sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Programação especial da 60ª Feira do Livro



Entre os dias 28 de outubro e 12 de novembro, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta uma série de ciclos celebrando a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, com exibições especiais, uma mostra de documentários sobre escritores franceses, seis adaptações de histórias infanto-juvenis e os ensaios cinematográficos que o mestre Eric Rohmer realizou para televisão francesa nos anos 1960.  


AS SESSÕES ESPECIAIS


31/10 – 20:30 Dark Side of the Oz: exibição no dia das bruxas de O Mágico de Oz, que comemora setenta anos em 2014, com acompanhamento ao vivo da banda Dark Side of the Moon, em sincronia com o filme.

01/11 – 19:00 Sessão Aurora especial 120 anos de Jean Renoir, com exibição da cópia em 35mm de French Cancan e debate com os editores do Zinematógrafo.

02/11 – 17:00 Exibição do documentário sobre o universo infantil Mitã, de Alexandre Basso e Lia Gomes, com a presença dos diretores.
 
02/11 – 19:00 Exibição do filme O Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos, com a presença da equipe.

05/11 – 20:00 Lançamento da história em quadrinhos Kassandra - Versos do Silêncio e da Loucura, com arte e texto de Roger Monteiro, adaptação do curta-metragem Kassandra, de Ulisses da Motta Costa, que será exibido na noite. 

07/11 – 20:00 Projeto Raros exibe o clássico do Canadá, país homenageado da Feira do Livro, Les Bons Débarras, de Francis Mankiewicz. A sessão será comentada pelo professor, montador e cineasta Milton do Prado, que viveu no país e fez mestrado em Cinema na Concordia University, em Montreal. 

12/11  20:15 Pré-lançamento do documentário Navegando em Português em Edmonton, do brasileiro-canadense Julio Munhoz, com trilha sonora originalmente composta pela musicista gaúcha Giovana Bervian, sobre comunidades de fala portuguesa vivendo na cidade de Edmonton, extremo oeste do Canadá.  
  

RELEITURAS DE HISTÓRIAS INFANTO-JUVENIS

O tema da Feira do Livro deste ano é a infância. Ao longo da mostra, serão exibidos seis longas-metragens baseados em histórias infanto-juvenis. Entre eles, a sinistra versão de Alice (1988), do animador tcheco Jan SvankmajerOliver Twist(1948), adaptação de David Lean para o memorável romance de Charles Dickens, a versão de Randal Klaiser para o clássico Caninos Brancos (1991), de Jack London, e Pele de Asno (1970), obra-prima de Jacques Demy comCatherine Deneuve interpretando a protagonista do conto de fadas de Charles Perrault.  

Alice, de Jan Svankmajer
(Alice, Tchecoslováquia, 1988, 88 minutos)
Quando Alice seguiu o Coelho Branco no País das Maravilhas, iniciou-se assim uma surpreendente e perigosa aventura onírica pelo mundo infanto-juvenil. O animador tcheco Jan Svankmajer criou uma obra-prima, interpretando de maneira mais surreal e absurda possível o clássico conto de Lewis Caroll. Combinando técnicas de animação e atores reais, ele deu uma nova e fascinante dimensão para uma das melhores fantasias já escritas até então. Exibição em DVD.

 Caninos Brancos, de Randal Klaiser
(White Fang, Estados Unidos, 1991, 109 minutos)
 Órfão vai para o Alasca em busca de uma mina de ouro deixada pelo pai. Em sua viagem, ele trava amizade com um mineiro veterano e com um lobo, que o ajudarão em sua aventura. Terceira versão da obra de Jack London. Exibição em DVD.

Convenção das Bruxas, de Nicolas Roeg
(The Witches, Inglaterra, 1990, 91 minutos)
Luke é um garoto de nove anos que precisa frustrar os planos de uma sociedade de bruxas que pretende transformar todas as crianças do mundo em ratos. E não será nada fácil: elas já conseguiram transformá-lo! Porém, algumas bruxas más podem não ser páreo para um roedorzinho cheio de recursos. Exibição em DVD.

Oliver Twist, de David Lean
(Oliver Twist, Inglaterra, 1948, 115 minutos)

Junto com Grandes Esperanças, outra versão definitiva de um romance de Dickens, dirigida por David Lean (Desencanto). O jovem órfão Oliver (John Howard Davies) é mandado para um reformatório, é castigado, perseguido, mas encontra num velho trapaceiro chamando Fagin (Alec Guiness), a falsa ilusão da liberdade. Este o ensinará a roubar e a sobreviver num mundo de canalhas e ladrões onde parece não existir qualquer bondade. Apoiado em sua maestria técnica, Lean cria um retrato amargo e poético da Inglaterra vitoriana. Exibição em DVD.

Pele de Asno, de Jacques Demy

(Peau D’âne, França, 1970, 100 minutos)

Num reino distante, a rainha em seu leito de morte fez o rei prometer que só voltaria a se casar com uma mulher que fosse mais linda do que ela. Mas em todo o reino, apenas uma pessoa era dotada de tal beleza: sua própria filha. Desesperada, a princesa pede ajuda à sua fada madrinha, que a aconselha a pedir presentes de casamento cada vez mais impossíveis de se encontrar para retardar a união. A princesa consegue escapar ao seu triste destino escondida sob uma pele de asno e passa a viver numa modesta cabana na floresta como criada. Até que, um belo dia, um príncipe nota sua beleza. Baseado no conto de fadas de Charles Perrault.
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O CINEMA EDUCATIVO DE ÉRIC ROHMER


Exibição dos oito filmes educativos que Eric Rohmer, um dos principais nomes da Nouvelle Vague, para a televisão francesa nos anos 1960, contemplando uma série de autores literários, como Cervantes, Victor Hugo e Edgar Allan Poe. Com exibição em DVD com legendas em português, o ciclo tem o apoio da Embaixada da França, a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, o Institut Français e da distribuidora Canopé.

Apesar de ter iniciado sua carreira como diretor na mesma época que François Truffaut, Jean-Luc Godard e outros expoentes da Nouvelle Vague, Eric Rohmer só se tornou conhecido como realizador cerca de uma década depois da eclosão do movimento, quando seu quarto longa-metragem, Minha Noite com Ela, de 1969, foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e ao Oscar de melhor roteiro original. Antes disso, ele já havia dirigido dois longas-metragens, O Signo do Leão e A Colecionadora, que inclusive ganhara o Prêmio Especial do Júri em Berlim, e alguns curtas. Porém, pouco sabido é que uma série de documentários realizados por Rohmer para a TV francesa na década de 1960 teve papel decisivo na sua formação enquanto diretor. Trata-se de uma série de documentários didáticos produzidos pelo Centro Nacional de Documentação Pedagógica (CNDP). Nesta série de filmes-ensaio, Rohmer reflete sobre a arte, sobre o belo, sobre a condição humana e, acima de tudo, sobre o papel das imagens.  Essa coleção reúne oito desses documentários dirigidos por Rohmer entre os anos de 1964 e 1969.


PROGRAMA 1

AS CONTEMPLAÇÕES DE VICTOR HUGO
Les Contemplation de Victor Hugo (França 1966)/25’.
Confrontação poemas de Hugo nos dois últimos livros  de Contemplações com as paisagens de Jersey, onde ele escreveu. Textos de Victor Hugo lidos por Antoine Vitez.

EDGAR POE: HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS
Les histoires extraordinaires d'Edgar Poe (Canadá, França 1965)/24’.

Feito por Eric Rohmer em homenagem a Edgar Allan Poe (1809-1849), este filme é baseado no ensaio "Eureka" (1848) em que o poeta pretende falar com lirismo e cientificidade "da Física do Universo, Metafísica e Matemática.”

O HOMEM E AS IMAGENS
L'Homme et les Images (França 1967).
Com Jean Rouch, Jean-Luc Godard, René Clair /34’.

Uma série de entrevistas com René Clair, Jean Rouch e Jean-Luc Godard sobre temas diversos: a técnica cinematográfica e sua história, do mudo ao falado, a arte do espetáculo, o teatro, o cinema, o romance, a escritura e a imagem, o público, a televisão...


PROGRAMA 2

OS PERSONAGENS DE LA BRUYÈRE
Les caractères de La Bruyère (França 1965)/22’.

Atores encarnam retratos diferentes de personagens de La Bruyère de um texto com narração em um cenário de castelo.

PERCEVAL OU O CONTO DO GRAAL
Perceval ou le conte du Graal (França 1965)/23’.

Descoberta e leitura de grandes passagens do romance de Perceval por Chrétien de Troyes ilustrado pelas miniaturas conservadas pela Biblioteca Nacional da França.

DON QUIXOTE DE CERVANTES
Don Quichotte de Cervantes (França 1965)/23’.

O espetáculo tenta mostrar como a ilustração tem tanto enriquecido quanto empobrecido nosso conhecimento do romance. Enriquecido porque nos mostrou como o físico dos personagens controla o caráter cômico da obra e seu simbolismo. Empobrecido porque ela negligencia, especialmente desde o século XIX e em favor dos protagonistas, a descrição do tempo e do ambiente, promovendo assim condensações e adaptações abusivas

PROGRAMA 3

LOUIS LUMIÈRE
França 1968/66’.
Com Henri Langlois, Jean Renoir

Para falar do cinema dos Lumière, do cinema dos começos e dos começos do cinema, de que vemos alguns trechos, Rohmer convidou apenas duas pessoas, que dialogam: Jean Renoir, o maior cineasta francês na opinião de Rohmer e de tantos outros e Henri Langlois, o guardião da memória do cinema, o inventor da cinefilia, no sentido mais nobre do termo. Nem um nem o outro consideram o cinema dos Lumière "primitivo".

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GRANDES NOMES DA ESCRITA FRANCESA

Em parceria com a Embaixada da França, a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e o Institut Français, aSala P. F. Gastal apresenta um ciclo com vários documentários sobre grandes nomes da escrita francesa, entre eles Jean Cocteau, Marguerite Duras, Albert Camus, Pauline Reage e Jean-Paul Sartre.


Albert Camus, Uma Tragédia da Felicidade
Albert Camus, une tragédie du bonheur (França 1998).
De Jean Daniel, Joel Calmettes. Documentário em cores/52’.

Albert Camus é abordado aqui sob um ângulo pessoal e sensível: o da questão da felicidade e da dimensão trágica da vida. Descobrimos suas obras graças ao esclarecimento íntimo marcado pelo comentário de Jean Daniel. Exibição em DVD com legendas em português


Escritor de O
Écrivain d’O (França 2004).
De Pola Rapaport. Documentário em cores/80’.

Ecrivain d’O nos permite descobrir Pauline Reage, a autora de Histoire d’O (História de O), que se escondeu atrás de um pseudônimo de um escritor desconhecido. Seu segredo, bem guardado durante quarenta anos, finalmente foi descoberto em 1994. Na fronteira entre o documentário e a ficção, este filme mistura imagens de arquivo, de entrevistas com personalidades relacionadas à saga do livro, assim como recriações fictícias de algumas cenas do romance. Exibição em DVD com legendas em espanhol


Michel Tournier, Robinson e Seu Duplo
Michel Tournier, Robinson et son double (França 1997).
De Max Armanet. Documentário em cores/47’.

Michel Tournier dedica-se à "profissão de escritor" no seu presbitério do vale de Chevreuse. Seu universo, colocado sob a manifestação do clone, funde-se com a (re)leitura dos mitos para explorar os fantasmas contemporâneos. Exibição em DVD com legendas em português.

Julia Kristeva, Estranha Estrangeira
Julia Kristeva, étrange étrangère (França 2005).
De François Caillat. Documentário em cores/60’.

Teórica em literatura, linguista, psicanalista e romancista, Julia Kristeva encarna a figura da intelectual perfeita. De Paris a Sofia, da Ilha de Ré ao Mar Negro, o filme acompanha uma personalidade dinâmica e explora o movimento de uma ideia. Encontro com esta mulher de múltiplas identidades, que situa a linguagem no centro de sua reflexão. Exibição em DVD com legendas em português.

Escrever
Écrire (França 1993).
De Benoit Jacquot. Com Marguerite Duras. Documentário em cores/43’.

Escrever é a continuação da experiência iniciada no filme A Morte do Jovem Aviador Inglês, onde a Marguerite Duras debate com Benoît Jacquot sobre a relação com o processo de escrita, a solidão e a casa onde ela escreveu O Vice-Cônsul e O Arrebatamento de Lol V. Stein. Exibição em DVD com legenda em português.

A Morte do Jovem Aviador Inglês
La Mort du jeune aviateur anglais (França 1993).
De Benoit Jacquot. Com Marguerite Duras. Documentário em cores/36’.

A Morte do Jovem Aviador Inglês conta a história de um aviador britânico do qual Marguerite Duras descobriu a sepultura nas proximidades de Deauville. Não sabemos bem onde começa a ficção da romancista, mas a narração de Duras é de uma autenticidade notável. Uma veracidade manifesta na escritura espontânea, brilhantemente captada pelas lentes de Benoit Jacquot. Onde a escritura direta de Marguerite Duras interage perfeitamente com a técnica sem artifícios do realizador. Exibição em DVD com legenda em português.

Marguerite como em si Mesma
Marguerite telle qu'en elle-même (França 2001).
De Dominique Auvray. Documentário em cores/61’.

Uma das mais belas evocações de "Marguerite Duras, mulher das letras" como ela diz. Diz também que faz filmes porque não possui força de não fazer nada. Bonita, livre, politizada, assombrada por sua história pessoal, prometendo não se esquecer de nada, Duras está sempre presente. Tal qual ela mesmo, é o seu rosto, seu sorriso, sua diversão, sua impertinência que nos revela o espelho de uma outra mulher, aquela que dirige seu primeiro filme. Uma sábia desordem cronológica e uma montagem sem intenção de homenagear nos conduz ludicamente até uma lenda mundialmente conhecida mas sempre um pouco desconhecida. DVD com legendas em inglês.

Jean Cocteau, Autorretrato de um Desconhecido

Jean Cocteau, autoportrait d'un inconnu (França 1985).
De Edgardo Cozarinsky. Documentário em preto e branco/68’.

A trama desse filme é dada pela voz e pela mão do poeta que ata e desata seu traço para passar da escrita ao desenho. Exibição em DVD com legendas em espanhol.


Temos Razão de nos Revoltar: Em Direção ao Engajamento
On a Raison de se Révolter I. Vers L´Engagement J-P Sartre (França 1991).
De André Waskman. Documentário em cores/52’.

O autor propõe uma biografia política de Jean-Paul Sartre, símbolo do engajamento político dos intelectuais. Após a publicação de O Ser e o Nada, ele estará presente em todas as frentes de batalha, e seu percurso o levará a simpatias pelo comunismo, e a posições anti-colonialistas, passando pelo maoísmo. Finalmente de volta à esquerda, ele irá lutar até o fim.O filme traça o perfil deste personagem que foi antes de tudo alguém que estimulava o espírito crítico de seus leitores, começando pelo seu próprio. Exibição em DVD com legendas em português.

Temos Razão de nos RevoltarDo Comunismo ao Maoísmo
On a Raison de se Révolter II. Du Communisme au Maoisme J-P Sartre (França 1991).
De André Waskman. Documentário em cores/52’.

O autor propõe uma biografia política de Jean-Paul Sartre, símbolo do engajamento político dos intelectuais. Após a publicação de O Ser e o Nada, ele estará presente em todas as frentes de batalha, e seu percurso o levará a simpatias pelo comunismo, e a posições anti-colonialistas, passando pelo maoísmo. Finalmente de volta à esquerda, ele irá lutar até o fim.O filme traça o perfil deste personagem que foi antes de tudo alguém que estimulava o espírito crítico de seus leitores, começando pelo seu próprio. Exibição em DVD com legendas em português


GRADE DE HORÁRIOS
28 de outubro a 12 de novembro de 2014


28 de outubro (terça)

15:00 – Pele de Asno, de Jacques Demy (100 minutos)
17:00 – Julie Kristeva, Estranha Estrangeira (60 minutos)
19:00 – Eric Rohmer Educativo 1 (90 minutos)

29 de outubro (quarta)

15:00 –  Eric Rohmer Educativo 3 (60 minutos)
17:00 –  Michel Tournier, Robinson e Seu Duplo (47)
18:00 – Albert Camus – Uma Tragédia da Felicidade (52 minutos)
19:00 – Caninos Brancos, de Randal Klaiser (109 minutos)


30 de outubro (quinta)

15:00 – Escritor de O, de Pola Rapaport (80 minutos)
17:00 – Eric Rohmer Educativo 2 (75 minutos)
19:00 – Temos Razão de Nos Revoltar 1 e 2 (90 minutos), de André Waskman (104 minutos)


31 de outubro (sexta)

15:00 – Eric Rohmer Educativo 1 (90 minutos)
16:00 –  Marguerite como em Si Mesma, de Dominique Auvray  (60 minutos)
17:00 – A Morte do Jovem Aviador (45) + Escrever (44), de Benoit Jacquot
19:00 – Jean Cocteau, Autorretrato de um Desconhedido, de Edgardo Cozarinsky (68)
20:30 – O Mágico de Oz com show do Pink Floyd Dark Side of The Moon

1 de novembro (sábado)
15:00 – Alice, de Jan Svankmajer (88 minutos)
17:00 – Eric Rohmer Educativo 3 (60 minutos)
19:00 – Sessão Aurora (French Cancan, de Jean Renoir)


2 de novembro (domingo)
15:00 – Oliver Twist, de David Lean (115 minutos)
17:00 – Mitã, seguido de debate com os diretores
19:00 – O Trampolim do Forte, seguido de debate com a equipe

4 de novembro (terça)
17:30 – Temos Razão de Nos Revoltar 1 e 2, de André Waskman (104 minutos)


5 de novembro (quarta)
17:30 –  Albert Camus – Uma Tragédia da Felicidade (60 minutos)
19:00 – Julie Kristeva, Estranha Estrangeira (60 minutos)
20:00 – Lançamento da HQ Kassandra - Versos do Silêncio e da Loucura

6 de novembro (quinta)
17:30 – Marguerite como em Si Mesma, de Dominique Auvray  (60 minutos)
19:00 –  Escritor de O, de Pola Rapaport (80 minutos)

7 de novembro (sexta)
17:30 – Alice, de Jan Svankmajer (88 minutos)
19:00 – Michel Tournier, Robinson e Seu Duplo (47 minutos)
20:00 – Projeto Raros: Les Bons Débarras, de Francis Mankiewicz

8 de novembro (sábado)

PROGRAMAÇÃO FECHADA

9 de novembro (domingo)
15:00 – Pele de Asno, de Jacques Demy (100 minutos)
17:00 – Convenção das Bruxas, de Nicolas Roeg (90 minutos)
19:00 - A Morte do Jovem Aviador (45) + Escrever (44), de Benoit Jacquot


11 de novembro (terça)
15:00 – Eric Rohmer Educativo 2 (75 minutos)
17:00 – Oliver Twist, de David Lean (116 minutos)
19:00 – Albert Camus – Uma Tragédia da Felicidade (60 minutos)
20:30 – Sessão Plataforma

12 de novembro (quarta)
15:00 – Caninos Brancos, de Randal Kleiser (109 minutos)
17:00 – Eric Rohmer Educativo 3 (60 minutos)
18:00 – Marguerite como em Si Mesma, de Dominique Auvray  (60 minutos minutos)
19:00 – Jean Cocteau, Autorretrato de um Desconhecido, de Edgardo Cozarinsky (68 minutos)
20:15 – Pré-lançamento do documentário Navegando em Português em Edmonton, de Julio Munhoz (30 minutos)






quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sessão extra do Diálogo de Cinema apresenta Ela Volta na Quinta



Neste sábado, 25 de outubro, às 15h, acontece uma sessão extra do festival Diálogo de Cinema, com o filme Ela Volta na Quinta, longa de estreia do diretor André Novais Oliveira, que teve premiere internacional na mostra competitiva do festival francês FID Marseille e recebeu os prêmios de melhor ator e atriz coadjuvantes no Festival de Brasília deste ano. A entrada é gratuita. 
No filme, uma grave crise no relacionamento de um casal de idosos afeta a rotina dos filhos, dois rapazes que se preparavam para finalmente saírem de casa. 
 
 

Ela volta na quinta
Direção: André Novais Oliveira
105 minutos
Exibição em blu-ray
Sinopse: Alguém partiu, alguém ficou.
 

 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A China de Wang Bing



A partir de terça-feira, 21 de outubro, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe a mostra A China de Wang Bing, com quatro obras de um dos mais importantes documentaristas contemporâneos. Com apoio do Instituto Moreira Salles e da Tokyo Filmes, a mostra traz os dois primeiros e os dois últimos filmes do realizador, apresentando um recorte amplo de sua aclamada filmografia para os cinéfilos porto-alegrenses. Os ingressos para a mostra custam R$ 6,00, com meia entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos.  

Buscando entender as transformações do país a partir da derrocada de uma grande indústria de metais pesados do distrito de Tie Xi Qu, Wang Bing surgiu para o mundo com seu filme de estréia, o monumental A Oeste dos Trilhos (2003), com mais de 9 horas de duração, divididas em três partes e captadas em uma pequena câmera digital mini-dv ao longo de dez anos. Na recente enquete promovida pela revista inglesa Sight & Sound, com a participação de 340 críticos, curadores e cineastas do mundo inteiro, o filme é lembrado entre os vinte grandes documentários da história do cinema. A revista francesa Cahiers du Cinéma também destacou sua importância e o colocou entre os dez melhores filmes da primeira década dos anos 2000. 

A obra de Wang Bing segue em 2007, com o filme Fengming: Memórias de uma Chinesa, um mergulho no período das punições arbitrárias da Revolução Cultural Chinesa, registrando as histórias através de longos depoimentos da jornalista He Fengming, presa e torturada durante anos.

No início dos anos 2010, após uma experiência no campo da ficção sem abandonar o olhar documental, Wang Bing realiza dois novos documentários: Três Irmãs (2012), premiado no Festival de Veneza, sobre três crianças camponesas abandonadas pela mãe, e Até que a Loucura nos Separe (2013), que acompanha o cotidiano de um hospital psiquiátrico isolado no sudoeste da China.         


GRADE DE PROGRAMAÇÃO
21 a 26 de outubro de 2014 

A Oeste dos Trilhos (Tie Xi Qu. Parte 1: Ferrugem) Direção, produção, fotografia e montagem Wang Bing (China, Holanda, 2003. 244’)

Entre 1999 e 2001, para seu filme de estreia, o diretor seguiu a antiga linha de trens que cortava a área industrial de Tiexi, no Nordeste da China, para documentar a situação precária de trabalhadores do que foi um dia o grande centro da indústria metalúrgica chinesa. Em Ferrugem, ele mostra a desintegração da cidade. Expõe as precárias condições de trabalho numa fundição, numa fábrica de cabos elétricos e numa outra de chapas metálicas – máquinas desgastadas, ausência de medidas de segurança e de equipamentos para proteger os trabalhadores de substâncias tóxicas. Com um sistema de produção obsoleto, as fábricas enfrentam a falta constante de matérias primas, e os trabalhadores vão pouco a pouco perdendo o emprego. Exibição em DVD. 

A Oeste dos Trilhos (Tie Xi Qu. Parte 2: Vestígios) Direção, produção, fotografia e montagem Wang Bing (China, Holanda, 2003. 178’)

Vestígios segue as famílias de trabalhadores de um antigo conjunto residencial operário com a atenção voltada para as crianças e os adolescentes obrigados a lidar com um inevitável deslocamento, expulsas da cidade pelo fechamento das fábricas de Tiexi. Outrora o grande centro da indústria pesada, Tiexi, no nordeste da China, é agora um cenário de decadência. Com as reformas econômicas, as falências, demolições e transferências de fábricas para outras regiões deixaram comunidades inteiras sem emprego. Exibição em DVD.

A Oeste dos Trilhos (Tie Xi Qu. Parte 3: Trilhos) Direção, produção, fotografia e montagem Wang Bing (China, Holanda, 2003. 132’)

O cotidiano de pai e filho que limpam os pátios ferroviários das fábricas mortas em Tiexi, no nordeste da China, outrora um grande centro industrial, agora um cenário de decadência. Buscam peças para tentar vender como matéria bruta para as fábricas que ainda funcionam. Com as reformas econômicas, as falências, demolições e transferências de fábricas deixaram comunidades inteiras sem emprego. Trabalhadores deixados para trás, sobrevivem da venda de ferro-velho das fábricas demolidas. Exibição em DVD.

Fengming: Memórias de uma Chinesa (He Fengming) Direção, fotografia e montagem de Wang Bing (China, França, 2007. 186’)

Uma longa entrevista em que He Fengming relata sua participação e punição na Revolução Cultural Chinesa. Ela e o marido, jovens jornalistas, foram presos como inimigos do Estado, depois da publicação de críticas contrárias à campanha “Que se abram mil flores”. Presos, foram enviados a diferentes em campos de trabalhos forçados, lugares de humilhação, castigos físicos e morte. Embora tenha filmado todo o tempo com uma única câmera e um mesmo ponto de vista, o depoimento foi filmado em diferentes ocasiões: depois de uma versão de cerca de uma hora e outra de pouco mais de duas horas, Wang Bing voltou a entrevistar sua personagem para compor, finalmente, a versão definitiva, com pouco mais de três horas de duração. Exibição em DVD.

Três irmãs (San Zimei) de Wang Bing (China, França, 2012. 153’)

Três crianças pobres de uma família de camponeses. Apesar de estarem próximas dos avós e tios, vivem sozinhas por abandono da mãe. A mais velha, Yingying, é deixada ainda mais sozinha quando o pai resolve levar as duas menores para a cidade. Exibição em blu-ray.

Até que a loucura nos separe (Feng ai) Direção, fotografia e montagem de Wang Bing (Hong Kong, Japão, França, 2013. 227’)

O cotidiano de um hospital psiquiátrico isolado no sudoeste da China com cerca de 100 pacientes, homens detidos por várias razões e distúrbios. Solitários, abandonados por parentes que raramente visitam, alguns foram simplesmente abandonadas ali pelo governo local por terem quebrado regras. Exibição em blu-ray.



GRADE DE HORÁRIOS
21 a 26 de outubro de 2014

21 de outubro (terça)
19:30 – Até que a Loucura nos Separe

22 de outubro (quarta)
20:00 – Fengming: Memórias de uma Chinesa

23 de outubro (quinta)
20:00 – Três Irmãs

24 de outubro (sexta)
19:30 – Até que a Loucura nos Separe

25 de outubro (sábado)
17:00 – A Oeste dos Trilhos Parte 1: Ferrugem

26 de outubro (domingo)
15:00 – A Oeste dos Trilhos Parte 2: Vestígios
18:00 – A Oeste dos Trilhos Parte 3: Trilhos







Wang Bing: a história pequena
Por José Carlos Avellar

Desde as primeiras projeções, em janeiro de 2003, no Festival de Rotterdam, A oeste dos trilhos despertou uma surpresa duplamente agradável. Essa extensa análise das transformações sociais e econômicas da China contemporânea é feita a partir do registro da decadência da grande indústria de metais pesados de Tie Xi Qu, distrito vizinho à cidade de Shenyang, no nordeste da China. Através da pequena história dos trabalhadores gradativamente marginalizados com o desaparecimento ou a transferência das fábricas, o filme nos leva a refletir sobre a grande história que se desenrola por trás dessas trajetórias individuais.

São nove horas divididas em três partes: Ferrugem, Vestígios e Trilhos. O filme percorre os espaços vazios das fábricas, acompanha o tempo de espera dos mais jovens e dos mais idosos em torno da fábrica e, ao fim, a demolição, quando os operários se aglutinam entre os escombros em busca de peças para vender como ferro-velho para fábricas ainda em funcionamento. E bem aí, dentro dessa surpresa inicial pela extensão do documento, uma outra, e inseparável da primeira, a descoberta de um modo de filmar que propõe um outro realismo cinematográfico. Um modo de filmar que, ao mesmo tempo, se serve dos novos meios técnicos, a exemplo da câmera digital, mas que não repete os habituais efeitos de saturação de luz e cor, a agilidade e o hiper-realismo da imagem em alta definição. A oeste dos trilhos olha sem pressa.

Nenhuma narração, nenhum comentário musical, nenhuma fonte de luz além da existente no interior das fábricas. Imensos galpões quase vazios funcionam ainda que precariamente. Quartos e cozinhas das casas sem aquecimento onde trabalhadores, em meio a um inverno rigoroso, esperam o governo decidir seus destinos. As conversas são filmadas com a câmera em ângulo baixo. Muitas vezes, a câmera pequena é colocada sobre a mesa, ao lado de uma garrafa térmica, entre alguns trapos, como um objeto qualquer da casa. Esses gestos simples da imagem reafirmam a vontade que impulsiona o filme: colocar-se entre os trabalhadores do outrora grande centro de indústrias de metais pesados de Tie Xi Qu, acompanhar suas falas e seus silêncios, suas idas e vindas em busca de trabalho; servir-se da câmera como uma ferramenta idêntica a qualquer outra usada pelos operários antes de serem empurrados para a margem com o fechamento das fábricas.

"A fábrica é a protagonista de meu filme", diz o diretor. Mais precisamente, a fábrica transformada em uma imensa ruína em consequência das transformações econômicas da China, o desaparecimento da fábrica como ferrugem, vestígio, trilho para o estudo do passado recente. "Pertenço a uma geração mais jovem, não conheço as razões e os sentimentos das pessoas mais velhas. Com A oeste dos trilhos queria, ao mesmo tempo, discutir algumas questões de nossa história e outras de meu processo criativo. Basicamente, segui meus instintos, não estabeleci previamente uma linha de abordagem, não organizei racionalmente uma estratégia cinematográfica. Quando terminei o filme, senti que um período da minha vida tinha acabado. Um novo período se inaugurava. Comecei a pensar como poderia desenvolver uma abordagem mais estruturada para o que eu queria fazer no cinema: discutir a experiência da geração anterior. De repente, nos descobrimos com 30 anos de vida - entre os 30 e os 40 - e começamos a perceber a discrepância entre o que nos foi ensinado e a realidade. Nos ensinaram a viver uma irrealidade. Essa foi uma motivação. Uma outra: hoje, na China, as pessoas não querem olhar para o passado. Só pensam no futuro. Só pensam no que querem ser amanhã. O ontem é irrelevante. O hoje, daqui a pouco, também vai-se tornar irrelevante. Se esse pensamento persistir, será muito problemático. Esse tipo de vida no vazio, uma ilusão suspensa no espaço, sem qualquer ligação com a terra, cria em mim uma sensação desagradável, um desconforto psicológico difícil de descrever", explica o diretor.

Um filme é um processo difícil e doloroso, muito cansativo e difícil - prossegue Bing. "Quando A oeste dos trilhos terminou, não senti algo como: 'Ótimo, estou feliz e satisfeito'. Fiz o filme para contar uma história. E ao contar essa história, eu me torno parte dela. Contadores de histórias, os artistas habitualmente imaginam ter uma certa influência sobre o público. Pessoalmente, não quero exercer essa influência - isso implicaria em adotar uma determinada noção de imparcialidade e de verdade. Eu tenho dificuldade de situar o meu trabalho. Não importa como um filme conta uma história, é muito difícil dizer que num filme apresentamos a verdade. Na vida, há momentos em que as coisas são difíceis de entender. Não sabemos lidar com elas. Todo cineasta enfrenta a dificuldade de ser imparcial durante o processo criativo - enfrenta até mesmo a dificuldade de ser fiel a si mesmo. O que é muito difícil. É algo difícil de alcançar em sua vida. Eu também enfrento essa dificuldade. Afinal, qual o meu papel quando filmo um documentário? Às vezes você pode confiar em sua capacidade de compreender a verdade, mas às vezes você se sente perdido e acha que jamais vai alcançá-la. Com relação a isso, estou plenamente consciente de que o meu filme é um intermediário entre a minha vida e a vida do meu interlocutor. O resultado dessa interação é que pode ser considerada a verdade de um documentário".

Qual seria a parte de verdade na feitura de um filme? Para Wang Bing, "o empreendimento é por vezes duvidoso, noutras ele faz sentido. Um filme traz mesmo uma certa porção de verdade. Se podemos dizer que existe um significado num documentário, acho que ele não está na história contada, mas num certo momento do documentário, num instante preciso em que se transmite algo. Um lugar, um instante na vida de alguém. São, digamos, dez, cinco minutos, não importa. Esse momento, quando ele se apresenta e tomamos consciência dele, é determinante. Esse momento não é a história, mas a história pequena. A história pequena é o que existe de mais bonito em um documentário."

Seu segundo filme também prossegue discutindo questões mais gerais da China e outras do processo criativo do diretor. Fengming: memórias de uma chinesa é uma longa conversa filmada também por uma câmera que olha de baixo para cima e não recorre a qualquer fonte de luz além da existente no local. Daí em diante, Bing produziu uma obra de ficção e dez documentários de curta e de longa-metragem empenhados em discutir a experiência da geração anterior e em perguntar por que pessoas de hoje não querem olhar para o passado. São filmes empenhados em buscar na história pequena o momento determinante em que um documentário transmite algo.

Wang Bing pertence à chamada Sexta Geração de diretores chineses (a sexta geração de diretores formados pela Academia de Cinema de Pequim). A oeste dos trilhos (Tie Xi Qu, 2003, 551'), filmado entre 1991 e 2001, foi seu primeiro filme. Em seguida vieram Fengming: memórias de uma chinesa (He Fengming, 2007, 186'); Fábrica de brutalidade, um dos seis episódios de O estado do mundo (2007, 105'. Os outros cinco episódios foram dirigidos por Aiysha Abraham, Chantal Akerman, Pedro Costa, Vicente Ferraz e Apichatpong Weerasethakul); Petróleo (Caiyou Riji, 2008, 840'); Xi Yanh Tang (2009, 18'); Dinheiro de carvão (Tong Dao, 2009, 53'); O homem sem nome (Wu ming zhe, 2010, 92'); A vala (Jiabiangou, 2010, 112'); Três irmãs (San Zimei, 2012, 153'); Sozinho (Gudu, 2013, 89'); Venice 70: Future Reloaded (filme em 70 episódios com a participação, entre outros, de Júlio Bressane, Karim Ainouz, Isabel Coixet, Jean-Marie Straub, Walter Salles, Jia Zhangke e Edgar Reitz; 2013, 120'). Seu mais recente documentário é Até que a loucura nos separe (Feng ai, 2013. 227').



José Carlos Avellar é coordenador de cinema do Instituto Moreira Salles.