, de Kim Ki-duk

03 de julho (quinta)
15:00 – Sessão MinC (Matheus/Música Operária)
16:00 – Vivendo no Cativeiro, de Chris Obi Rapu
19:00 – A Casa Amarela, de Amor Hakkar

4 de julho (sexta)
15:00 – Sessão MinC (Marli/ Bendito de São Benedito) 

05 de julho (sábado)
15:00 – A Casa Amarela, de Amor Hakkar
17:00 – A Menina Santa, de Lucrecia Martel
19:00 – Sessão Aurora (Ato Final, de Jerzy Skolimowski)

06 de julho (domingo)
15:00 – Quem Disse Medo?, de Katia Lara
17:00 – O Guardião, de Rodrigo Moreno
19:00 – A Visitante Francesa

8 de julho (terça)

NÃO HAVERÁ SESSÃO


9 de julho (quarta)
17:00 – A Casa Amarela, de Amor Hakkar
19:00 – A Menina Santa, de Lucrecia Martel

10 de julho (quinta)
17:00 – Quem Disse Medo?, de Katia Lara
19:00 – O Guardião, de Rodrigo Moreno

11 de julho (sexta)

17:00 – Vivendo no Cativeiro, de Chris Obi Rapu
19:00 – A Espiã, de Paul Verhoeven

12 de julho (sábado)
15:00 – Mascarados, Lyès Salem
17:00 – Pietá, de Kim Ki-duk
19:00 – A Visitante Francesa, de Hong Sang-soo

13 de julho (domingo)
15:00 – A Casa Amarela, de Amor Hakkar
17:00 – Quem Disse Medo?, de Katia Lara
19:00 – Vivendo no Cativeiro, de Chris Obi Rapu